Violência em Israel é retrato de um país tensionado por anos do populismo de Netanyahu

Binyamin Netanyahu amarrou o futuro de Israel a seu destino pessoal

Mathias Alencastro
Folha

As cenas de violência em Jerusalém, com cidadãos árabes israelenses sendo impedidos de circular pelas autoridades, manifestantes palestinos e policiais entrando em confronto dentro da mesquita de Al-Aqsa, e movimentos racistas desfilando livremente pelas ruas, são o retrato de um país tensionado ao extremo por anos de populismo.

Encurralado entre as negociações pós-eleitorais do campo conservador e os seus incontáveis rolos judiciais, Binyamin Netanyahu recorreu à velha estratégia de se omitir para depois se posicionar como o único anteparo ao caos.

RAMADÃ EXPLOSIVO – A convergência de eleições na Palestina, de decisões judiciais sobre as expulsões de palestinos em Sheikh Jarrah, um bairro de Jerusalém Oriental, e o nervosismo inerente à pandemia tinham tudo para tornar o ramadã deste ano particularmente explosivo.

Netanyahu, que apesar do discurso pirômano nunca abdicou de sua promessa fundadora de impedir a todo o custo uma nova Intifada, desapareceu do espaço público para dar um aperitivo de como seria Israel sem a sua liderança. Agora, ele opera para o seu rival Naftali Bennett fracassar na tentativa de formar um novo governo e mergulhar o país na quarta eleição em dois anos.

Esse ciclo de autodestruição da política israelense é a maior obra de Netanyahu. No poder desde 2009, ele massacrou a democracia israelense para salvar a sua dinastia política.

META DE RADICALIZAÇÃO – À imagem de um Alberto Fujimori, Netanyahu radicalizou a sociedade estimulando a entrada de movimentos extremistas no Parlamento, minou a legitimidade do sistema partidário saturando a população com uma sucessão de processos eleitorais e sequestrou o poder público para se salvar das investigações judiciais.

A transformação de Israel sob Netanyahu também teve implicações profundas na sua inserção internacional. Duas semanas atrás, a Human Rights Watch afirmou, numa decisiva mudança de paradigma, que a política do governo de “dominação de judeus israelenses sobre palestinos” constitui um crime contra a humanidade de Apartheid e perseguição. Essa reviravolta sinaliza uma mudança de rumo nas relações entre as potências ocidentais e Israel.

A ONU subiu o tom com o aviso sobre um possível “crime de guerra” nas expulsões de Sheikh Jarrah, e a administração Biden parece aguardar ansiosamente pela derrocada de Netanyahu para elencar a sua nova política para o Oriente Médio.

PROBLEMAS COM OS ALIADOS – Mas o eterno premiê, ciente de que a deriva autoritária poderia criar problemas com os aliados do Atlântico Norte, já tomou todas as precauções para consolidar as conquistas diplomáticas obtidas na era Trump.

Nos últimos anos, Israel, completamente dependente dos Estados Unidos no quesito militar, operou um ousado e bem-sucedido realinhamento da sua política externa, caracterizado pela expansão da sua zona de influência na África e pela aproximação com as autocracias dos Emirados Árabes Unidos.

Para se perpetuar no poder, Netanyahu amarrou o futuro de Israel ao seu destino pessoal. ​

12 thoughts on “Violência em Israel é retrato de um país tensionado por anos do populismo de Netanyahu

  1. Tudo por conta da Maldita da Reeleição.
    Uma atrás da outra.
    Está pior que Corruptola dos times de futebol, entram “pobres” de dar dó e ficam 20,30,40 anos, deixam o clube velhos e “podres” de ricos…

  2. Boa noite , leitores(as):

    Acontece que os norte-americanos , israelenses e alguns países-membros ou não da Otan despejaram e continuam despejando toneladas e toneladas de bombas c/as mais diferentes composições químicas , biológicas e bacteriológicas em vários países do Oriente Médio e da África contaminando seus povos , com consequente ” EXODO E DESLOCAMENTO ” dos mesmos , para vários países ” EUROPEUS ” e do mundo , portanto c/toda certeza esses povos / vítimas sobreviventes e contaminados conseguiram sair de seus países destruídos e disseminar as consequências da destruição de seus países pelo mundo afora , essa é uma possibilidade á ser considerada , vejam o que os Israelenses fazem ” FAIXA DE GAZA ” , a transformaram em verdadeiro campo de testes de seus armamentos , enquanto que os ” PALESTINOS ” , foram transformados em suas cobaias e impulsionadores de campanhas políticas eleitorais em Israel , por isso em todo e quaisquer período pré – eleitoral , os Israelenses sempre forçam e provocam um ” INCIDENTE ” contra os Palestinos , como esta acontecendo agora , isso é público e notório .

    • Atualmente, travando uma guerra nos moldes “convencionais”, os norte-americanos podem destruir uma nação, insidiosamente, e sem gerar grandes impactos na comunidade internacional. Mísseis antitanques, com núcleo de urânio empobrecido ou exaurido, ao se chocarem com seus alvos (tanque de guerra) disseminam partículas radioativas pelo ambiente, cenário da batalha. Vários militares italianos, servindo a ONU, na IUGOSLÁVIA foram acometidos de leucemia.
      https://istoe.com.br/41966_SINDROME+DOS+BALCAS/

    • Os norte-americanos são cruéis para com as nações que tentam livrar-se das multinacionais e/ou base militares deles. Não logrando êxito, esgotadas todas as manobras para enraizarem, os bandidos estadunidenses se retiram. Mas, antes, eles contaminam o solo e subsolo do país hospedeiro com materiais radioativos, venenos, bactérias etc.
      Outro tipo de sabotagem das abóboras do Tio Sam: se a empresas aqui for do setor automobilístico, ela passa a produzir veículos e, paripasso, deflagrar uma campanha sutil para destruir qualquer iniciativa nacional, de independência nesse segmento: se surgir uma empresa doméstica para produzir carro e/ou componentes, os gringos partem para comprá-la. Se for pensado qualquer programa que vá inibir a venda dos itens produzidos pela empresa ianque, logo será alvo de torpedeio. Um caso típico foi a campanha contra o projeto Calha-Norte: uma linha férrea dessa invergadura seria um desfalque enorme à indústria de automotores.
      Essas são táticas tão manjadas quanto o drible do Garrincha, ainda assim, os marcadores se deixavam enganar todas as vezes: Sempre que Empresas ou Tropas Estadunidenses são convidadas a baterem em retirada de um país, onde estão instalados, doenças estranhas começam a surgir e eliminar os moradores residentes na área desocupada pelos invasores indesejáveis!
      https://br.sputniknews.com/americas/2020091916096528-guerra-suja-da-chevron-para-encobrir-chernobyl-da-amazonia/

  3. Caramba, Pinda, sensacional o depoimento do Rabino Weiss. Os radicais adoram o conflito, os israelenses com sua prepotência e suprermacia militar, e são capazes até de eliminar os pacifistas. è um conflito permanente, sem fim, e com o Netaniahu no poder a situação piora. Grosso modo, se comportam como os nazistas.

  4. Bibi conseguiu fazer Israel ficar igual aos seus vizinhos, ditaduras pois ele é um verdadeiro ditador. A falta de alternância no Poder, a influência cada vez mais nefasta dos partidos religiosos, extremistas ao extremo, acabou com a democracia em Israel, ou quase isto. Hoje Israel já não pode mais se gabar de ser a “única” democracia no Oriente Médio, Bibi tratou de solapá-la .

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