Voto errado e filho feio

Carla Kreefft

Quem representa quem? É a pergunta que está posta para todos. Afinal, o país vive uma democracia, e nenhum representante foi eleito sem legitimidade – entendendo como tal, a escolha de representantes por voto livre e direto.

Em outras palavras: alguém votou em Donadon e reelegeu mensaleiros. Mas, como diz o ditado popular, filho feio nunca tem pai; depois que os escândalos são descobertos, ninguém consegue apontar um só eleitor de um condenado. É claro que todo cidadão tem o direito de errar e reparar seu erro. Assim, se o voto foi equivocado e se o eleito não cumpriu seu papel ou, pior, cometeu algum crime, que o mandato seja dele retirado e que penas sejam impostas. Foi exatamente o que a Câmara se negou a fazer no caso de Donadon e em outros como o de Renan Calheiros, por exemplo.

Perder uma cadeira conquistada nas urnas é uma das coisas mais difíceis de se acontecer neste país, mesmo nos casos mais absurdos. Há todo um arcabouço legal que protege em demasia os donos de cargos eletivos. Talvez seja uma herança legislativa do pós-ditadura. A partir da redemocratização do país, todos os esforços foram empenhados para preservar os mandatos, que, durante os anos de chumbo, foram tomados de seus titulares sem a menor cerimônia.

GUARDAR EM REDOMAS…

Mas, se a proteção excessiva teve algum sentido durante o período da redemocratização, agora não há motivo para guardar os senhores eleitos em redomas intransponíveis. Esse entendimento talvez seja mais frequente a partir de agora, já que o país tem um deputado cumprindo pena na Papuda, em Brasília. Para além da discussão da necessidade do voto aberto em casos de cassação, são necessários outros debates. Por que, por exemplo, para se processar um parlamentar, que deveria ter um comportamento irretocável, é necessária a autorização da Justiça? Um cidadão comum, que comete um crime, é investigado e processado sem que seja necessário nenhum pré-requisito, mesmo que ele seja um exemplo de retidão. Tudo isso sem falar no fórum privilegiado, que estabelece tribunais específicos para algumas autoridades.

A representatividade no Brasil está se transformando em um escudo para proteger os atos de corrupção e outros crimes e, principalmente, para abrir a possibilidade de um promissor banco de negócios. Os representantes nada mais são do que as suas próprias vozes e o seus interesses pessoais.

Como votar certo é, então, a grande questão. Os brasileiros já podem parar de comemorar o direito do voto. Já houve avanços consideráveis desde que o eleitor voltou a se encontrar com as urnas. Agora o momento é de – para usar um termo da moda – qualificar o voto. E, para isso, não há outra forma senão conhecer muito bem o candidato. (transcrito de O Tempo)

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4 thoughts on “Voto errado e filho feio

  1. O que é votar bem, votar certo? Vamos admitir que sempre votei bem, na esquerda, mas e os que trocaram de lado? E o recente caso do PSOL-RJ? Então, a meu ver, o que está errado é o sistema eleitoral que, propositalmente, só favorece corrupções. Ou então reeleição e mais reeleição (em todos os níveis) a troco de nada.

  2. Antonio Rocha, falas em PSOL e falaste bem para ilustrar o tema. Nasceu o PSOL de uma costela do PT que por sua vez nasceu de uma costela da UDN(veja seu DNA político). O que se esperava do PSOl que arrotava moralidade? Mesmo que não fossemos seus eleitores imaginavamos que a moralidade pregada por eles fosse real. Ledo engano. De cara o PSOL na pessoa do Chico Alencar abandonou a “Comissão de Ética para salvar seus irmãoszinhos do PT envolvidos no mensalão. De tabela safaram-se mais alguns pilantras. Perguntado pela imprensa a razão de sua atitude diz Chico: Não adiantava condená-los aqui pois eles seria absolvidos no “plenário”.Esse foi o cartão de visitas. Agora a máscara caiu: sua deputada foi pega dizendo em uma gravação que gastou um dinheiro do sindicato para sua campanha e para ajudar na criação do PSOL. O senador do partido Randolfe o bonitinho do Amapá está enrolado em um mensalão (não foi provado que seja culpado). Possivelmente terá que se explicar na Comissão de Ética do Senado. Na eleição para prefeito tinha um miliciano como candidato. Tem o deputado Marcelo Frouxo, que por ter denunciado e mandado para cadeia uns bandidos. Agora exigiu do estado 18 pms para sua segurança. Pergunta inocente? E quem votou a favor da condenação na CPI tem direito de ter 18 pms como segurança? Foram uns sessesta, multiplica isso por 18. O PSOL é o partido do Chacrinha; não veio para explicar, veio para confundir.

  3. Agora o momento é de – para usar um termo da moda – qualificar o voto. E, para isso, não há outra forma senão conhecer muito bem o candidato. (transcrito de O Tempo)
    Escolher candidato é como escolher uma profissional em em prostíbulo. Conversa com várias, analisa beleza,estatura, o nível físico e intelectual e outras coisas. Por mais que a pessoa qualifique a sua escolha , jamais conseguirá escolher uma que não seja p . . .
    Com político não é diferente. Creio que , se aprovado, o voto aberto em todas as instâncias (senado,câmara,assembléias legislativas,e câmaras municipais) mudará um pouco essa situação. Se isto não ocorrer estaremos escolhendo políticos descompromissados com a população. É assim no prostíbulo político.Na conversa é uma coisa, na cama… que decepção. São iguais as situações: delas e deles.

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