Vândalos depredam e abalam voz livre do povo nas ruas


Pedro do Coutto

As manifestações populares ocuparam o cenário do país na noite de quinta-feira, abrangendo, como assinalou O Globo, oitenta  cidades, com destaque natural para Rio, São Paulo e Brasília. Mas em vez de expressar a voz livre do povo nas ruas, clamando por mudanças, terminaram fortemente prejudicadas pela ação absurda e criminosa de vândalos que praticaram depredações, provocações, violências e saques a lojas comerciais e agências bancárias: desfocaram a participação popular na luta pela liberdade, pela ética, por um país melhor, fatores portanto democráticos, lançando, propositadamente o movimento pacífico no campo da ameaça. 

No centro do Rio, o que seria uma caminhada monumental pela Avenida Presidente Vargas foi reduzida porque centenas de milhares de pessoas que lotavam o percurso até a Prefeitura afastar-se quando souberam o que estava ocorrendo em frente à administração municipal. Em São Paulo, a manifestação foi pacífica, porém em Brasília a inconcebível tentativa de invadir o Itamarati e o cerco ao Palácio do Planalto passaram ocupar as redes de televisão. E certamente influíram na repetição de ataques e confrontos em uma série de outras cidades. Difícil, talvez impossível, aos manifestantes, imensa maioria, que defendem o protesto pacífico podem conter ou expulsar os vândalos alucinados. Até porque, no caso do Rio, como observou minha mulher, os vândalos depredadores se antecederam à chegada da passeata à Prefeitura. 

Antecederam de muito e começaram a atacar o prédio, provocar os policiais, tentaram derrubar portas e invadir. Eles planejaram, portanto suas  ações. A prova é que se encontram nos arredores e em momento algum caminharam com a multidão. Tinham um projeto definido de tumultuar, agredir, destruir. Como  praticaram ao incendiar cabines da Polícia Militar, carro do SBT, além de quebrar automóveis particulares. Desalojaram a vitória total do povo das telas de televisão, das páginas da Internet, da primeira página dos jornais do dia seguinte, sexta-feira. Destaquei a Internet com as redes sociais que proporciona porque, dois dias antes, pesquisa do Datafolha publicada na Folha de São Paulo apontou a influência decisiva da comunicação eletrônica na arregimentação popular. E acentuou a presença da Internet e da imprensa em geral como os veículos mais influentes. 

INTERNET 

Perfeito. A percentagem da opinião pública que apontou a Internet passou de 70%. Refletiu uma realidade cada vez mais presente, não só em nosso país, mas em todo o mundo. Antes de seu funcionamento, ampliação e absoluta consolidação, de um lado ficávamos, todos nós, receptores, de outro os transmissores. Agora não. Cada computador passou a ser também um transmissor. Um transmissor tanto coletivo quanto pessoal. Daí sua força para arregimentar multidões. As mensagens são personalizadas, o que torna o apelo mais intenso. 

Mas nem assim as comunicações voltadas para as manifestações pacíficas conseguiram conter a minoria, insignificante em número, mas de grande capacidade e destruição de agir para levar ao tumulto geral e, em consequência, ao pânico. Justificado, aliás, porque os jovens e pessoas de todas as idades que se dispuseram a caminhar pelas avenidas e ruas da liberdade partiram para uma afirmação democrática, não para comprometer a ordem pública e, em vários casos, saquear. 

Os vândalos depredadores, entretanto, não mudaram a realidade e a intensidade da voz do povo. Ele exigiu – exige – o compromisso ético, social, econômico e político por parte dos que governam o país. Os governantes, enfim, agora, precisam falar e responder à pressão legítima da onda de protestos que surgiu.

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7 thoughts on “Vândalos depredam e abalam voz livre do povo nas ruas

