Vitória ampla de Arthur Virgilio abafa mais uma tentativa de fraude em Manaus

Alexandre Farah

Os mais de 20 pontos percentuais que separaram o candidato Arthur Virgílio Neto da senadora Vanezza Graziotin, na eleição para a Prefeitura de Manaus, impediram a concretização de mais uma fraude eleitoral, semelhante à que levou a parlamentar do PCdoB ao Senado em 2010, quando a pequena diferença de votos entre os dois candidatos facilitou o anúncio pelo TRE do Amazonas de um dos mais vergonhosos resultados eleitorais que se tem notícia.

Vanessa acusada de fraude

Agora em 2012 os dois, Arthur e Vanessa, voltam a se enfrentar, desta vez na eleição para a Prefeitura de Manaus. E uma nova fraude estava sendo armada, com a suspeitíssima colaboração do Ibope, que a poucos dias do pleito afirmava que havia um empate, ambos com 29% das intenções de votos, e na véspera da eleição anunciou que Artur Virgílio tinha 31% e Vanessa 29%, um empate técnico, já que a diferença estava dentro da margem de erro da pesquisa.

Não é admissível que um instituto de pesquisa de alcance nacional como o Ibope erre tão grosseiramente numa capital onde o número de eleitores é bem menor que Rio e São Paulo, por exemplo, só para citar dois centros muito maiores, nos quais aferir a vontade do eleitor é bem mais complicado. E nesses centros o Ibope acertou.

Arthur Virgílio tinha certeza de que uma fraude estava para acontecer, pois recebia periodicamente pesquisa do Instituto Perspectiva, regional mas sério, que lhe dava uma vantagem sempre superior a dez pontos percentuais. Só o Ibope insistia em afirmar que os dois candidatos estavam tecnicamente empatados. Seria o Ibope incompetente a esse ponto ou errava de propósito para dar respaldo a uma fraude?

As urnas falaram mais alto e Artur Virgílio, desta vez, não venceu no primeiro turno mas abriu uma frente tal que seria vergonhoso demais tentarem mudar o resultado do pleito e dar a vitória à parlamentar fraudadora. O candidato do PSDB agora é favorito e deve vencer o segundo turno, apesar do apoio do ex-presidente Lula e da presidente Dilma à candidata do PCdoB, partido da base governista em Brasília.

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Arthur Virgílio Neto já disse que considera democrático o apoio das duas maiores lideranças petistas à candidata Vanessa. E assegura que, se eleito, terá um relacionamento respeitoso e republicano com Dilma. Afinal de contas, esta é uma obrigação de governadores e prefeitos e a presidente vem estimulando esse convívio fraterno.

Mas é bom lembrar que Lula e Dilma apoiaram abertamente a candidata Vanessa no primeiro turno e ela chegou mais de 20 pontos percentuais atrás de Arthur Virgílio. Isso significa que o eleitorado de Manaus, embora fiel ao ex-presidente Lula, sabe que a parlamentar fraudadora não reúne condições morais e administrativas para ocupar o mais alto cargo do município. Logo, o mais provável é que a população confirme o voto em Arthur Virgílio, que inclusive deve receber o apoio de outros candidatos que disputaram a eleição e não chegaram ao segundo turno.

Dizem que castigo vem a cavalo. Em Manaus virá certamente montado num peixe boi. O Tribunal Superior Eleitoral deve julgar brevemente a ação contra a fraude que elegeu Vanessa para o Senado. E tudo indica que ela perderá o mandato. Como também vai perder a eleição para a Prefeitura, ficará sem nada e ainda inelegível por oito anos. Isso é o que se espera no Brasil de hoje, onde a corrupção – eleitoral ou não – começa a ser denunciada e efetivamente combatida.

Vanessa Graziotin se acostumou com a fraude. O usos do cachimbo faz a boca torta. Só que desta vez a tentativa não deu certo. É lamentável que uma parlamentar do PCdoB aja desta forma. Ela desrespeita os companheiros que lutaram, foram presos, torturados e morreram no Araguaia tentando transformar o Brasil numa nação justa e democrática.

A tentativa de fraude em Manaus não pode ficar impune. O Tribunal Regional Eleitoral tem a obrigação de investigar a fundo, identificar e processar todos os envolvidos, não importa se conseguiram ou não executar o que planejaram. E caberá ao presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, explicar como o instituto errou tão grosseiramente em Manaus, sob pena de ser suspeito de participação no plano para fraudar as eleições no Amazonas.

Alexandre Farah é advogado

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