Vítimas da ditadura pedem direito de resposta após homenagem da Secom de Bolsonaro ao “Major Curió”

Militar foi um dos agentes de repressão da ditadura militar

Paulo Roberto Netto
Estadão

Um grupo de seis mulheres que foram vítimas ou tiveram parentes que sofreram durante a ditadura militar apresentou ação por direito de resposta a Secretaria Especial de Comunicação (Secom), que classificou como ‘herói do Brasil’ o tenente-coronel da reserva Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o ‘Major Curió’, de 85 anos. O militar foi um dos agentes de repressão da ditadura militar que atuou no combate à Guerrilha do Araguaia, no sudoeste paraense, nos anos 1970.

Assinam o pedido Laura Petit da Silva, Tatiana Merlino, Angela Mendes de Almeida, Maria Amélia de Almeida Teles, Criméria Alice Schmidt de Almeida e Suzana Lisboa. Todas elas foram reconhecidas como vítimas ou familiares de vítimas do regime militar pela Comissão Nacional da Verdade, em 2014.

DESCUMPRIMENTO – As mulheres afirmam que o governo brasileiro descumpriu diversos tratados e jurisprudências internacionais, citando, como exemplo, a condenação da Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso da Guerrilha do Araguaia. O órgão, inclusive, foi acionado pelo Instituto Vladimir Herzog na semana passada pela mesma públicação.

“É indignante que um Presidente da República autorize e estimule a comemoração de torturas e mortes perpetradas no Brasil. Isso é um ultraje às vítimas e a democracia no país, além de ser uma vergonha perante a comunidade internacional sem precedentes”, afirmou Laura Petit da Silva.

VIOLAÇÃO – O pedido cobra que a Secom publique em sete dias, em seus perfis nas redes sociais, a seguinte resposta: “O governo brasileiro, na atuação contra a guerrilha do Araguaia, violou os Direitos Humanos, praticou torturas e homicídios, sendo condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos por tais fatos. Um dos participantes destas violações foi o Major Curió e, portanto, nunca poderá ser chamado de herói. A SECOM retifica a divulgação ilegal que fez sobre o tema, em respeito ao direito à verdade e à memória”.

O grupo de mulheres está sendo representado pelo Coletivo de Advocacia em Direitos Humanos (CADHu). Na semana passada, a publicação da Secom sobre Curió levou o Instituto Vladimir Herzog, o Núcleo de Preservação da Memória Política e o PSOL a denunciarem o governo brasileiro perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos.

INFORMAÇÕES FALSAS – As duas entidades e o partido afirmam que a gestão Bolsonaro violou condenação imposta pelo órgão internacional e tem ‘promovido novas violações ao direito à verdade ao difundir informações falsas’ sobre a Guerrilha do Araguaia, e a própria ditadura militar.

Recebido no Palácio do Planalto pelo presidente Jair Bolsonaro, Curió é um dos 377 agentes do Estado brasileiro que praticaram crimes contra os direitos humanos. O militar ‘esteve no comando de operações em que guerrilheiros do Araguaia foram capturados, conduzidos a centros clandestinos de tortura, executados e desapareceram’, segundo o relatório da Comissão Nacional da Verdade de 2014.

CRIMES – Curió também foi denunciado no Brasil por crimes cometidos durante a ditadura, ainda em 2012. Outras cinco denúncias conexas foram feitas, incluindo crimes como sequestro, assassinato e ocultação de cadáver.

As últimas três foram apresentadas em dezembro de 2019. Curió, assim como outros militares denunciados, tentam enquadrar as acusações na Lei da Anistia, que garante o arquivamento deste tipo de denúncia.

8 thoughts on “Vítimas da ditadura pedem direito de resposta após homenagem da Secom de Bolsonaro ao “Major Curió”

  1. A mensagem é de Maurice Obstfeld, ex-economista-chefe do FMI. Obstfeld aponta que a atitude de JB pode leva a uma segunda onda de infecção ou até a um confinamento mais severo no futuro.

    O mundo está aprendendo com o vexame brasileiro (por causa de JB).

    “Bolsonaro fará país pagar caro”

    Para Obstfeld, ex-economista-chefe do FMI, atitude do presidente pode levar a uma segunda onda de infecção ou a um confinamento mais severo à frente

    https://valor.globo.com/impresso/noticia/2020/05/11/bolsonaro-fara-pais-pagar-caro.ghtml

  2. Compensou e muito, ser “guerreiro da democracia e liberdade” no Araguaia, quem ficou vivo, seus dependentes e cônjuges, regiamente indenizados, pensões idem, as custas do trabalhador brasileiro.Omitem fato histórico importantíssimo: queriam a todo custo, derrotar a ditadura militar para implantação do proletariado, copiando fielmente Cuba,Não esquecendo do bravo Genú, aquele que dedurou os companheiros sem levar um tapa, determinado sindicalista X9, protegido por Tuma, comendo balas Juquinha sorrateiramente, durante greve de fome no Dops, chegado em cabrita no barranco, com sua bravata:divertia-se sexualmente com exímio atirador, hoje professor da FGV, quantas recordações, e Zeca, o valentão da Maria Antônia, que perambulava com um 32 enferrujado, canela seca, cirurgia plástica, anos clandestino no Brasil, esposa e mãe de seu filho, sem conhecimento de sua verdadeira identidade? Só herói!

  3. Está escrito que ““O governo brasileiro, na atuação contra a guerrilha do Araguaia, violou os Direitos Humanos, …”.

    Parece até que a guerrilha respeitou os decantados “Direitos Humanos” … aliás, foram assassinados friamente várias pessoas que queriam desistir da aventura armada.

    Brasil é o país das “fakes” …

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