  1. Comentário – Tribuna da Imprensa
    Vândalos depredam e abalam voz livre do povo nas ruas
    Pedro do Couto

    A toda hora, muito se comenta sobre os nossos “aparatos de segurança”. Recentemente, logo assim dos episódios que eclodiram mormente na cidade, alhures, em entrevista coletiva na Tv, pude observar o “desconforto” do secretário de Segurança do Rio de Janeiro, do comandante da Polícia Militar e da chefe da Polícia Civil, quando indagados até então sobre todos os acontecimentos sucedidos, na cidade. O que mais me chamou a atenção foi o “esforço” de cada um em “ter, e saber o que dizer”, a respeito do papel da “força policial”, diante de toda a balbúrdia que se viu, desferida por pequenos grupos de arruaceiros, que, estava claro que algo que os motivassem aos crimes cometidos, não duvido que as ações, foram “supostamente” perpetradas…, antecipadamente, por “supostas configurações partidárias, e, tendo, dessa forma, pernosticamente, encorpada com a participação de grupos marginalizados, que se aproveitaram da situação “viável…” para se valer dos saques e das depredações de patrimônios públicos e privados. No mais, a sensação que fica, é a de “despreparo”, e uma debilidade assaz visível aos olhos de qualquer um que tenha assisitido a olho nu ou não, do que ainda podemos entender o que seja Segurança Publica, e o que seja de uma cidade bem policiada e preparada, para as emergências que se façam da hora…, ainda mais, quando uma nação também se propõe a sediar “mega eventos esportivos de massa”, sem, ainda, em momento algum, ter testado a sua capacidade de “confiabilidade” ao seu povo, no que cerne o direito de ir e vir, e da certeza de que tudo o que se é planejado…, seja ratificado nas ações que se fizerem necessárias, em prol de todos os cidadãos…

    Olcimar é apenas um senciente,
    uma voz uníssona.
    CidadedeItaboraíRJBrasilBR
    Domingo10:0523junho2013
    OanodaSerpentedeÁgua

  2. REMESSA DE ARTIGO

    O lado perigoso das manifestações violentas para o futuro do Brasil

    Milton Corrêa da Costa

    Há um fato novo e extremamente preocupante, gerado pela contaminação das recentes manifestações ocorridas em vias públicas, em boa parte do território nacional. Uma perigosa faca de dois gumes, que os cientistas políticos e sociais talvez não conseguem explicar. Algo que foge dos livros de doutrina de regimes e sistemas políticos no mundo: a perigosa força da pressão popular violenta que traz o medo e põe em risco o patrimônio público e privado, a ordem pública, a ordem institucional e a própria segurança nacional.

    O que se reivindica em vias públicas, ficou bastante claro, não era só a gratuidade ou a suspensão do aumento das tarifas de transportes. A ideia-força é a melhor qualidade de vida para o povo e o fim da corrupção. Quanto a redução do aumento das tarifas tal reivindicação pôde ser atendida- os governos foram acuados pela pressão das ruas- com uma rápida decisão, bastando que se fizesse ajustes no orçamento de estados e prefeituras objetivando cobrir os gastos decorrentes. Até aí tudo resolvido.

    A questão agora é que a vitória dos manifestantes, ao conseguir a suspensão dos aumentos de tarifas, pode dar a falsa sensação- alguns são bandidos que se aproveitam para destruir e saquear- de que tudo será possível em termos de melhoria rápida e efetiva, nas áreas de saúde, educação, segurança e moradia com simples manifestações, quer sejam agressivas ou não. Basta que se mobilizem pela Internet e saiam as ruas, independente de representação política,

    No entanto, é preciso entender que a máxima constitucional de que “o poder emana do povo e em seu nome será exercido”, num estado democrático, só é possível que ocorra pela representação política -a presidente disse também que há limitações políticas e econômicas- ainda que os jovens e boa parte da população brasileira esteja desencantada com a grande maioria dos políticos, da mesma forma que muitos não confiam nas leis brasileiras que beneficiam criminosos aí incluídos os corruptos que roubam o dinheiro público e ainda são reeleitos dispondo, vergonhosamente, de prerrogativas do mandato político.

    O fato novo e perigoso, fruto da maior e mais violenta e desordenada revolta que se tem notícia na história da democracia brasileira -não há líderes no comando-, é que doravante políticos tomem decisões por medo e pressão do grito das ruas, que juízes decidam suas sentenças pressionados e não por convicção, que governos tomem decisões acuados pelo terror e a baderna. Imaginem que o próximo grito (inconsequente) das ruas seja para que durante algum tempo não se pague mais impostos ou pela exigência de liberar drogas ilícitas para comércio e consumo ou pelo direito do sexo livre em vias públicas. Nem sempre a vontade popular está de acordo com o bom senso e as normas éticas e morais que regem uma sociedade.

