Vamos aos bastidores para conhecer os fatos reais que movimentam o Poder Político.

Robert Silva

Um trabalhista derrotou Sarney no Maranhão e a história montada pelos golpistas de 64 sofre ameaça de ser contada sob a versão dos golpeados. Paralelamente, o Amapá passou a não representar mais um abrigo seguro para o mais fiel representante do conservadorismo brasileiro. Mais uma vez, a luz vermelha acendeu para o Sistema Financeiro Internacional, patrono e grande beneficiário da ordem econômica aqui implantada com a derrubada dos trabalhistas.

O que fazer? Golpe militar já se esgotou historicamente, além de se revelar altamente caro e complexo, pois que manter a estabilidade nos quartéis não é tarefa fácil. Golpe parlamentar também se mostrou ineficaz, mormente pelo efeito “bumerangue”. Convém lembrar o esforço autoritário pra subjugar a vontade popular e arrancar do Poder o governo legítimo e popular eleito em 89. E o que fez Collor pra exigir tanto sacrifício? Simplesmente, não pagou juros. Zerou a dívida interna de 150 bi que estava começando sua espiral e meteu o pé no freio do processo de privatização, entre outras medidas não menos graves para o establishment.

Para que não tenhamos dúvidas sobre isso, passados 20 anos da queda de Collor, temos quase 3 tri de dívida, pagamos 3 tri de juros e torramos grande parte do nosso patrimônio. Pior que isso, sequer conseguimos pagar os juros anualmente, a dívida está sempre aumentando.

Historicamente, tivemos dois momentos de liberdade financeira, a primeira foi com Getúlio, que foi obrigado a alvejar o próprio peito, e essa com Collor, que não seguiu o mesmo rumo porque foi aconselhado. O fato é que o golpe parlamentar deixa o eleitor revoltado e o troco é inevitável, ainda que mantenha o “cassado” 8 anos na geladeira. Falar verdade, cassar mandato é atitude para tirano. Restou então estuprar o Judiciário para satisfação desses interesses inconfessáveis. Frágil, a Magistratura tornou-se presa fácil a serviço dos golpistas. E assim começou a escalada macabra para ultrajar a vontade popular.

O Amapá foi o primeiro da lista, amargando a humilhação de ver seu líder Capiberibe deixar a cadeira do Senado para ser ocupada por um amigo de Sarney. Mas havia um trabalhista do Maranhão que incomodava a história, como usurpar seu mandato? Primeiro, um balão de ensaio, o governador de Santa Catarina, para depois alcançar a cereja do bolo, Cássio Cunha Lima, governador da Paraíba. Cássio era a senha para mobilizar a superestrutura e minimizar a guerra histórica do Maranhão.

Quais os atrativos de Cássio? Jovem, bonito, nordestino, líder carismático, cuja popularidade tinha sido colocada à prova, depois de derrotar Lula, contra tudo e todos, em duas eleições seguidas e em dois turnos. Isso, com Lula praticamente acampando na Paraíba. Mas não é tudo; após reeleito, Cássio, depois de sofrer com os problemas financeiros em um dos mais pobres estados da União, se rebelou nacionalmente contra a política de juros, atraindo para si a ira do Sistema Financeiro.

Cássio foi visto como o novo Collor. Entraram em campo as forças auxiliares do Mercado Financeiro; CNBB, OAB e Sistema de Comunicação para impor o “ficha limpa”. Mas o povo resistiu, desmoralizou o “ficha limpa”, resgatou seus líderes e deixou os cassadores de cabeça inchada. É bem verdade que Sarney continua lá, mas, convenhamos, saiu um tanto quanto chamuscado depois dessa aventura…

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