Witzel corre o risco de ser preso, como aconteceu com Cabral, Pezão, Garotinho e Rosinha

EXCLUSIVO: 'Nem pandemia cessou ânsia criminosa de Witzel', diz Benedito | VEJA

Witzel jogou fora uma carreira iniciada como fuzileiro naval

Wilson Tosta
Estadão

Em apenas dois anos e oito meses, Wilson José Witzel, um novato na política que nunca disputara um cargo público, trocou a magistratura e o anonimato das obrigações burocráticas do Judiciário pelo poder político, pela projeção nacional e por uma dolorosa queda.

Foi eleito governador do Rio pelo nanico PSC, colado na campanha de Jair Bolsonaro à Presidência, em 2018; lançou-se pré-candidato à sucessão presidencial, rompendo com a família presidencial, em 2019; e teve o governo implodido por escândalos de corrupção em 2020.

RISCO DE PRISÃO – A derrocada ocorre em meio à pandemia do novo coronavírus e a um processo de impeachment da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A ação do Poder Legislativo foi atropelada pela decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que o afastou do Palácio Guanabara. Pode encerrar a sua curta carreira política e, dependendo do processo, levá-lo à prisão.

Desde que era candidato de um partido minúsculo e sem nitidez ideológica, Witzel chamou atenção pela autoconfiança. Com 1% das intenções de voto, no início da campanha, dizia com convicção que seria eleito.  

E foi mesmo eleito, embalado pelo discurso da lei e da ordem, feito no vácuo dos escândalos que levaram à cadeia seus antecessores do MDB, Sérgio Cabral Filho –  ainda preso –  e Luiz Fernando Pezão. Era um cenário marcado pelas revelações da pilhagem do Estado promovida pelo grupo político sob investigação da Lava Jato enquanto o Rio falia.

VITÓRIA NAS URNAS – Assim, um candidato desconhecido, sem ligações com os velhos partidos, e que se apresentava como ex-juiz e ex-militar, rapidamente seduziu os fluminenses. Witzel construiu sua vitória em dois meses, atropelando o favorito Eduardo Paes, cuja imagem foi muito ligada a Cabral.

No governo, Witzel, priorizou o combate ao crime. Liberadas do controle político da Secretaria de Segurança, que foi extinta, as polícias, especialmente a Militar, bateram recordes de civis mortos em supostos confrontos – chegaram a ser cinco por dia. A política para o setor poderia ser sintetizada na declaração que, ainda como governador, deu ao Estadão, pregando o uso de snipers contra criminosos: “A polícia vai mirar na cabecinha e… fogo!”.

O governador deu seguidas mostras de apoio a policiais, mesmo quando envolvidos em episódios de violência com indícios de incompetência ou ilegalidade.

TREMENDA IRONIA – Ironicamente, são acusações criminais – de suposta corrupção, envolvendo gastos no enfrentamento da covid-19 – que levaram ao despejo de Witzel do governo fluminense.

De juiz a governador do Rio, a trajetória de Wilson Witzel, com o discurso eleitoral que fez, enquanto era destruída uma placa em homenagem à vereadora Marielle Franco, executada em plena via pública, junto com o motorista Anderson Gomes.

14 thoughts on “Witzel corre o risco de ser preso, como aconteceu com Cabral, Pezão, Garotinho e Rosinha

    • “O juiz que pode afastar um governante fascista poderá, no futuro, afastar outros eleitos por serem gays, judeus, ciganos ou comunistas.
      O governador do Rio é um fascista que promete extermínio e comemora mortes. Um ser desprezível. Um pouco mais que os que votaram nele. Mas não há razões para que apoiemos uma decisão judicial afastando-o do cargo.
      O judiciário precisa de focinheiras institucionais para que seus integrantes não se convertam em uma incontrolável matilha raivosa. A experiência da utilização da lawfare para impedir eleições democráticas e os abusos da LavaJato já demostraram o perigo que as togas descontroladas podem causar ao futuro do país.
      Não há o que comemorar. Nem as prisões, nem o afastamento de políticos eleitos, nem a previsível invalidação da exdrúxula decisão por parte do stf. As instituições brasileiras, desde o golpe de 2016, estão viradas em chapéu velho.”

      Adriano Diogo.

  1. Por que o povo do Rio de Janeiro não consegue eleger um governador que não vá parar na cadeia?

    Os sudestinos de uma forma geral se acreditam moral e intelectualmente superiores aos nordestinos e juram de pés juntos que coronelismo é coisa do nordeste e pistolagem só acontece de Belo Horizonte para cima, mas a verdade é que o centro nacional da política coronelista está justamente no eixo Rio-São Paulo. Vou provar.

    Tenório Cavalcanti : Apesar do sobrenome Cavalcanti evocar o nordeste, mais especificamente Pernambuco, Tenório (alagoano de Palmeira dos Índios) era um político radicado da Baixada Fluminense no antigo estado do Rio de Janeiro (antes da fusão com a Guanabara). Tenório era um empresário do ramo imobiliário que fez fortuna grilando terras, matando quem estivesse no seu caminho e subornando quem ele não tinha coragem de matar. Sua famosa capa preta tinha por objetivo esconder uma submetralhadora Mannlicher que ele levava às costas, a quem ele apelidava de Lurdinha. Tenório esteve pessoalmente envolvido em pelo menos 20 crimes de morte (isto é, ele mesmo matou, não mandou ninguém matar), alguns cometidos enquanto era deputado federal pelo Rio.

    Na época a sua figura era considerada “divertida” e “folclórica”. Ele se confraternizava com políticos poderosos e elegeu-se várias vezes deputado federal. Em pelo menos um episódio ele sacou arma de fogo em pleno Congresso Nacional para intimidar um adversário político. Ele também esteve envolvido no assassinato de um delegado de polícia que investigava o jogo do bicho em sua base eleitoral — fato que teve repercussão nacional, mas não resultou em nada porque ele tinha imunidade parlamentar (e você aí dizendo que o mundo está em decadência por causa da Flordelis e jura que “baixo clero” é coisa de nosso legislativo atual… hahaha!).

    A propósito, meu avô materno conheceu pessoalmente o Tenório Cavalcanti e o descreveu como “o maior pulha que eu já vi caminhar sobre a face da terra, um sujeito absolutamente sem nenhum respeito pela vida humana ou a propriedade alheia”.

    Aqueles homens que faziam belos discursos no Congresso eram os mesmos que roubavam e mandavam matar seus adversários. Por isso Tenório não era visto com espanto, mas como uma figura “folclórica”. O que o diferenciava dos demais era sua sinceridade. Tenório é um precursor do Bolsonaro nesse sentido: ele quebrava o protocolo da hipocrisia política. Para muita gente, principalmente no Rio: quebrar o protocolo já basta, não precisa ter conteúdo positivo. A sinceridade, mesmo para dizer o que é inaceitável, é uma qualidade.

    O povo do estado do Rio de Janeiro tem, portanto, uma longa história de votar em pessoas performáticas, sem avaliar a consistência do discurso. Por isso tem dificuldade de diferenciar pessoas honestas de notórios assassinos e ladrões porque não está interessado em qualidades morais e programas de governo, mas em figuras carismáticas.

    O eleitor carioca, muito mais do que o eleitor de outros estados, avalia as pessoas pelo que aparentam. Votou em Juruna, que nem era do RJ, porque era engraçado ter um índio no congresso. Votou massivamente em Collor porque ele era bonito. Votou em Bolsonaro porque ele “diz o que pensa”. O voto carioca é basicamente um voto de galhofa misturado com um voto de revolta difusa e mal orientada.

    César Maia, o pai do Rodrigo, entendeu isso muito bem e fez uma longa carreira política no RJ através do “factóide” (um conceito antecessor de fake news). Basicamente Maia mentia para o povo, dizendo abertamente que era mentira, mas o povo gostava da mentira e Maia ficava mais popular. No fundo, a mentira, mesmo evidente, agrada mais do que a verdade. Simplesmente porque a mentira é acessível.

    O mesmo povo que votou em Tenório “Lurdinha” Cavalcanti votou em Wilson “tem que mirar na cabecinha” Witzel. O povo carioca gosta da ideia de ter um psicopata no poder. Witzel entendeu isso e incorporou Tenório Cavalcanti para agradar ao psicopata no coração de cada cidadão do estado. Funcionou. Ele se elegeu. 

  2. O homem é governador e mesmo assim foi afastado do cargo para que as investigações tivessem curso normal. Por que o tal de Flavio Bolsonaro não é afastado e julgado em primeira instância? Todos sabemos que esperar por solução do STF demora mais que a tão esperada Segunda Vinda do Salvador.

  3. Manchete do Estadão mostra a sugestão mais escalafobética possível do governo maluco do Jair: “Renda Brasil deve propor doação de empresas a famílias carentes e seguro-desemprego privado”.
    Só falta sugerir que as igrejas que o apoiam administrem as doações!

  4. Um montão de secretários de saúde sendo presos em vários estados e os governadores sendo poupados. Essa decisão do $TF foi um desastre. Witzel foi o primeiro, mas e o Agripino Doria? E os demais? Tem que prender todo mundo!

  5. O vírus chinês mostrou que a canalhice dos agentes públicos em nossa Republiqueta de Bananas Podres não tem limites.

    Votei no Witzel, porém, se ficar provado que roubou que seja julgado e condenado. A prisão deve ser um bom lugar para reflexão.

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