Vida que segue


Sylo Costa

Seria a vida uma mesmice definitiva? Parece… Basta pensar um pouco. Mas é melhor não pensar, deixar a vida nos levar, como canta o Zeca. Eu não aguento mais essa coisa de corrupção, mensalão, padrão Fifa, Sarney, Dirceu, ex-Luiz, prévia do PSDB, crise no balanço de pagamentos e, agora, até a ocupação cubana, sem disfarce e atrevimento de um desgoverno chefiado por motorista de carrinho de rolimã nas ruas de BH quando adolescente, guerrilheira quando jovem e motoqueira quando presidente. Que país é este, Francelino?

Há poucos dias, o ministro Mantega, da Fazenda, disse que quem reclama da alta do dólar esquece que isso é uma oportunidade para que os exportadores ganhem dinheiro. É mesmo, e também para os importadores entrarem pelo cano.

Dona Dilma sabe o cano em que entrou com a aprovação pelo Congresso do tal Orçamento Impositivo. Simplesmente perdeu sua melhor moeda de troca. Conheço deputados que passaram a vida exercendo mandatos e nunca conseguiram liberar nada das tais emendas parlamentares. Quem? Todos aqueles que não aceitam o regime do toma lá da cá. Na verdade, pouca gente.

PELO TELEFONE…

Era noite, e o telefone tocou: “Ô Sylo, o que você tem contra o Lula?” “Nada e tudo. Quem está falando?” “Aqui é o Irineu.” “De onde?” “De Frei…” “Frei?” “É, Frei Lagonegro.” “Onde fica esse lugar?” “Minas, uai, você não conhece?” “Não conheço o lugar, mas já ouvi falar…” “Falar o quê?” “Bem, não foi só falar: quando eu era conselheiro do Tribunal de Contas, fui relator das contas do governo do Estado e fiquei impressionado com seu município, que, naquele ano, havia arrecadado de ISS e IPTU apenas R$ 7.” “O que é isso?” “São impostos de arrecadação municipal. O seu município é um daqueles entre os nossos 853 existentes que não deveriam ter sido emancipados e que, em consequência dessa irresponsabilidade dos legisladores estaduais, sobrevivem apenas com o Fundo de Participação dos Municípios. Tudo isso faz parte dessa complexa bagunça do Estado Brasileiro.”

“Mas tô telefonando pra saber o que você tem contra o Lula. É que sou eleitor dele e fui apresentado a ele pelo Chico Buarque.” “É mesmo? Eu também gosto do Chico.” “E do Lula?” “Do Lula, não. Então você conhece o Chico…” “Conheço mais ou menos, mas sei quase todas as músicas dele e adoro aquela que diz assim: ‘É pau, é pedra, é o fim do caminho…’” “Irineu, essa não é do Chico, é do Tom Jobim…” “Mas eu sou fissurado é no Chico, amo de paixão!” “Sua voz… Você é bicha, Irineu?” “Eu, não! Só porque eu gosto dele você acha que eu sou bicha?” “Eu não acho nada, estou só perguntando, está na moda.” “Ah, você tem preconceito…” “Não sei, acho que não, mas eu não sei tudo de mim, e cada um que viva como quiser. Não suporto é frescura, chiliques…” “Sei… Você tem preconceito contra o Lula?” “Não, tenho conceito e só intolerância.” “Você disse só…” “É, eu disse.” “Quem sabe um dia a gente se topa por aí, nas quebradas?” “Claro, pode ser. Afinal, o mundo tem fama de redondo.” (transcrito de O Tempo)

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