Vantagem de Crivella é inegável, mas a pesquisa não incluiu todas as faixas de renda

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

A primeira pesquisa Datafolha sobre as atuais intenções de voto para prefeito do Rio – reportagem de Fernanda Krakovics, Ruben Berta e Miguel Caballero, O Globo de sexta-feira – revelou ampla vantagem de Marcelo Crivella sobre Marcelo Freixo, fato inquestionável à luz dos números e da atmosfera da cidade. Entretanto, o levantamento partiu, como está na reportagem, de uma polarização incompleta.

Entre os eleitores que ganham de 1 a 2 salários mínimos, ampla maioria para o candidato do PRB. No eleitorado dos que percebem mais de 10 pisos por mês, Freixo lidera. Perfeito. O contraste está colocado. Mas quais os posicionamentos entre aqueles cujos vencimentos situam-se entre os dois polos? Esta é uma questão importante. Outra reside no fato de que aqueles cuja remuneração vai de 1 a 2 SM serem em número muito maior dos que ganham acima de 10 SM.

O peso dos primeiros está em torno de 40% dos eleitores. Acima de 10 mínimos, infelizmente para o desenvolvimento social do país, a faixa restringe-se a apenas 7%.

EXCLUSÃO – Com base no texto de O Globo, não estão incluídas as faixas de renda de 3 a 5 SM, muito menos as que abrangem o contingente das faixas entre 5 a 10 mínimos. Sei que o panorama salarial do Brasil é muito baixo. Basta recorrer ao IBGE para se verificar que 50% da mão de obra ativa brasileira recebem até 3 salários mínimos por mês. E que acima de 20 SM encontra-se somente 1% de todos os assalariados, servidores públicos e regidos pela CLT. Entre os aposentados e pensionistas do INSS a remuneração média mensal dE 32 milhões de pessoas é de 1 mil e 100 reais. Mas esta é outra questão.

O fato essencial, a meu ver, tanto nas pesquisas do Datafolha quanto nas do Ibope, é a divisão das tendências eleitorais pelas diversas faixas de renda. São cinco: de 1 a 2 SM; de 2 a 3; de 3 a 5; de 5 a 9; e, finalmente acima de 10 SM. Um dado mais importante que a taxa de escolaridade, as faixas etárias e as transferências de votos dos candidatos do primeiro para os finalistas do confronto final.

DESEMPENHO – Além deste aspecto, tem-se que levar em conta o desempenho dos candidatos às urnas do dia 30 ao longo da campanha decisiva na televisão e no rádio. Nesse quadro é indispensável acrescentar o preenchimento dos espaços nas redes sociais da internet.

A mera transferência de votos a que me refiro não é suficiente para iluminar o confronto. Uma vez que podem ocorrer mudanças, amanhã, por parte dos eleitores de ontem. Não estou querendo dizer que possíveis mudanças vão ocorrer. Mas digo somente que podem acontecer. É diferente. Não é tanto o espaço de tempo. Importa pouco. Me referi, outro dia, às eleições de 1965 para governador da Guanabara. Carlos Lacerda estava no Palácio Guanabara desde 61, eleito que foi em 60.

SUCESSÃO DE LACERDA – Flexa Ribeiro tinha seu apoio e, claro, a máquina do governo. O candidato da oposição era o general Teixeira Lott. Sua candidatura foi vetada por Ato Complementar – existia na época – do presidente Castelo Branco. Surgiu então o nome de Negrão de Lima, exatamente a 22 dias antes das urnas de outubro. Flexa, como era de esperar, saiu na frente das pesquisas. No dia 3 daquele mês, portanto há 51 anos, qual foi o resultado? Negrão 51, Flexa 38% dos votos.

Não sou dono de bola de cristal, nem estou dizendo que o quadro favorável a Crivella vai mudar. Digo que pode mudar. Vamos ver.

