Vamos acabar logo com a escola?

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Eduardo Aquino
O Tempo

Esse “faz de conta que estudo, faz de conta que ensino”, vai espalhando-se feito praga. O desinteresse em aprender e o desestímulo em ensinar andam como irmãos siameses, condenados a seguir mesmo destino. Ninguém aguenta mais quadro-negro, carteiras e salas fechadas. Parece repetição de filme de horror em preto e branco todo santo dia. Perdeu a graça, esgotou a paciência, não há estímulo que sobreviva. Cemitério de antigos talentos e SUS de novos.

Lamento pelos heróicos professores que ainda tiram “água de pedra”. Ou da minoria de alunos que, sedentos de conhecimentos e sonhadores de um futuro melhor, cata nas ruínas da escola algo que a alimente de esperança. Pais dividem-se entre os que lutam na última fronteira antes do fracasso e os que já abandonaram a luta e não estão nem aí. Funcionários recolhem o que podem no fim da feira para que a escola não dê seus últimos suspiros de inanição.

GUERRA DE EGOS – Enquanto isso, políticos, teóricos, burocratas e acadêmicos mofam em congressos, teses e reuniões para salvar a educação. Guerra de egos, vaidade e ETs que atualmente se engalfinham no tema “Escola sem partidos”. Enquanto isso: a orquestra toca no convés do Titanic. Vejo duas vertentes (ou profecias, se preferirem):

1) Escolas cibernéticas: através de realidade virtual, os alunos são lançados no espaço virtual, com seus óculos de realidade virtual, ou ambientes inteiros, viajando no tempo e espaço, na história, geografia, física, química. Travou? Um professor holográfico interfere. Localizou uma área cerebral incompetente, injetam-se nanorobôs para refazerem as sinapses neuronais. Chique, né? Mas atenção: sujeitos a hackers russos, chineses, conhecimentos fakes e bugs, que podem gerar autismo cibernético, desordem cérebro-maquina e outros diagnósticos que sempre surgirão.

2) Escolas neogregas: fora paredes, quadros-negros, muros altos. Vamos para a natureza, observá-la. Afinal, todas as leis matemáticas, físicas, químicas e biológicas, vêm do universo que nos cerca. Caminhar, acampar, sentir. Um mestre perto da fogueira , um grupo de jovens ouvindo-o. Proibido eletrônico. Sobreviva. Tudo que precisamos está aqui. Não adianta chamar o papai. Somos frutos de uma tabela periódica. Ao todo, 67% de nós é água. Outros 14%, carbono, e aí vai.

APRENDI NA ESCOLA – O belo é que em cada um de nós vibram esses elementos da tabela periódica e produzem pensamento, sentimento, desejos e fé.

Como aprendi tudo isso? Na escola, que me estimulou a ler e andar no mato, e adaptando-me à tecnologia. Seja lá o que aconteça, quero ser eterno aluno e ensinar o que aprendo.

8 thoughts on “Vamos acabar logo com a escola?

  1. 1) Prezado Eduardo Aquino,

    2) Sugiro uma olhada/pesquisa na Pedagogia Waldorf, que existe há décadas e foi criada pela Antroposofia na Alemanha, tem escolas em várias partes do mundo.

    3) Tanto a Waldorf quanto a Antroposofia foram fundadas pelo croata Rudolf Steiner, filósofo, escritor, professor já falecido.

    4) No Brasil tem muitas escolas dessa linhagem…

    5) Dê uma olhada/leitura na “Escola da Ponte” que nasceu em Portugal, muito boa.

    6) Ou então a experiência inglesa “Summerhill – Escola sem Muros”…

    7) Tentativas, experiências e assim vamos melhorando.

    8) Até onde estudei, as escolas confessionais (das ordens religiosas) vão bem obrigado…

    9) Se o problema é a Escola Pública, é por falta vontade política para melhorá-la.

    10) Abraços.

