Voos insensatos podem atrapalhar a meta do plebiscito

Pedro do Coutto

Reportagem de Márcio Falcão e Fernanda Odila, Folha de São Paulo de quinta-feira, focaliza as dificuldades partidárias com que o governo está se defrontando para realizar um plebiscito sobre reforma política ainda este ano. Apenas PT e PC do B apoiam a iniciativa da presidente Dilma Rousseff e uma parte do PDT. O líder do PMDB, Eduardo Cunha, sustenta que o partido vai procurar mostrar ao PT não existir tempo hábil para aprovação da matéria. Além disso, como já acentuamos, o conteúdo é complexo, incluindo alternativas diversas e, portanto, de difícil compreensão por parte da maioria do eleitorado.

O tema, ao que parece, não se mostra oportuno. Ainda mais agora depois dos voos dos presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e do Senado, Renan Calheiros, que requisitaram aviões da FAB para se deslocar,  o primeiro de Natal ao Rio de Janeiro, o segundo de Brasília a Salvador para assistir a um casamento. O presidente da Câmara reconheceu o erro publicamente e se dispôs a pagar a respectiva despesa.

Mas como o eleitorado reagirá diante de fatos assim?  Minha mulher colocou uma questão importante: enquanto milhões de pessoas diariamente em todo o país enfrentam grandes dificuldades em ônibus, trens e metros, pagando a passagem, os presidentes da Câmara e do Senado, as duas Casas do Congresso que inclusive vão decidir sobre o plebiscito, requisitam aviões para voos especiais. Voos da insensatez, colidindo com a voz das ruas que pretendem representar. Renan Calheiros, no Senado, é autor do projeto de passe livre para estudantes. O momento não poderia ser pior e mais inadequado para tais mordomias.

A FORÇA DO MOVIMENTO

Mesmo assim se praticassem no auge dos protestos populares e de uma mobilização que não dá sinais de se retrair, alimentada pelas redes sociais da Internet. A força do movimento, inclusive reside exatamente neste ponto. Não é articulado, tampouco segue lideranças definidas. Tanto assim que se trata de um movimento nacional. E espontâneo, impulsionado pela indignação. Ninguém poderia ser o responsável pela articulação, pois ele reside na emoção de todos os que protestam, amparados pela razão de  desejar um país melhor m mais justo. Exatamente o oposto do exemplo de mordomias, tanto indesejáveis, como sobretudo inoportunas.

A questão do plebiscito, vale frisar, não se esgota apenas em sua realização este ano ou não. Nada disso. Ao contrário. Estende-se aos resultados que apresentar. E este ponto não foi considerado pelos políticos voadores. Nem está entrando nas cogitações dos adeptos de sua convocação quase imediata. O período é de  crise. Paulo Celso Pereira e Luiza Damé, O Globo também na edição de quinta-feira, ressaltou o grau de insatisfação ao revelar o clima que passou a envolver o PMDB depois da reunião realizada esta semana com a presença do vice Michel Temer.

Uma corrente partidária, insatisfeita com o governo, propõe colocar no plebiscito uma pergunta sobre o número de ministérios do governo Dilma Rousseff. Paralelamente sugere sua redução para cortar despesas públicas. A colocação do tema é sensível. Pois se lançado à apreciação popular evidentemente a resposta será a diminuição. Um exemplo principalmente das dificuldades que o executivo terá pela frente para reunir o eleitorado em torno de um elenco de opções voltado para uma reforma política ainda não bem definida. Mas que certamente não poderá aprovar voos especiais de parlamentares.

 

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5 thoughts on “Voos insensatos podem atrapalhar a meta do plebiscito

  1. Voemos, voemos todos nas asas da imaginação e sonhemos com o país que todos almejamos: o país livre de privilégios no qual unidos nos poremos a construir a nação não mais do futuro que jamais chega, mas do presente por que tanto esperamos.

  2. CONGRESSO
    O congresso não deve fazer tudo que meia dúzia deseja. A passeata sai pelas ruas e um expet corre e põe um cartaz nas mãos de um adolescente. Ato contínuo lança mão de uma filmadora e imediatamente grava a ocorrência. É um golpe igual a tantos outros. Vejam nos últimos dias o ato de um expert. Foi perguntado aos adolescentes o que significava a PEC 37 e a resposta foi que eles não sabiam de que se tratava.
    É melhor que se faça especialmente na mídia por meio de abaixo-assinado. Assim vai ficar claro a opinião das pessoas, mormente aquelas que entendem do assunto.
    O voto secreto é necessário para escolha do Presidente das duas casas legislativas. Evita constrangimento entre os colegas do parlamento. O cidadão não tem direito de dizer o que se deve ou não fazer para escolha dos dirigentes destas casas. É assunto de seus membros.

    ELEIÇÕES
    Os TER nos estados está fazendo recadastramento. Ótimo, pois a identificação biométrica vai impedir a duplicidade de título eleitoral. Só que na hora de votar lhe for exigido que se identifique (coloque o dedo ou os dedos na máquina) seu voto não será secreto. No interior o voto secreto é um meio de se defender da perseguição de alguns candidatos inescrupulosos e covardes. Vejamos que na hora de sacar um dinheiro o cidadão se identifica (coloca o dedão na máquina). O banco sabe quem é a pessoa e quanto ela sacou, fazendo o lançamento da quantia imediatamente na conta. Assim funciona o sistema. Na hora de votar não se pode exigir do cidadão a identificação biométrica. Para isto existe mesário e o título de eleitor blindado.

  3. Governo João Goulart

    Parlamentarismo
    – Chefe de Estado: Presidente

    – Chefe de Governo: Primeiro-ministro:
    — Tancredo Neves – set-1961/jul-1962
    — Francisco Brochado da Rocha
    ————————– jul-1962/set-1962
    – Hermes Lima —— set/1962-jan/1963

    Presidencialismo: jan-1963/mar-1964

    Chefe de Estado e Chefe de Governo:
    Presidente João Goulart

    Gabinete Tancredo Neves –
    AERONÁUTICA – Clívis Travassos;
    AGRICULTURA – Armando Monteiro Filho;
    CASA CIVIL – Hermes Lima;
    CASA MILITAR – Amaury Kruel;
    EDUCAÇÃO – Oliveira Brito;
    EXTERIOR – Santhiago Dantas;
    FAZENDA – Walter Moreira Salles;
    GUERRA – João Segadas Viana;
    IND E COMÉRCIO – Ulisses Guimarães;
    JUSTIÇA – Alfredo Nasser;
    MARINHA – Ângelo Nolasco;
    MINAS E ENERGIA – Gabriel Passos;
    SAÚDE – Estácio Souto Maior;
    TRABALHO – Franco Montoro;
    VIAÇÃO E OBRAS PÚBLICAS – Virgílio Távora.

    Gabinete Francisco Brochado da Rocha
    (jul-set/1962)
    AERONÁUTICA – Reinaldo de Carvalho Filho;
    AGRICULTURA – Renato Costa Lima;
    CASA CIVIL – Hermes Lima;
    CASA MILITAR – Aurèlio de Lira Tavares;
    Amaury Kruel, Albino, Assis Brasil;
    EDUCAÇÃO E CULTURA – Roberto Tavares de Lira ;
    EXTERIOR – Afonso Arinos;
    FAZENDA – Walter Moreira Salles;
    GUERRA – Machado Lopes e Nelson de Melo;
    IND E COMÉRCIO – José Ermírio de Morais;
    JUSTIÇA – Cândido de Oliveira Neto;
    MARINHA – Pedro Paulo de Araújo Suzano;
    MINAS E ENERGIA – João Mangabeira;
    SAÚDE – Trabalho – Hermes Lima;
    VIAÇÃO E OBRAS PÚBLICAS – Hélio de Almeida.

    Gabinete Hermes Lima – set/1962-jan/1963
    AERONÁUTICA – Reinaldo de Carvalho Filho;
    AGRICULTURA – Renato Costa Lima;
    CASA CIVIL –
    CASA MILITAR – Aurério de Lira Tavaes;
    EDUCAÇÃO E CULTURA – Darcy Ribeiro;
    EXTERIOR – Hermes Lima;
    FAZENDA – Miguel Calmon;
    GUERRA – Amauri Kruel;
    IND E COMÉRCIO – Otávio Dias Carneiro;
    JUSTIÇA – João Mangabeira;
    MARINHA – Pedro Paulo de Araújo Suzano;
    MINAS E ENERGIA – Eliezer Batista da Silva;
    SAÚDE – Elizeu Paglooli;
    TRABALHO – Hermes Lima;
    VIAÇÃO e O. PÚBLICAS – Hélio de Almeida;
    SEM PASTA – Celso Furtado.
    Presidencialismo: jan-1963/mar-1964

    Chefe de Estado e Chefe de Governo:
    Presidente João Goulart

    AERONÁUTICA – Reinaldo de Carvalho Filho e
    Anízio Botelho;
    AGRICULTURA – José Ermírio de Morais e
    Oswaldo Lima Filho;
    CASA CIVIL – Evandro Lins e Silva e
    Darcy Ribeiro;
    CASA MILITAR – Argemiro de Assis Brasil;
    EDUCAÇÃO – Teotônio Monteiro de Barros,
    Paulo de Tarso Santos e Júlio Tambaqui;
    EXTERIOR – João Augusto de Araújo Castro,
    Evandro Lins e Silva e Araújo Castro(bis);
    FAZENDA – Carvalho Pinto e Ney Galvão;
    GUERRA – Amauri Kruel e Jair Dantas Ribeiro;
    IND E COMÉRCIO – Antôni Balbino;
    JUSTIÇA – Abelardo Jurema;
    MARINHA – Paulo Bozísio e Sílvio Mota;
    MINAS E ENERGIA – Eliezer Batista da Silva e
    Oliveira Brito;
    SAÚDE – Paulo Pinheiro Chagas e Wilson Fadul;
    TRABALHO – Almino Afonso e Amaury Silva;
    VIAÇÃO E OBRAS PÚBLICAS – Hélio de Almeida
    e Expedito Machado Pontes;
    *Min Extraordinário para Assuntos de Des.
    Econômico – CELSO FURTADO;
    *Min Extraordinário para a Reforma Administra-
    Tiva – AMARAL PEIXOTO.

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