Votos válidos crescem no Rio e não adianta anular ou votar em branco

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

A mais recente pesquisa do IBOPE realizada sobre as eleições do dia 30 para prefeito do Rio – reportagem de Fernanda Krakovics, Marco Grillo e Gustavo Schmidt, em O Globo de sexta-feira –assinala um avanço dos votos válidos, na escala de seis pontos no período entre 10 a 20 de outubro. No dia 10, os votos nominais estavam na escala de 61%. No dia 20, passaram ao índice de 67%. Houve, assim, uma manifestação positiva da ordem de 6 pontos. Vai avançar mais no decorrer da semana que se inicia.

A cada eleição, venho acompanhando o fenômeno há muito tempo, mais se encurta o prazo para a decisão final dos eleitores. Antes era a sete dias antes das urnas. Hoje está nas últimas 48 horas que antecedem a abertura das urnas eletrônicas. É natural que assim seja. Isso porque algumas correntes sociais só se entusiasmam quando a campanha ganha um contorno que lembra um confronto esportivo.

NULOS E BRANCOS – Este é um fato que se comprova de uma disputa eleitoral para outra. Mas eu disse no título que é, de fato, inútil votar em branco ou anular o voto. Claro. Porque, seja como for, quem não se define estará ajudando algum candidato. Tanto nas eleições majoritárias, quanto nas proporcionais.

As majoritárias são para presidente da República, governadores, prefeitos e senadores. As proporcionais destinam-se à Câmara Federal, Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores.

Quem anula ou vota em branco para este grupo está reduzindo o coeficiente eleitoral. Não está diminuindo o número de cadeiras. No fundo, está, isso sim, facilitando a vitória daqueles que deseja substituir. Não adianta nada.

TRANSFERE PODER – Relativamente às eleições para prefeito, governador ou presidente, o voto estéril significa uma transferência do poder de decidir, que se encontra nas mãos e pensamentos dos votantes. Pois se você neutraliza sua disposição, está na verdade transferindo a outros a opção de escolher. Mesma coisa que dar uma procuração incondicional a terceiros ou assinar um cheque em branco. Está causando um choque entre a sua indisposição e a disposição dos que vão votar. Eles passam a decidir pelos que se omitem.

Não me refiro, claro, aos que estejam impossibilitados de comparecer às seções eleitorais. Não se trata disso. Focalizo aqueles que abrem mão de um direito que pertence a todos nós, para deixá-lo ao sabor da vontade alheia.

O voto branco ou nulo tanto pode ajudar aquele candidato que lidera a pesquisa, seja do Ibope ou do Datafolha, quanto para permitir sua descida e, portanto, a ascensão de antagonista. Como se constata, em nenhum dos casos você estará deixando de influir. Todo gesto na vida reflete uma realidade e produz uma consequência. Nas urnas, em matéria de voto, as consequências são inevitáveis.

NENHUM DOS DOIS – A pesquisa do Ibope focalizada pela reportagem de O Globo incluiu na caixa dos votos não válidos os que não desejam votar em qualquer um dos finalistas, no caso do Rio, e também os indecisos.

No conjunto, eram 39% no dia 10. Caíram para 33 pontos no dia 20. Vão cair ainda mais. Bem mais na semana que começa segunda-feira. É sempre assim. No fundo, impõe-se a impossibilidade concreta de anular o sufrágio ou votar em branco. Quem faz isso não deixa de influir de alguma forma. Esta é que é a verdade.

24 thoughts on “Votos válidos crescem no Rio e não adianta anular ou votar em branco

  1. Inquestionável sua análise sobre as eleições, jornalista Pedro do Couto. Suas intervenções sobre pesquisa eleitoral são as mais abalizadas dentre os comentários.

    No entanto, falta um detalhe para esclarecimento dos leitores: Porque a tendência dos votos nulos, em branco e mesmo o não comparecimento para votar aumentam do 1º para o 2º Turno?

    Em primeiro lugar pela descrença do povo, de que os políticos farão alguma coisa pela cidade. A classe política está desacreditada pela avalanche de corrupção, de roubalheira e de gatunos que assola o país de norte a sul , tanto dos candidatos da direita quanto da esquerda. Ninguém escapa dessa sensação de impunidade e de falta de compromisso com as propostas dos candidatos e depois com a realidade após as eleições. Uma coisa é o marketing na televisão outra é a vida como ele efetivamente o é.
    O mensalão e o petrolão da Lava Jato expôs as entranhas da classe política e empresarial, notadamente as empreiteiras corruptas ao inconsciente coletivo de que todo mundo rouba para as próximas gerações.

    No caso específico da eleição no segundo turno no Rio de Janeiro, a tendência será o aumento do não comparecimento dos eleitores para depositarem o voto na urna, além é claro do aumento dos votos nulos e brancos, porque os ataques mútuos dos candidatos Freixo e Crivella deram um nó na cabeça do eleitor. No momento, a campanha agressiva de Freixo vem tirando votos expressivos de Crivella. A massificação no horário eleitoral gratuito da proximidade entre Crivella e Garotinho aliado a questão religiosa do Bispo Crivella, um membro da Igreja Universal, assusta os eleitores das outras denominações, dos católicos e das religiões afro-brasileiras. É o que tenho observado em contato com eleitores. A comprovação do acerto dos ataques de Freixo são a perda de 9% nas intenções de voto e o pânico que tomou conta da campanha de Crivella.
    Por outro lado, Freixo também erra, quando dá ênfase na questão de gêneros e outras propostas progressistas que assustam a sociedade conservadora brasileira. Se falasse mais sobre suas propostas para melhorar o atendimento nos hospitais públicos, sobre uma educação de qualidade para as crianças e sobre o trânsito caótica nas principais vias da cidade, poderia encostar em Crivella e até vencer as eleições, mas o primarismo que acompanha as equipes dos candidatos chega a assustar.

    Um caso emblemático foi a participação de Jandira Feghali no último debate na Globo antes de fechar o primeiro turno das eleições municipais, quando num tom belicoso e sério atacou a Rede Globo e o pretenso golpe contra Dilma, duas frases totalmente desconexas com o pleito municipal e ainda atacou gratuitamente Pedro Paulo deixando a brecha para o contra -ataque do candidato de Paes. Ambos amargaram a derrota e Jandira mais fragorosamente com seus parcos 3% de votos. Agora, periga sua reeleição para a Câmara federal e 2018.

    É preciso mais razão e menos erros e emoção para vencerem as eleições.

  2. Ontem a Veja e a Globo detonaram o Crivella com aquela foto , mais o livro sobre a África e a gravação onde ele diz que só falta a IURD ter a presidência da República para evangelizar o pais..

  3. Infelizmente não há um político que mereça credibilidade, o povo mistura religião com política, mais uma vez o povo vai errar, tanto se escolher de um lado ou de outro, não há um líder que realmente se preocupe com as causas sociais, por este motivo vou anular meu voto.

  4. Élio Gaspari …

    O anel de Cabral e o teleférico
    O Rio sofre os efeitos de pelo menos cinco pragas
    A ruína do Rio de Janeiro deveria colocar o governo federal em estado de alerta. A cidade vive o colapso de seu aparelho de Segurança e do sistema público de Saúde. Só um milagre fiscal permitirá o pagamento do 13º salário aos servidores, e há escolas fechadas, hospitais mutilados e delegacias sem luz elétrica. O teleférico do Alemão está parado. Era o símbolo do Brasil de Lula e da gestão modernizadora de Sérgio Cabral. As barcas cortaram viagens e a plutocracia dos ônibus não paga as multas que recebe. No meio desse caos, o empreiteiro Fernando Cavendish, queridinho do governo do estado e da prefeitura, contou que em 2009 pagou o equivalente a R$ 800 mil na joalheria Van Cleef de Mônaco para enfeitar Madame Sérgio Cabral (Madame Eduardo Cunha comprava seus enfeites na Tiffany de Nova York).
    O Rio sofre os efeitos de pelo menos cinco pragas.

  5. O Bispo ficou sem GRAÇA ……

    Globo denuncia caixa 2 de Crivella na reta final da disputa no rio

    23/10/2016 – Escrito por robertoflavio.com.br em Brasil |
    Com receio de uma eventual vitória do senador Marcelo Crivella na disputa pela Prefeitura do Rio, o jornal O Globo tem publicado uma série de denúncias na reta final da campanha. A deste domingo, na coluna de Lauro Jardim e com destaque na primeira página, diz respeito a um suposto caixa 2 do bispo licenciado no âmbito da operação Lava Jato.
    “A Lava Jato poderá cair como uma bomba no colo de Crivella, quando forem tornados públicos alguns trechos da delação premiada que Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, negocia com o Ministério Público Federal. Em sua campanha ao Senado em 2010, de acordo com o que chegou ao conhecimento do MPF, Crivella procurou Graça Foster, então diretora de Óleo e Gás da Petrobras,e, e pediu ajuda financeira. Graça o encaminhou a Duque, não sem antes ligar para o colega de diretoria e pede que ele resolvesse o problema — o que acabou acontecendo.”
    Segundo o jornal. Duque afirmou que o serviço não declarado para a campanha de Crivella ao Senado, equivalendo a cerca de R$ 12 milhões, foi descontado da propina da Petrobras.
    A assessoria de Marcelo Crivella negou as acusações.

  6. Não votarei em branco nem anularei o voto.
    Se bem que eu gostaria mesmo é de apertar a tecla que o Nani criou para a charge.

    Só para desabafar.

    Todos vão continuar onde estão, a caminho de onde vão.

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