19 thoughts on “Vantagem de Crivella é inegável, mas a pesquisa não incluiu todas as faixas de renda

  1. Excelente análise do jornalista Pedro do Couto, aliás um craque na matéria. Sua atuação no caso Proconsult foi decisiva para desmascarar a fraude dos homens da ditadura militar-civil em favor de Moreira Franco. Nesse sentido, o jornalista entrou para a história e a o Estado do Rio de Janeiro, felizmente foi governado por Leonel Brizola.

    No caso em comento, faço coro com Pedro do Couto: nada está definido. O segundo turno é outra eleição e Marcelo Freixo terá o mesmo tempo na televisão que seu oponente da Igreja Universal.

    Crivella é um candidato escolado e sagaz. Sua atuação no debate final na Rede Globo foi impecável. Atacou o candidato mais perigoso no segundo turno, o pupilo de Paes, Sr. Pedro Paulo, de quebra arrasou o PMDB do Rio de Janeiro associando o Partido de Ulisses Guimarães com a corrupção avassaladora que assola o país. Seus ataques foram certeiros e atingiram o coração de Pedro Paulo, de Paes, de Pezão de Cabral e dos Piccianis. Aliás, todos os outros candidatos foram na mesma linha de ataque sem tréguas contra o candidato do PMDB. A estratégia dos candidatos foi vitoriosa e muito bem planejada, Seus efeitos remeterão ao distante 2018, na qual, dificilmente o PMDB fará o sucessor de Pezão. Paes, Leonardo Picciani, et caterva podem dar adeus a anos de comando do Estado.

    Há Há Há nada dura para sempre, uma hora vem uma onda e varre todo mundo do mapa político. Neste caso, as vaidades, as brigas internas e a incompetência na gestão dos recursos públicos falou mais alto. Mas, além de todas as políticas contrárias ao povo do Rio de Janeiro, um ponto ressaltou a falta de elegância e o nariz em pé de Cabral e Paes como fundamentais para a derrota: Falo do destempero verbal dos dois políticos. O primeiro protagonizou junto de Lula na comunidade de Manguinhos, uma esculhambada grosseira contra um jovem de 14 anos, por ele ter perguntado sobre a piscina prometida e não cumprida. lamentável sob todos os aspectos. O segundo, em telefonema ao Sr. Lula da Silva, outro destemperado verbal da pior qualidade, pois bem, disse que Maricá, São Pedro da Aldeia e Araruama eram cidades de m….. de pobre comparando com o sítio de Atibaia. Depois, ao entregar as chaves de um apartamento a uma dama afirmou textualmente: Agora você vai poder fazer sexo a vontade aí dentro. É claro que não podia escrever aqui exatamente como ele falou não é! Lamentável um homem público agir dessa maneira. Ele não é superior a ninguém, nem ele nem Cabral, nem Lula. Quem é? Nem mesmo Sócrates o filósofo grego, que na sua humildade disse: “Só sei que nada sei”

    Voltando a eleição do Rio de Janeiro faço um breve recado para Freixo: Perderá muitos votos das famílias contrárias a questão do gênero defendida por um deputado federal de sua legenda, pois não agrega só tira votos. Se concentre nas propostas de sua futura gestão se vier a vencer a disputa, o que acho extremamente difícil, nessa quadra do país, em que o desencanto do povo com os Partidos de Esquerda e os políticos profissionais é preocupante. O PT foi arrasado e o PCdoB sofreu a sua maior derrota. A Direita dominou de Norte a Sul do país, por pura incompetência da Esquerda. Não bastam bons discursos é preciso passar da teoria para a prática. Vão agora para o limbo da estrada percorrer de novo o caminho para Damasco, que perderam e não sei se conseguem achar de novo o rumo certo. Paciência.

