Verdades e mentiras no futebol

Verdades e mentiras

Tostão (O Tempo)

Assim como não foi surpresa mais uma derrota do Atlético, fora de casa, por dois gols de diferença, não será também se o Galo for campeão. Fora, a equipe não joga no estilo Galo Doido, pressionando, nem recua para fechar os espaços, em um estilo mais prudente, mais racional. Havia enormes espaços entre os setores, como nos jogos anteriores, fora de casa.

Existem muitos chavões no futebol que continuam atuais, outros que não têm mais nada a ver com a realidade, e alguns discutíveis. Ao tirar Ronaldinho, que fazia uma péssima partida, Cuca contrariou um dos lugares-comuns, de que o craque do time não deve sair, porque, em um lance, pode decidir a partida.

Um chavão que continua atual, que me parece óbvio, é o de que há várias maneiras de vencer e de perder. Outro é que nem sempre o time que joga bem vence, e o que joga mal perde. Mesmo assim, muitos jornalistas e treinadores adoram achar uma única explicação para os resultados. É o pensamento operatório.

Nessa semana, escutei, mais uma vez, que a seleção jogou bem e ganhou a Copa das Confederações porque Felipão escalou um típico centroavante. O importante não foi ter um típico centroavante, e, sim, um ótimo centroavante, Fred. Muito mais decisivas que o estilo de um jogador e de uma equipe são as virtudes do jogador e da equipe. Depois que passou a ser ameaçado por Jô e criticado, por atuar muito estático, Fred se movimentou mais e fez mais gols. Se continuar assim, será muito melhor.

O Brasil jogou bem e venceu por inúmeros fatores. Se a seleção, mesmo sem Fred, atuasse como nas últimas partidas, sob o comando de Mano Menezes, com Neymar, Hulk, Kaká e Oscar mais adiantados, provavelmente teria jogado bem e vencido.

Todo time precisa de um centroavante, o que não significa que tenha de ser, obrigatoriamente, alto, forte, estático e só para fazer gols. Messi não é um falso centroavante. É o centroavante do Barcelona, por jogar mais adiantado e pelo centro.

DETALHES

Treinadores e jornalistas costumam também dar muita importância a detalhes, fatos, que têm pouca ou nenhuma importância. A moda é dizer que o vestiário é sagrado, uma metáfora da união do grupo, e que há treinadores que dominam e os que não dominam o vestiário. Quando o time vence, o técnico domina. Quando perde, o técnico não domina. Obviamente, é importante a preleção de um treinador, antes de uma partida, que pode ser feita no hotel ou no vestiário.

Outro lugar-comum é dizer que o futebol é simples. Um esporte que depende também do acaso e dos imprevistos não pode ser reduzido a frases feitas, a verdades e mentiras, que servem para um momento e não servem para um outro. O futebol é muito complexo. Nós é que tentamos simplificá-lo, ao querer explicar o inexplicável.

MAIS SUFOCO

Não entendi porque Tardelli jogou muito à frente, e Luan, muito recuado. Para ser um terceiro armador, era melhor Rosinei, desde o início, no lugar de Luan. O esquema do Atlético sempre foi ter um jogador de cada lado (Tardelli e Bernard ou Luan), marcando e atacando.

Raramente é vantajoso, na cobrança de falta, colocar um jogador na linha do gol. Ele atrapalha o goleiro, como aconteceu. Como o chute não foi forte, dava para Victor defender. Nesses lances, como a bola vem alta, não dá para tirar com a cabeça. Na situação do jogo, era melhor Alecsandro ter cometido o pênalti. Victor tinha chances, mais uma vez, de defender. Alecsandro seria expulso, mas é reserva (não jogaria a partida de volta), e o jogo estava no fim. Sei que é difícil pensar em tudo isso no momento da emoção.

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