Vivemos numa poca em que fazer poltica no passa de uma estratgia de marketing

Carlos Newton

O mundo gira e as coisas vo se modificando. Uma das novidades a mudana na prtica poltica. No tempo do presidente Washington Luiz, governar era abrir estradas. Hoje, deveria ser investir em infraestrutura (energia, transporte e telecomunicaes), para reduzir o chamado Custo Brasil e pavimentar nosso caminho rumo ao inevitvel desenvolvimento.

Mas o que vemos? Ao que parece, governar hoje no passa de colocar em prtica ardilosas estratgicas de marketing, simulando realizaes e enganando o respeitvel pblico, que em sua esmagadora maioria no se preocupa com poltica, est mais ligado em futebol, computador e novelas de televiso.

Um bom exemplo a matria do Estado sobre poltica de segurana pblica, que oportunamente nos foi enviada pelo comentarista Carlo Germani. A reportagem mostra que o governo suspendeu, por tempo indeterminado, a elaborao de um plano de articulao nacional para a reduo de homicdios, um dos pilares da poltica de segurana pblica anunciada pelo ministro da Justia, Jos Eduardo Cardozo, no incio do governo Dilma Rousseff.

A deciso surpreendeu e irritou integrantes do Conselho Nacional de Segurana Pblica, que acompanham a escalada da violncia no pas. O Brasil o pas com o maior ndice de homicdios do mundo em termos absolutos quase 50 mil por ano, 137 por dia e o sexto quando o nmero de assassinatos anuais comparado ao tamanho da populao.

Em janeiro, ainda embalado pelo ritmo da campanha eleitoral (tambm toda calcada em marketing), Cardozo anunciou que buscaria um pacto com os governadores, inclusive com os oposicionistas, para preparar um grande plano de combate violncia. Em maio, depois de longos meses de discusses, um representante da Secretaria Nacional de Segurana Pblica chegou a apresentar o esboo do plano.

A proposta seria enviada ao Palcio do Planalto e, depois, anunciada formalmente como o plano do governo federal para auxiliar governos estaduais a reduzirem crimes de sangue. No entanto, depois de passar pela Casa Civil, o plano foi discretamente engavetado.

Ficamos sabendo que Dilma mandou devolver o plano porque a reduo de homicdios papel dos estados e no do governo federal. Consideramos isso um retrocesso e estamos cobrando que o governo apresente sua estratgia de enfrentamento da violncia afirma Alexandre Ciconello, que representa no Conselho Nacional de Segurana Pblica o Instituto de Estudos Socioeconmicos.

Segundo ele, a equipe de Cardozo suspendeu at mesmo as discusses sobre o Programa Nacional de Segurana Pblica com Cidadania. Lanado em 2008 pelo ento presidente Luiz Incio Lula da Silva, o programa reunia quase 100 diferentes aes com um objetivo central: reduzir o ndice de homicdios no Brasil de algo em torno de 26 por 100 mil habitantes para 14 por 100 mil em 2012.

Traduzindo: nada disso era para valer. So projetos virtuais, feitos apenas para constar, exatamente iguais ao combate criminalidade no Estado do Rio de Janeiro, que serve como exemplo nacional. As estatsticas no Rio de Janeiro so flagrantemente manipuladas, isso j est mais do que comprovado. A polcia no consegue resolver nem 10% dos casos de homicdios, s prendendo o criminoso quando ele denunciado.

Praticamente no existe polcia investigativa. As delegacias se limitam a registrar as ocorrncias. Os crimes somente so investigados quando envolvem alguma personalidade famosa e saem no jornal. Esta a realidade que todos conhecem. Justamente por isso, a maioria das vtimas nem se d ao trabalho de prestar queixa. S o faz quando obrigada, para receber seguro ou justificar falta ao trabalho, coisas assim.

Na poltica de hoje, tudo virtual. O importante no quem governa, mas quem faz o marketing, produzindo factides (pseudos fatos), especialidade em que oex-prefeito Cesar Maia era insupervel.

E como que as coisas funcionam, nessa situao? Ora, s lembrar o velho ditado, j popular aqui no Blog: O Brasil cresce de noite, quando os governantes e polticos esto dormindo e no podem atrapalhar. Basta ver o exemplo da Blgica 15 meses sem governo constitudo, tudo funcionando e o pas crescendo.

A surge uma boa idia: por que no ter polticos apenas virtuais? No h dvida de que seriam muito melhores do que esse pessoal que hoje milita no ramo.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.