Divisão interna no STF aumenta, ganha ares de crise e isola Fachin

Discreto, Fachin deve mudar a forma, mas não o conteúdo do STF

Código de Conduta de Fachin é rejeitado pela maioria

Daniela Lima
do UOL

O Supremo Tribunal Federal chega ao fim de 2025 enfrentando uma profunda divisão entre seus quadros e com o presidente da corte, Edson Fachin, sob forte artilharia interna.

O motivo? A percepção de que ele utilizou a corrida da imprensa por novidades sobre o caso Master, seja a respeito de Alexandre de Moraes ou de Dias Toffoli, para transformar o debate sobre um código de conduta para a magistratura numa batalha entre “puros e impuros” na corte.

FARISAÍSMO – As queixas vão de deslealdade à instituição, que passou dias sendo alvejada sem que Fachin tenha defendido as posições oficiais dos companheiros de plenário, até a de “farisaísmo”.

Dois ministros do STF recorreram a um mesmo exemplo para criticar o presidente da corte: uma nota, publicada pelo portal Metrópoles, que apontava que, enquanto Fachin havia usado uma aeronave de carreira para ir a um evento de direito fora de Brasília, Moraes voara em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira).

“Sabe como ele [Fachin] voltou do evento?”, indagou um integrante do Supremo à coluna. “De carona com o Alexandre no avião da FAB.” Questionada sobre a informação, a assessoria do STF confirmou que o presidente voltou de carona com o colega na aeronave das Forças Armadas.

AMEAÇADOS – Moraes é de longe o ministro mais ameaçado do Supremo. Na sequência vem Flávio Dino, relator de investigações sobre as emendas parlamentares.

Impulsionado pelas críticas ao contrato da mulher de Moraes com o banco Master —ainda que ela não tenha advogado pela instituição no Supremo ou no impasse com o Banco Central— o propagado código de conduta, enaltecido até em publicidade de entidades da sociedade civil em jornais, caiu em desgraça internamente.

“Fala-se muito dos ministros que têm mulheres na advocacia. No entanto, nada se diz sobre os que têm filhos atuando livremente, inclusive no Supremo”, disse um terceiro integrante da corte.

FILHO DE FUX – É o caso de Luiz Fux, cujo filho, Rodrigo Fux, atuou ou atua em mais de 40 ações, a maioria recursos, segundo pesquisa no sistema público do STF.

Uma das filhas e outros parentes de Fachin também trabalham no ramo da advocacia, em especial no Paraná, onde o ministro se notabilizou pela atuação em direito civil chegando até o Supremo. Já Gilmar Mendes, Toffoli, Moraes e Cristiano Zanin têm ou tiveram esposas liderando escritórios de advocacia.

Assim, a insatisfação interna sobre o código de conduta pregado por Fachin ganhou ares que vão além da irritação com a condução pública do tema e resvalam no direito legal de autonomia dos tribunais.

DISCUSSÃO INTERNA – “É preciso colocar a bola no chão e ver, por exemplo, que a autodeterminação dos tribunais é regra constitucional. Qualquer iniciativa, portanto, deve ser discutida internamente”, explica um integrante da corte.

“E mais: é preciso saber que os integrantes do tribunal têm situações parecidas em vários aspectos, inclusive na questão de terem familiares na advocacia e na participação em eventos. Por que limitar a análise ao STF se temos tantos tribunais com problemas sérios, de penduricalhos a corrupção?”, indagou por fim.

Mesmo assim, o ministro-presidente iniciou as tratativas sobre o código de ética ou de conduta debatendo o tema no Conselho Nacional de Justiça e com presidentes de outras cortes, como o Superior Tribunal de Justiça. Entretanto, não detalhou seus planos internamente.

VITÓRIA DE PIRRO – O STF, que enfrentou um dos julgamentos mais complexos e ruidosos de sua história recente, o da trama golpista, chega ao fim de 2025 com sabor agridoce, como se tivesse obtido uma vitória de Pirro.

Com Toffoli tendo a missão de desnudar o maior escândalo e a maior guerra do mercado financeiro das últimas décadas, o Supremo se partiu em dois ao ser puxado para uma trama que está longe de acabar e pode render muita dor de cabeça a todos os integrantes da corte.

Isso sem citar os mais de 80 inquéritos sobre desvios de emendas do Orçamento Secreto que incomodam o Congresso e a apuração de venda de sentenças em diversas instâncias do Judiciário. 

7 thoughts on “Divisão interna no STF aumenta, ganha ares de crise e isola Fachin

  1. Como é caracterizada a atuação do filho do juiz do STF Luiz Fux, cujo filho, Rodrigo Fux, atuou ou atua em mais de 40 ações, a maioria recursos, segundo pesquisa no sistema público do STF?

    • José Carlos, é por essa razão, que Luiz Fux está calado, com seu boi na sombra. A única ministra que está fora dessa aliança entre ministros e escritórios de advocacia de esposas e filhos é a Carmem Lúcia.

      Mudaram a Lei para permitir que parentes tivessem autorização para advogar nos Tribunais Superiores em processos em julgamento.

      Somente Fachin, