“Viver não dói, o que dói é o tempo”, ensina o poeta Emílio Moura

Emílio Moura, desenhando um retrato do escritor Cyro dos Anjos

O jornalista, professor, pintor e poeta mineiro Emílio Guimarães Moura (1902-1971), no poema “Canção”, afirma que viver não dói, o que dói é o tempo. E assinala que a vida que não se vive também causa dor.

CANÇÃO
Emílio Moura

Viver não dói. O que dói
é a vida que se não vive.
Tanto mais bela sonhada,
quanto mais triste perdida.

Viver não dói. O que dói
é o tempo, essa força onírica
em que se criam os mitos
que o próprio tempo devora.

Viver não dói. O que dói
é essa estranha lucidez,
misto de fome e de sede
com que tudo devoramos.

Viver não dói. O que dói,
ferindo fundo, ferindo,
é a distância infinita
entre a vida que se pensa
e o pensamento vivido.
Que tudo o mais é perdido

                   (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

7 thoughts on ““Viver não dói, o que dói é o tempo”, ensina o poeta Emílio Moura

  1. UMA RÉPLICA E HOMENAGEM À CANÇÃO DE EMÍLIO MOURA

    DESEJOS RECÔNDITOS

    EDNEI JOSÉ DUTRA DE FREITAS

    A vida que não se vive
    É a que perde a esperança,
    Que nascem nos sonhos que tive
    E a realidade nunca alcança.

    A força que cria os mitos
    E que os mitos devora
    Dissipa-se nos projetos desditos
    Que experimento vida afora.

    De que vale a lucidez,
    Quando a vida perde o sentido
    Com o tempo que nos rouba de vez
    Nosso anseios mais bonitos ?

    A distância infinita que há
    Entre os desejos profundos
    Que o Ego não alcançará
    É o tempo que temos no mundo !

    Rio de Janeiro, 11 de agosto de 2016

  2. Viver, quase sempre dói. Ninguém passa pela vida em “brancas nuvens”, sem tê-la vivido, com dor, esperança, felicidade, um pouco de tudo, enfim.
    Doi viver com petralhas como Lindbergh Faria e sua turma. Dói esperar até 23 de agosto por mais uma sessão de impeachment (haja, tantas já aconteceram e vem mais); dói não ver seus sonhos realizados. Quer dizer viver não dói o tempo todo, mas dói quase sempre.

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