    • A matéria se esqueceu de um ” pequeno ” fato.
      Essa pesquisa foi feita logo após a realização do primeiro turno, ou seja , antes do inicio da propaganda eleitoral.
      No primeiro turno o Freixo tinha apenas 11 segundos diários, atualmente os tempo são iguais , sem contar que ele sequer foi ” convidado. ” para o primeiro debate da Band.
      Fora isso ele tem uma enorme militância, tanto que mais de 10 pessoas foram na comemoração na Lapa.
      No primeiro dia de arrecadação da caixinha de campanha, ele recebeu mais de 100 mil reais , doados por mais de 2.000 pessoas.
      No primeiro turno ele recebeu doações de mais de 5.000 pessoas , sendo cerca de 2.000 de outras cidades, fato que irá para o livro dos recordes como a maior caixinha do mundo.

  2. Plagiando um post de um colega de comentários (não guardei seu nome, que pena).

    Ele disse mais ou menos assim (com a devida vênia):
    – “Quem vai decidir o meu voto é a meteorologia.
    Se houver sol vou encher a cara, pois ressaca não passa de um dia, mas arrependimento dura quatro anos”.

  3. A sua amiga Henriqueta não se conforma, não aceita nem o Santo Careca , nem o Careca Santo…

    Para FHC, vitória de Doria em São Paulo não tem nada a ver com Alckmin
    Por: Mauricio Lima 08/10/2016 às 12:56
    A um interlocutor, Fernando Henrique fez uma avaliação fria da vitória de João Doria em São Paulo.
    Na opinião do ex-presidente, o resultado espetacular nas urnas aconteceu em função das características pessoais e do poder de comunicação do empresário — e não teve nada a ver com Geraldo Alckmin.

  4. Já estão passando a sacolinha no PMDB…

    Fogueira das vaidades na campanha de Marcelo Crivella
    Por: da Redação 07/10/2016 às 19:24
    Dois Marcelos estão em rota de colisão na campanha de Marcelo Crivella para a prefeitura do Rio de Janeiro. Em jogo, como abocanhar o eleitor jovem carioca.
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    Marcelo Faulhaber, ex-braço direito de Eduardo Paes, é um dos responsáveis pela estratégia do candidato do PRB. Embora esteja agregando valor à campanha, foi dele a infeliz ideia de na propaganda de TV tirar a imagem de Lula de uma foto que reunia Eduardo Paes, Pedro Paulo Carvalho, Luiz Fernando Pezão e Sérgio Cabral.
    Neste momento, Faulhaber está tentando impedir uma iniciativa de Marcelo Vitorino, marqueteiro que acaba de desembarcar na campanha de Crivella após trabalhar em campanhas na Baixada Fluminense.
    Vitorino quer criar uma espécie de militância de jovens evangélicos para se contrapor aos militantes de Marcelo Freixo do PSOL. Parte deles viria da Igreja Universal do Reino de Deus, comandada por Edir Macedo, tio de Crivella.
    (por Thiago Prado)

    • Marcelo Faulhaber já se reconciliou com Paes??? ou não se desentenderam???

      Será que de CM se vai a Paes e de Paes se vai a Crivella … sempre por ex-homens de confiança???

      Rio de Janeiro, a que já foi capital do maior país católico do Mundo … APOSTASIA!!! !!! !!!

  5. Um candidato é da IURD, dispensa comentários. O outro foi contra o impeachment da Dilma e até pouco tempo usava as mesmas palavras de ordem do PT: é golpe e governo golpista. Vendo o que aconteceu com a Jandira Feghali, que manteve a coerência, deu uma parada. É a favor de movimentos gay a título de combater a intolerância. Penso o contrário, esses movimentos aumentam mais a intolerância. Sexo é uma questão íntima de cada um, é um absurdo fazer-se propaganda de opções sexuais. Nada contra a opção sexual de cada um, deve-se respeitar as fraquezas humanas, todos nós estamos sujeitos a algum tipo de fraqueza. Ainda tem suas ideias nada católica com relação a drogas.
    Voto nulo, ou melhor, não vou votar, a minha idade me dá esse direito..

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