Adélia Prado, sempre genial, em seu eterno amanhecer

Imagem relacionada

Adélia, aos 80 anos, deslumbrante como sempre

Paulo Peres
Site Poemas & Canções
A filósofa, professora, contista e poeta mineira Adélia Luzia Prado de Freitas, no poema “Impressionista”, mostra que podemos sentir, a qualquer hora, um novo amanhecer que servirá para perpetuar os acontecimentos felizes daquele dia ou, caso contrário, para esquecermos o dia anterior.


IMPRESSIONISTA

Adélia Prado

Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.

4 thoughts on “Adélia Prado, sempre genial, em seu eterno amanhecer

  1. O amanhecer é lindo! canta Roberto Carlos. Imagine você viver numa casa que vive amanhecendo, como a da maravilhosa poeta desdobrável, Adélia Prado, minha mineira do coração; minha mineira de Divinópolis.

  2. Com licença poética

    Adélia Prado

    Quando nasci um anjo esbelto,
    desses que tocam trombeta, anunciou:
    vai carregar bandeira.
    Cargo muito pesado pra mulher,
    esta espécie ainda envergonhada.
    Aceito os subterfúgios que me cabem,
    sem precisar mentir.
    Não sou feia que não possa casar,
    acho o Rio de Janeiro uma beleza e
    ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
    Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
    Inauguro linhagens, fundo reinos
    — dor não é amargura.
    Minha tristeza não tem pedigree,
    já a minha vontade de alegria,
    sua raiz vai ao meu mil avô.
    Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
    Mulher é desdobrável. Eu sou.

  3. Em 1973. Adélia Prado submete alguns de seus poemas ao critico literário Affonso Romano de Sant’Anna, que os submete à apreciação de Carlos Drummond de Andrade.

    “Moça feita, li Drummond a primeira vez em prosa. Muitos anos mais tarde, Guimarães Rosa, Clarisse. Esta é a minha turma, pensei. Gostam do que eu gosto. Minha felicidade foi imensa.Continuava a escrever, mas enfadara-me do meu próprio tom, haurido de fontes que não a minha. Até que um dia, propriamente após a morte do meu pai, começo a escrever torrencialmente e percebo uma fala minha, diversa da dos autores que amava. É isto, é a minha fala.”
    Em 1975, Drummond sugere a Pedro Paulo de Sena Madureira, da Editora Imago, que publique o livro de Adélia, cujos poemas lhe pareciam “fenomenais”. O poeta envia os originais ao editor daquele que viria a ser Bagagem. No dia 09 de outubro, Drummond publica uma crônica no Jornal do Brasil chamando a atenção para o trabalho ainda inédito da escritora.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *