Voto democrático é um direito dos cidadãos, não deve ser transformado em obrigação legal

TRIBUNA DA INTERNET | Eleição de 2018 é mais abrangente e não será apenas  de situação X oposição

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

Em sua coluna sempre brilhante na Folha de São Paulo, Hélio Schwartsman, edição deste sábado, sustenta que o voto não deve ser obrigatório, como acontece no Brasil, e deveria ser facultativo como ocorre nos Estados Unidos, França e Reino Unido, além de grande número de outros países. Concordo integralmente com o intelectual e aproveito para acrescentar detalhes em relação às urnas, focalizando reflexos que na minha opinião aconteceriam caso a legislação brasileira fosse mudada. Mudada para melhor.

Esta hipótese representaria um avanço democrático e, na realidade, iria prejudicar as classes de renda alta e favorecer os segmentos de menor renda.

VOTO FACULTATIVO – No Brasil, era a antiga UDN que no passado representava as elites e a classe média, e aqui a dependência do eleitor em relação ao Estado é muito maior que nos EUA. Portanto, com o voto facultativo, as correntes de menor renda iriam votar e as correntes que formam a classe média não compareceriam com a mesma disposição do que os integrantes dos grupos menos favorecidos.

Esses grupos dependem muito mais dos governos que aqueles cuja renda mensal fica acima da barreira dos 10 mil reais mensais. O saudoso presidente JK me disse um dia que, no fundo, “política é esperança”. Ele era o homem do sim num país que usava e abusava da palavra não.

Meu encontro com ele foi em sua residência em Ipanema, em decorrência de matéria por mim escrita, com base em pesquisa do Ibope que apontava uma ampla margem de tendências eleitorais em favor da campanha JK 65. Ele voltaria ao poder caso o regime de 1964 não o tivesse cassado. Foi uma pena. Mas esta é outra questão.

GABEIRA PERDEU – Alguns  anos atrás Fernando Gabeira perdeu uma eleição para prefeito do Rio, na qual disputava com Eduardo Paes. Paes naquela altura era candidato do governador Sérgio Cabral. Houve um feriado na semana que antecedia as urnas que Sérgio Cabral transferiu para segunda-feira. Em grande parte  o eleitorado de Gabeira era formado pela população de maior renda. O que aconteceu? Eleitores nesse perfil saíram do Rio e foram para casas de campo em outros municípios. Fernando Gabeira perdeu a eleição por 1,6%. Teria sido, penso eu, um excelente prefeito.

Em matéria de eleição, com o passar do tempo os grupos proletários vão aumentar cada vez mais. Basta olhar do alto de um edifício as favelas que expressam esta realidade, cada vez mais agravada pela ocupação dos espaços na antiga Guanabara. Houve tempo em que a UDN e o PSB formavam uma só agremiação. O PSB era a esquerda democrática e se transformou em partido em 1947, não participando portanto das urnas que levaram o General Eurico Dutra à vitória, resultado do apoio que recebeu de Getúlio Vargas.

Mas essa lembrança pertence ao passado cuja névoa desfoca o tempo. Já não é sem tempo que o voto já deveria ter se transformado em facultativo.

3 thoughts on “Voto democrático é um direito dos cidadãos, não deve ser transformado em obrigação legal

  1. Quando não se tem voto facultativo, candidaturas independentes e principalmente o voto distrital puro,
    que da representatividade aos indivíduos dos rincões mais afastados dos centros de poder, jamais o que vivemos pode ser chamado de “democracia”.
    O que temos, na verdade, nada mais é do que a ditadura dos políticos.
    Agora mesmo, Alcolumbre e Maia, tentam arrancar “na marra”, um parecer do STF, que lhes garanta a reeleição ilimitada, querendo a perpetuação no poder, coisa que a constituição veda.
    Será que os ministros do supremo vão criar uma
    “constituição paralela”? Vade retro satanás.

  2. Em qualquer país realmente democrático o voto foi sempre um direito nunca um dever. Como também a candidaturas avulsa, independente e limitação no número de partidos. Por fim, o fim do tal Fundo Eleitoral, uma usina de corrupção e fonte de enriquecimento ilícito de muito dono de partido.

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