Youssef disse à CPI que não pode confirmar propina a Cunha

Youssef repetiu as acusações a Vaccari e à cunhada dele

Ana Fernandes e Ricardo Brandt
Estadão

O doleiro Alberto Youssef esclareceu nesta segunda-feira, 11, aos integrantes da CPI da Petrobrás que o ouvem em Curitiba, que não pode confirmar a remessa de dinheiro da OAS para o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “Recebi da OAS para que fosse entregue o recurso nesse endereço. Não sabia quem era morador dessa residência”, disse Youssef aos parlamentares.

“Eu recebia o endereço, o local, a cidade e quem iria receber”, disse Youssef ao argumentar que eram comum o procedimento de entregar sabendo o nome apenas do intermediário e não do destinatário final dos recursos desviados. Eduardo Cunha é um dos políticos investigados por suspeita de envolvimento com o esquema de desvios envolvendo contratos da Petrobrás. Ele nega ter qualquer ligação com o doleiro ou com o esquema.

Youssef repetiu que quem fez a entrega foi o policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, conhecido como Careca. Sobre o depoimento de Careca, que implicou Cunha e Antonio Anastasia (PSDB), o doleiro disse não saber se é verdade. “Não tenho ideia. Não sei se ele inventou nomes, porque quem foi ao endereço foi ele.”

CONTESTAÇÃO

Youssef foi confrontado pelo deputado Ivan Valente (PSOL-SP), que disse que o doleiro não estava sendo verdadeiro. Valente argumentou não ser possível ele lembrar de nomes de quem teria recebido pelo PT, citando a cunhada de João Vaccari, Marice, e não lembrar o nome do recipiente na casa de Cunha. “Deputado, alguns eu lembro, outros não lembro”, respondeu Youssef.

Youssef disse não conhecer pessoalmente Cunha nem ter repassado diretamente recursos. O doleiro disse também não conhecer ou ter feito repasses diretamente ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Ele contudo, disse ter feito repasses para Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, que seria o operador do PMDB no esquema.

O doleiro reafirmou com maior certeza repasses destinados a lideranças pepistas, como o ex-ministro Mário Negromonte, o senador Ciro Nogueira e o deputado Aguinaldo Ribeiro.

COM VACCARI

Youssef confirmou também a ida do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto ao seu escritório, mas negou ter “operado” diretamente com ele. Segundo o doleiro, Vaccari deve ter ido ao local no fim de 2013 ou início de 2014.

Quando esteve na CPI da Petrobrás, no início de abril deste ano, Vaccari afirmou que havia ido ao escritório do doleiro, mas não o encontrou no local. Youssef foi questionado se haveria convidado o ex-tesoureiro. “Não liguei para ele convidando para ir ao meu escritório. Pode ser que em encontros casuais em restaurantes, eu possa ter dito para ele ir ao meu escritório tomar um café”, afirmou aos parlamentares. “Era só para tomar um café.”

O delator disse que mandou entregar dinheiro para a cunhada do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, Marice Corrêa de Lima, e também na sede do PT, em São Paulo. Essas informações Youssef já havia declarado à Justiça Federal e à força tarefa da Lava Jato. Questionado por parlamentares se ele havia operado propina com Vaccari, o doleiro – preso desde março de 2014 e acusado por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa – corrigiu a informação da CPI.”Nunca operei com Vaccari diretamente, fiz operação para a Toshiba (empresa investigada na Lava Jato) que diz que o dinheiro era direcionado para Vaccari.”

4 thoughts on “Youssef disse à CPI que não pode confirmar propina a Cunha

  1. Nunca soube que corrupto aceite propina em conta corrente ou assine algum documento, todo o arranjo é feito pelos seus comandados, desejos de ser inocentes, a policia federal conhece estes artifícios e a nossa justiça também.

  2. Nunca soube que corrupto aceite propina em conta corrente ou assine algum documento, todo o arranjo é feito pelos seus comandados, não sejamos inocentes, a policia federal conhece estes artifícios e a nossa justiça também.

  3. “Eu recebia o endereço, o local, a cidade e quem iria receber”, disse Youssef ao argumentar que eram comum o procedimento de entregar sabendo o nome apenas do intermediário e não do destinatário final dos recursos desviados.”
    De quem ele recebia estas ordens

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