Veja as contradições que Bolsonaro precisará esclarecer no depoimento sobre interferência na PF

O presidente Jair Bolsonaro Foto: ADRIANO MACHADO / REUTERS

Jair Bolsonaro terá de explicar muita coisa aos federais

Carolina Brígido, Aguirre Talento e Jéssica Moura
O Globo

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou ao presidente Jair Bolsonaro a possibilidade de prestar depoimento por escrito no âmbito do inquérito que investiga as acusações do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, de que o chefe do Executivo teria tentado interferir na Polícia Federal. Com isso, Bolsonaro terá que ser ouvido pessoalmente, conforme a colunista Míriam Leitão antecipou em maio.

O ministro destacou em sua decisão, porém, que o presidente pode não comparecer ou ficar em silêncio, se desejar. Segundo a colunista Bela Megale, aliados do presidente defendem que Bolsonaro adie o depoimento e postergue o caso até Celso de Mello se aposentar.

CONTRADIÇÕES – Caso deponha, o presidente terá que explicar as contradições entre seus argumentos de defesa e as provas colhidas no inquérito que apura sua suposta interferência na PF. Elas fragilizam a versão dele para os fatos.

A investigação foi aberta a partir de acusações do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro. Quando anunciou sua demissão do cargo, em abril, Moro disse que Bolsonaro tentou interferir na corporação ao demitir o diretor-geral e cobrar a troca no comando da Superintendência no Rio de Janeiro. Veja o que o presidente precisará esclarecer.

SEGURANÇA FAMILIAR – No dia 15 de maio, o presidente declarou que estava preocupado com a segurança de seus familiares ao falar na reunião ministerial do dia 22 de abril sobre problemas na segurança e que queria trocar a equipe.

—A interferência não é nesse contexto da inteligência, não. É na segurança familiar. É bem claro — disse Bolsonaro.

O inquérito da PF registra, no entanto, um ofício do Gabinete de Segurança Institucional apontando que nunca houve “óbices ou embaraços” para troca na segurança. Informou ainda que o chefe da segurança pessoal do presidente no Rio foi trocado em março, um mês antes da reunião gravada em vídeo.

RELATÓRIOS – O presidente reclamou, na mesma reunião do dia 22 de abril, que não tinha informações das áreas de inteligência, citando a PF e outros órgãos.

— Não posso ser surpreendido com notícias. Pô, eu tenho a PF que não me dá informações. Eu tenho as… as inteligências das Forças Armadas que não tenho informações— disse.

No inquérito da PF, há dados apresentados pelo diretor da Abin mostrando que presidente e ministérios receberam 1.272 relatórios de inteligência em 2019 e 2020. A PF enviou 65 relatórios desse tipo.

PRODUTIVIDADE – Em agosto de 2019, Bolsonaro declarou publicamente que estava insatisfeito com a produção da Superintendência da PF no Rio.

— Todos os ministérios são passíveis de mudança. Vou mudar, por exemplo, o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Motivos? Gestão e produtividade — pontuou.

Dados da produtividade da PF mostram, porém, que a Superintendência fluminense havia melhorado seu índice produtivo em 2019 e atingiu sua melhor performance em julho daquele ano, um mês antes de Bolsonaro anunciar a troca.

MOTIVAÇÃO  – Bolsonaro declarou em maio deste ano que não estava preocupado com a PF, nem nunca esteve. Ele chegou a dizer que a a corporação nunca investigou ninguém de sua família. Mas procuradores obtiveram cópia de inquérito que tramitou no Rio e investigou suspeitas de lavagem de dinheiro do senador Flávio Bolsonaro.

O caso foi arquivado pela PF após a realização de poucas diligências, sem quebras de sigilo.

MENSAGENS PARA MORO – Mensagens no telefone celular do ex-ministro Sergio Moro são alguns dos elementos principais da investigação. Em uma conversa na semana em que decidiu pela demissão de Maurício Valexo do comando da PF, o presidente reclama da investigação sobre deputados bolsonaristas em um inquérito que apura fake news contra integrantes do Supremo. Ele afirma ao então ministro que este era mais um motivo para trocar o comando da Polícia Federal.

Em outra mensagem do mesmo mês de abril, o presidente afirmou que ministros que o contrariassem deveriam ter a “dignidade de se demitir”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Há um erro grave na matéria. A investigação foi iniciada a pedido de Bolsonaro, que determinou a “imediata” abertura do inquérito ao procurador-geral Aras. Era o ex-ministro Moro que estava sendo investigado. Bolsonaro passou a ser investigado depois, quando as provas se avolumaram contra ele. (C.N.)

8 thoughts on “Veja as contradições que Bolsonaro precisará esclarecer no depoimento sobre interferência na PF

  1. Pelo que eu conheço do Mito aposto que será um depoimento de Perguntas e Respostas combinadas e depois Carlucho escrever no Twitter para seus seguidores que o Mito mais uma vez deu um baile na PF e STF.

    Ano de eleição sabem como é!

    Reeleger é Reerrar!

  2. Bolsinaro, como sempre, vai de mal a pior, não tem inteligência, e por isso, não percebe a dos outros.
    Pensou que Moro, por ser honesto e de carreira reta, fosse algum bobo que lhe serviria como ele quisesse.
    Quebrou a cara porque de bobo, Moro nada tem, e tem mais, aparenta ser pessoa de questão é demonstrou quando, no depoimento do ex e futuro presidiário Luiz Inácio, aguentou todo tipo de ofensas do matuto metido a malandro, e depois o engaiolou.Assim é que se trata bandido, mira-se na vaca para acertar no veado.
    Bolsonaro, caso nossa justiça haja dentro da lei, vai se dar muito mal, e se chegar ser impichado, e até mesmo preso, o povo brasileiro terá menos um feiticeiro para continuar lhe enganando.
    Bolsonaro e Luiz Inácio se equivalem, e certamente unir-se-ão contra Moro nas próximas eleições, aí teremos um quadro límpido do que é gente podre e gente reta.

  3. O direito de permanecer calado pode ser um direito por derivar de lei mas é um privilégio e como tal corrupto, não podendo estar de acordo com a moralidade.
    As leis não são perfeitas nem podem garantir aplicação honesta, mas o interrogatório não tem por que ser dispensado a uns e obrigado a outros, por dispensa ou não obrigatoriedade de responder, porque é instrumento lícito e não privilégio.
    E a autoridade alvo tem o dever moral de resposta.

  4. Afinal de contas, Moro acusa ou não Bolsonaro de interferência? Quando governo disse que o presidente nunca interferiu. Também disse não fez nenhuma acusação ao presidente. Uma hora hora diz uma coisa, outra hora diz outra.

  5. Esse Moro, tão indeciso…uma hora diz uma coisa, outra hora diz outra…tem que decidir, Moro, senão você acaba presso.
    O Jair é só mentiroso ou é mau caráter também?

  6. A Pf precisa ter a liberdade para trabalhar, e colocar na cadeia digo cadeia quem quer que seja e esteja devendo para o pais, estado, município e cidade – digo de novo cadeia neles – 2020.

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