Veja diz que Temer intermediou doação da Odebrecht em dinheiro vivo

Doação está registrada no livro da Odebrecht, diz a Veja

Daniel Pereira
Veja

Veja teve acesso a um anexo da delação premiada mais esperada do escândalo do petrolão. A Odebrecht mobilizou mais de uma centena de advogados para assessorar a delação de seu presidente, Marcelo Odebrecht, e de cerca de cinquenta executivos da empresa. No trecho a que Veja teve acesso consta a informação de que em maio de 2014 houve um jantar no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente da República. Nele, estavam o próprio vice Michel Temer e o então deputado Eliseu Padilha, atual ministro-chefe da Casa Civil. Do lado da empreiteira, Marcelo Odebrecht.

Segundo os termos do anexo, Temer pediu “apoio financeiro” ao empresário. Marcelo Odebrecht, um campeão em contratos com o governo federal e um financiador generoso de políticos e campanhas eleitorais, prometeu colaborar. Afinal, estava diante do vice-presidente da República e comandante em chefe do PMDB, o maior partido do país, que controlou desde a redemocratização cargos estratégicos da máquina pública, como diretorias da Petrobras e de estatais do setor elétrico.

A Lava-Jato já sabe que empreiteiras repassaram propinas a partidos na forma de doações eleitorais. Ou seja: que usaram a Justiça Eleitoral para lavar dinheiro sujo.

EM DINHEIRO VIVO – No caso da negociação no Jaburu, o anexo da empreiteira promete provar, caso a delação seja homologada, que se deu uma operação distinta: o pagamento do “apoio financeiro” aconteceu em dinheiro vivo, entre agosto e setembro de 2014. A Odebrecht repassou 10 milhões de reais ao PMDB. Do total, 4 milhões tiveram como destinatário final o próprio Eliseu Padilha. Já os 6 milhões de reais restantes foram endereçados a Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Skaf tem boa relação com Marcelo Odebrecht e é apontado como o mentor do jantar entre o empreiteiro e os peemedebistas, do qual não participou. Em 2014, ele disputou o governo de São Paulo pelo PMDB graças ao apoio de Temer. O repasse dos 10 milhões de reais em dinheiro vivo está, segundo o anexo, registrado na contabilidade do setor de operações estruturadas da Odebrecht, também conhecido como “departamento da propina”.

TEMER DESMENTE – Em nota, o presidente interino confirmou o jantar e afirmou que ele e o empresário conversaram “sobre auxílio financeiro da construtora Odebrecht a campanhas eleitorais do PMDB, em absoluto acordo com a legislação eleitoral em vigor e conforme foi depois declarado ao Tribunal Superior Eleitoral”.

Segundo dados do TSE, a Odebrecht repassou 11,3 milhões de reais à direção nacional peemedebista em 2014. Seria a mesma doação? Para evitar fraudes, a Justiça Eleitoral exigia que os recursos doados legalmente pelas empresas fossem depositados na conta do partido. Na delação da empreiteira, os 10 milhões saíram em dinheiro vivo e foram contabilizados em seu “caixa paralelo”.

Temer não esclareceu se foi ele quem pediu a ajuda financeira, conforme relatado à força-tarefa da Lava-Jato, ou se a iniciativa partiu de Marcelo Odebrecht.

PADILHA NEGA – Consultado por Veja, Eliseu Padilha enviou uma nota. Diz: “Lembro que Marcelo Odebrecht ficou de analisar a possibilidade de aportar contribuições de campanha para a conta do PMDB, então presidido pelo presidente Michel Temer”. Padilha negou que tenha recebido os recursos da Odebrecht.

Sua assessoria escreveu: “Como Eliseu Padilha não foi candidato, não pediu nem recebeu ajuda financeira de quem quer que seja para sua eleição”.

Paulo Skaf também declarou que a empreiteira não doou para a sua campanha e que recebeu apenas 200 mil reais da Braskem, petroquímica controlada pela Odebrecht. E a empreiteira não comenta o assunto sob a alegação de que está negociando uma delação premiada e tem o compromisso de manter a confidencialidade.

13 thoughts on “Veja diz que Temer intermediou doação da Odebrecht em dinheiro vivo

  1. Eu só quero saber quando que os partidos políticos devolverão o que roubaram da Petrobrás, dos empréstimos consignados, das estatais, dos fundos de pensão, do erário público …

    Quando?!

    Caso contrário, a Justiça brasileira é só pantomima, teatro, um verdadeiro escárnio à cidadania brasileira, oprimida, explorada, roubada, extorquida, usada e abusada!

  2. A ETERNA TROCA DE PLAQUINHAS …..
    —–
    O prefeito do Rio de Janeiro faz propaganda da obra
    e, pouco tempo depois de inaugurada, ela desaba. Foi
    assim em 1921, quando Carlos Sampaio divulgava a
    construção da gruta da Imprensa, abaixo de onde
    hoje fica a avenida Niemeyer, na capital fluminense.
    Peritos da polícia viram no desabamento “causa
    natural”, por conta das características do terreno
    (além de ser uma encosta, é um local com frequência
    atingido por ondas). Um detalhe: a gruta fica no local exato –exato mesmo–
    onde desabou a ciclovia, em abril deste ano.
    (…)…Em 1915, Lima Barreto, como Inácio Costa, disparava um petardo contra
    parlamentares que brigavam para não perder benefícios financeiros pagos
    pelo Estado.
    Numa crônica em que imagina políticos falando dos cortes, o autor mostra
    um político protestando: “Querem tirar o pão da boca dos meus filhos”.
    E que tal a história do rodolfinho? Era a palavra que servia tanto para
    descrever a propina paga a funcionários públicos quanto um mensalão para
    comprar apoio político. Um sinônimo era a palavra “reservado”.
    “Quando Xandu foi ministro, era fazer-se uma revistinha, era publicar-se um
    jornaleco, estampando-lhe o retrato, (…) e logo o dono (…) recebia das mãos
    dadivosas do grande ministro uma espécie de cheque”, escreve o autor.
    Também já estavam ali os partidos criados sem solidez ideológica, apenas
    para arrumar benefícios. O cronista reclamava que, a cada eleição, as legendas
    fragmentavam-se ao infinito.
    Há ainda o ajuste fiscal que acaba não dá certo pela necessidade de conciliar
    interesses. Em outro texto, Lima Barreto fala de uma repartição pública
    “fictícia” onde o chefe resolveu sanear as fianças. Até receber um bilhete de
    um escalão superior: “Peço-te com todo o empenho colocares aí o meu
    sobrinho Homero”

    http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/08/1799359-ineditos-centenarios-de-lima-barreto-ja-denunciavam-vicios-da-atual-politica.shtml

  3. Parece que o Indio TIMBOCO deu uma flechada no Pato Gigante Amarelo em plena Avenida Paulista……
    A propósito, o paulo skaf não é aquele que é da Turminha que é Contra a Corrupção..???

    “Paulo Skaf também declarou que a empreiteira não doou para a sua campanha e que recebeu apenas 200 mil reais da Braskem, petroquímica controlada pela Odebrecht”””

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