Vice é um cargo que só serve para conspirar e consumir recursos públicos

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Vice Dornelles tem dois carros oficiais e 28 assessores

Bernardo Mello Franco
O Globo

Na semana em que um príncipe e um astronauta foram cotados para compor chapa presidencial, o historiador Luiz Felipe de Alencastro propôs uma ideia menos exótica: a extinção dos vices. Professor emérito da Sorbonne, ele considera que o cargo ficou “disfuncional” e se tornou uma ameaça à democracia. “A evolução recente das instituições brasileiras demonstrou a nocividade dos vices”, afirma, em ensaio publicado na revista Serrote.

No texto, Alencastro enumera crises e conspirações que envolvem vices desde 1961, quando os militares tentaram impedir a posse de João Goulart. “Com Michel Temer, a vice-presidência gerou um desastre político”, escreve. Ele lembra que o atual presidente assumiu o poder sem votos, depois de “complotar” contra a titular.

DUPLA TRAIÇÃO – “Agindo contra o espírito e a letra da Constituição, Temer arvorou-se o direito de permanecer na vice-presidência depois que seu partido rompeu com o governo”, critica o historiador. Ele define o que veio a seguir como uma “afronta à soberania popular”.

“Essa dupla traição, configurada pela derrubada da presidente e, na sequência, pela introdução de reformas políticas e econômicas contrárias ao programa votado pelos eleitores, caracteriza o impeachment e seus desdobramentos como um golpe parlamentar”.

ÓDIO A DILMA – O argumento do professor costuma ser contestado por brasileiros que, exercendo um direito inalienável, não gostavam da antecessora de Temer. Como eles voltarão à urna em outubro, cabe perguntar se desejam votar num liberal e eleger um comunista, ou escolher um tucano e levar uma raposa do centrão.

São exemplos reais, para não dizer prováveis. Dos últimos cinco vices, três (60%) vestiram a faixa por morte ou afastamento do titular. Para evitar novas reprises da novela, Alencastro propõe uma solução simples, inspirada na França: se a Presidência ficar desocupada, convocam-se novas eleições.

Além de estimular a conspiração, o sistema atual é uma usina de desperdícios. Para sustentá-lo, o contribuinte é obrigado a bancar 5.570 vice-prefeitos e 27 vice-governadores. Todos têm direito a nomear assessores e receber verbas indenizatórias. No Rio, o vice-governador Francisco Dornelles tem à disposição um séquito de 28 servidores e dois carros oficiais.

OUTRO EXOTISMO – O professor Alencastro aponta outro exotismo brasileiro. Enquanto os presidentes americanos despacham de qualquer lugar do mundo, nossos vices vestem a faixa a cada vez que o titular viaja para o exterior. Na era da comunicação instantânea, a exigência parece tão obsoleta quanto um aparelho de telex.

Na terça-feira, Temer voou para o México e seus substitutos tiveram que fugir do país para não ficarem inelegíveis. O deputado Rodrigo Maia levou a família à Disney, e o senador Eunício Oliveira foi fazer compras em Miami. Ficou no Planalto a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal. A juíza nunca recebeu um voto, mas já assumiu a cadeira quatro vezes desde abril.

14 thoughts on “Vice é um cargo que só serve para conspirar e consumir recursos públicos

  1. A palava maldita “golpe parlamentar” ganhou abertura na TI….

    falta pouco para fazer igual a Cantanhêde e jogar a toalha admitindo que o lulismo já esta no 2o turno. A dúvida seria com quem: Bolsonaro ou Alckmin?

    Os antilulistas estão se enforcando com a propria corda que tentaram usar conta Lula.

    • Disseste bem, o Carlos Newton foi coaptado pelo Lulismo. Agora, não vai ter golpe, e o Lula vai continuar preso até cumprir a pena. O PT pode até eleger o presidente afinal, somos um país de analfabetos e analfabetos funcionais como decorrência dos 14 anos de um partido sem escrúpulos no poder, mais não vai ser o Lulla.

    • Por falar em golpe, recentemente noticiaram que o Toffoli, o garoto de ouro do PT, recebe 100 mil por mês da mulher, Meu ponto é o seguinte: como se faz para ser incompetente, ser nomeado juiz do STF e ganhar 100 mil da mulher? Se souberem, me avisem. PT saudações.

    • O único antilulismo é o da desilusão com a corrupção do lulismo no poder e a traição de tudo que partido dizia no passado. Digo isso na condição de quem votou no Lula desde o 2ª turno de 1989. O resto é bobagem,e se quando você fala de antilulismo pensa em Temer, PSDB, etc., esqueça. Pode crer que numa volta triunfal do PT ao poder, todo o séquito de Temer, e eventualmente o próprio, irão ocupar altos cargos, afinal será preciso assegurar a ‘governabilidade”…

  2. COMO É DO ESTADO, $$$$$ A PERDER DE VISTA, NINGUÉM TOMANDO CONTA, POR QUE NÃO 28 ASSESSORES OU 52 SECRETÁRIAS OU 26 MOTORISTAS? HÁ DINHEIRO DE MAIS, SE FALTAR AUMENTAM OS IMPOSTOS — nas repartições públicas se precisam de 4 porteiros, contratam 25, nos restaurantes (propriedade privada) se precisam de 7 garçons eles contratam 5 == (entra governo, sai governo, sempre a mesma coisa)

  3. O petista Mello Franco, poderia até ter escrito um bom artigo, mas como o motivo, mais uma vez, era dizer que o Temer foi eleito sem votos, quando foi o PMDB, como o partido se chamava na época, que elegeu a Dilma, a qual não tinha votos para ganhar a eleição. E, como qualquer jornalista que põe a ideologia na frente da verdade, escreve as suas mentiras. Ele votou no Temer.

  4. Poxa…
    Que decepção.
    Até o brilhante jornalista Bernado Mello Franco, insiste neste modismo de chamar um cidadão da República de príncipe?
    O Império e seus títulos de nobreza foram extintos. Deve, inclusive, haver tipificação de crime contra a República e seus Valores, a apologia aos valores das extintas monarquia e Império.
    Deixem os mortos em paz.

  5. Luis Felipe de Alencar.confirma o wue Nelsol Rodrigues imortalizou: “O brasileiro tem espírito de vira-latas”. Em vez de sugerir aperfeiçoamento em nossas leis ele quer que usemos leis americanas. Quer mudar as leis sem mudar as pessoas. Se as leis do TSE fossem draconianas, melhorariamos muito. (O TSF condena um senador bandido, bandido mesmo e o senado depois de quatro anos ainda não confirmou a pena). E o TSE não tossiu e nem mugiu. Os nosos intelectuais são agora Teleintelectuais.

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