Violadores da receita; criminosos e estpidos

Pedro do Coutto

Os funcionrios da Receita Federal que, na base de dados da cidade paulista de Mau, violaram as declaraes de Imposto de Renda e patrimnio do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, de Luiz Carlos Mendona de Barros, ex-ministro de FHC, de Ricardo Srgio de Oliveira, diretor do Banco do Brasil, e do empresrio Gregrio Marin Preciado, casado com uma parente de Jos Serra, alm de terem praticado um crime, e portanto serem criminosos, so essencialmente estpidos. Cometeram uma burrice sem tamanho.

Querendo prejudicar a candidatura do ex-governador paulista, desnecessariamente, pois esta vem declinando sem cessar, enveredaram pelo perigosssimo caminho de imaginar um lance para agradar o presidente Lula, a candidata Dilma Rousseff eao PT. So os aloprados verso 2010. A experincia de fabricar dossis j fracassou seguidas vezes. A comear pela campanha de Mercadante para governador de So Paulo em 2006, derrotado amplamente pelo mesmo Jos Serra de agora.

H muitos outros na histria do Brasil. Para no alongar a relao, cito a Carta Brandi, falsa, divulgada por Carlos Lacerda na vspera das eleies presidenciais em 55, e o falso manifesto comunista que uma quadrilha de mercenrios, da qual faziam parte jornalistas sem escrpulos. Foi lanado na campanha eleitoral de 65 pelo governo da Guanabara, publicado pelo Jornal do Brasil e arrasado por reportagem de O Globo que apoiava Negro de Lima contra Flexa Ribeiro, candidato de Lacerda, ento governador.

Fracasso em cima de fracasso. As tentativas de falsificao sempre revertem em favor da vtima do crime. A violao dos dados da Secretaria da Receita Federal contra Serra explodiu dentro de si mesma. Portanto implodiu. E os bajuladores de sempre, na nsia de mostrar e carregar as malas dos poderosos do dia para geralmente fazer negcios em seus nomes amanh, arruinaram-se. Querendo se aproximar, terminaram expulsos da periferia do poder. Tentavam com o lance penetrar na fortaleza. Foram lanados ao prprio crepsculo. Acontece permanentemente isso, pois nada pior do que a incompetncia, a falta de sensibilidade poltica, a estupidez, e, ainda por cima, a burrice.

Burrice sim. Porque todos os que possuem um mnimo de percepo e inteligncia sabem muito bem que os grandes negcios, as grandes tacadas, como por exemplo o depsito de 442 milhes de dlares na conta de Paulo Maluf na agncia do Citibank na Ilha Jersey, Canal da Mancha, no esto no Imposto de Renda. Intil procurar a. No vai aparecer nada.

Somas estratosfricas encontram-se depositadas em bancos internacionais fora do pas. Mas como descobri-las e seus saldos de tantas cifras? Impossvel. Somente surgem tona quando ocorre uma contradio entre o titular da conta e o estabelecimento bancrio. O segredo quase total. J se admitiu que existem depsitos em algumas milhares de contas l fora cujo montante ultrapassa a casa dos 200 bilhes de dlares. So saldos em dlares ou euros, valores monetrios padres, que alm do cmbio, oferecem pequenos juros anuais. No esto no Brasil. Esto longe do binculo da SRF.
Se algum tentar saber os saldos no vai conseguir, claro. Mas o nico caminho o Banco Central, no a Fazenda. Por qu? Simplesmente porque, teoricamente, com base na resoluo 3854, publicada no Dirio Oficial de 28 de maio de 2010, pgina 147 para facilitar, todos os que possuem dinheiro e bens no exterior tm que informar ao BACEN. Pelo menos o que est no papel. Um segredo. E como na cano, segredo pra quatro paredes.

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