  2. O problema da Educação no Brasil não é a escola, é o Brasil.

    Um país no qual sociedade é moldada pela televisão, os costumes, implantados pela televisão, cuja programação nada tem de educativa, e trabalha o imaginário coletivo tornando o Brasil nessa ‘verdade’ que temos aí…
    Um povo dito ignorante, mal preparado e portanto mau remunerado…

    Hoje, só se educam, no Brasil, aqueles que realmente querem.
    Para tanto, desconectam-se, desligam-se da televisão.
    Quando desligarmos esse sinal de ondas maléficas, mentirosas, que têm como garoto propaganda um cara prateado que fala o ‘pissit’ e ‘conta esperança’, podemos perder as esperanças, nunca teremos educação enquanto continuarmos sendo enganados assim… Invente outra, ceará!!

    Quando o povo atingir massa critica, desconectar-se das ondas da TV, quando o povo EXIGIR que todo esse rio de dinheiro que a Vale faz, assim como a Odebrecht, a J&F (JBS)…
    Que as corporações instaladas no Brasil deixem de molhar mão de bandido e invista pesado em escolas, escola física, laboratórios, tudo de forma pristina, cristalina, a excelência a disposição de todos que quiserem estudar.

    Quando deixarmos de ter o governo como atravessador e começarmos a contratar do melhor para levantarem esses espaços físicos de excelência. A educação no Brasil vira de forma anárquica, somente quando a quisermos verdadeiramente…

    Grana para uma melhor educação, no Brasil, tá sobrando…
    Sobrando na mão daquele que a rouba de nós…

    Professores, temos os melhores do mundo, na hora que quisermos…
    Falta a estrutura.

    • Num Brasil de ‘castalhas’ – castas de canalhas – encontramos esses empreendedores fazendo fortunas com educação, provendo um serviço de oitava categoria…
      Trabalhar como escravo para pagar por essas instituições de ensino de castalhas é phroda….

    • AndreBR
      Talvez um dia, espero não muito distante, deixemos de repetir jargões e comentários sem fundamentos.
      Se nosso problema fosse só dinheiro, poderíamos resolver. Mas não é!
      Dizer que “Professores, temos os melhores do mundo, na hora que quisermos…” é desconhecer a realidade.
      Quem não consegue educar seus filhos, jamais escolarizará os filhos dos outros!
      Nossas escolas públicas (não é educação, é escolarização) são ruins pelo conjunto dos integrantes que dela fazem parte: professores sem compromissos e desqualificados; pais omissos e que terceirizam educação e formação; alunos inexpressivos e governos irresponsáveis não pode construir coisa melhor do que ai está.
      Abraço e saúde.
      Fallavena

      • Eu discordo totalmente de sua opinião.

        Lembrar que a única coisa que podemos deixar para nossos filhos e a educação, e mais nada absolutamente …

        O que escrevi é o que reconheço ser o cenário verdadeiro da educação brasileira.

        Nossos melhores professores do mundo não praticam a profissão de educar por não haver dinheiro, não para pagar o seu salário de professor, mas de criar o ambiente onde ele goste de ensinar, e poder ver nas aspirações do aluno sendo nutridas pelo sistema educacional, projetando um futuro promissor…

        E assim que funcionam as boas escolas, enquanto não existir isso no Brasil, os melhores professores do mundo não aparecerão para compartilhar ensinamentos, dar aula, mas que os temos os temos, com certeza…

        —————-

        Escolarização, e acordar amanha e aceitar o Temer, ouvir a radio, comprar o jornal, ler o jornal… achar legal ser igual, estar no contexto ditado pela TV….
        Acreditar que devamos ter eleições em 2018 com isso que esta ai…
        educação é reconhecer que nada disso pode durar mais uma semana sequer

  3. O texto trás a realidade que a maioria da sociedade teima em não querer enxergar.
    Uma salada de frutas, feita com frutas estragadas, mal conservadas e de sabores amargos, só é consumida quando não existe outra opção.
    No fundo, falta tudo, não apenas recursos. Se jogarmos mais recursos e não for realizada uma reforma séria, completa e duradoura, os resultados serão os de hoje ou até piores.
    O texto diz muitas coisas, mesmo que não diga tudo.
    Alguns anos passados, disse em evento que debatia o que fazer na escola: “Quando crianças, brincávamos de escola. De uns tempos para cá, para muitos, a escola virou brinquedo! “.
    E a primeira coisinha que precisamos entender é a diferença entre “educar e escolarizar”. Enquanto misturam conceitos, não podemos definir princípios.
    Fallavena

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