    Há que se entender, que diferentemente da suspensão de um aumento de tarifa, a questão dos graves problemas estruturais da saúde, da educação, da segurança pública, do saneamento básico e da moradia para os sem teto, além do salário mínimo mais digno- país rico e país sem bolsa-miséria- não serão resolvidos a curto prazo pela simples indignação e revolta das ruas. Da mesma forma corrupção só é possível punir através de um processo criminal onde seja concedida ao acusado a ampla defesa e o contraditório. É bom lembrar também que corrupção é um problema arraigado à cultura brasileira que começa com o motorista que aceita corromper o guarda da esquina para não ser multado no trânsito..

    O fato é que a porta da pressão popular inusitada, associada aos atos de vandalismo, medo, terror, inconsequência e destruição, está aberta. O domicílio de qualquer um de nós pode ser alvo agora de saques e destruição, não pelos idealistas pacíficos mas pela corja de marginais, aproveitadores de ocasião. Aí voltaremos aos tempos do faroeste americano, da lei do mais forte, onde talvez tenhamos que substituir as grades (jaulas) de hoje por verdadeiras fortalezas da Idade Média.

    As consequências desse movimento podem, portanto, ser as mais graves possíveis para o futuro do país gerando, num outro lado da moeda, a involução política onde os tanques de guerra voltariam a ser os mecanismos de contenção da baderna. Neste instante as contínuas manifestações são uma grave ameaça à paz social. Espera-se que o bom senso prevaleça neste instante. A verdade, porém, é que o Brasil, a partir de agora, não será mais o mesmo. A arruaça e a baderna estão incorporadas ao contexto nacional.

  3. Se os vândalos e os policiais truculentos tivessem estudado tempo integral nos CIEPS ou Brizolões Não teriam atuado de maneira desastrosa. Mas 2 (dois) espíritos SEM LUZ chamados Moleza Frango, digo, MOREIRA FRANCO e Marcelo 51, digo, MARCELO ALENCAR destruiram os CIEPS.

  4. O problema meu caro, que ainda que houvessem, sim, por que sempre haverão os radicais neste tipo de convulsão social, que estavam preparados para o combate à polícia, há várias testemunhas oculares que discordariam de você e de sua esposa: foram os policiais quem começaram primeiro,não obstante terem usado mulheres bonitas para panfletarem pedindo pela paz, antes. o Jornal Tribuna da imprensa, o qual leio desde 1997, não pode concordar com este lado da “verdade” que a mídia vendida vende na televisão. Há vários vídeos no you tube e no facebook que atestam o contrário do que você está escrevendo aqui. E digo mais, não me surpreenderia se não houvessem vândalos infiltrados por grupos interessado no retrocesso do país.

  5. PARA LER E REFLETIR:

    “O Brasil é alvo das mesmas conspirações que tentam desestabilizar a Turquia”.

    “O mesmo jogo está sendo jogado agora no Brasil. Os símbolos são os mesmos, os cartazes são os mesmos, Twitter e Facebook são os mesmos, a mídia internacional é a mesma. Eles (os manifestantes) são liderados a partir do mesmo centro”.

    “Eles estão se saindo melhor em alcançar no Brasil o que não puderam alcançar na Turquia. É o mesmo jogo, a mesma armadilha, o mesmo objetivo”.

    “Quem ganhou com estas três semanas de protestos? O lobby da taxa de juros, os inimigos da Turquia”.

    “Quem perdeu? A economia da Turquia, mesmo que em pequena escala, e o turismo. Eles ofuscaram e mancharam a imagem e o poder internacional da Turquia”.

    Recep Tayyip Erdogan – 1o. Ministro da Turquia

    Fonte: FOLHA DE SP – http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/06/1299877-premie-diz-que-protestos-no-brasil-sao-fruto-de-conspiracao-internacional.shtml

  6. Muito se fala sobre “vândalos”. Eu prefiro ver a multidão que protesta. Eu também acredito que se o preço a pagar para acabar com os “vandalos” dos orçamentos federal, estaduais e municipais forem somente algumas vitrines, alguns para-brisas e algumas praças de pedagio e muito barato comparado com os “vandalos” de cara limpa e cobertura heroica da imprensa que espoliam orçamentos da saúde, educação, habitação, transporte publico etc… Eu não acredito que se quisermos realmente mudar devemos focalizar a voz do povo. O resto e como dizem mal necessário. Afinal quem são aqueles que tiveram seus entes queridos assassinados na porta dos hospitais, não tem qualidade no conteudo ensinado nas escolas de nossos filhos, pagam por moradias construidas com baixa qualidade e caras, todos os dias se submetem a tortura de que é andar no transporte publico nesse pais. E salve o POVO BRASILEIRO.

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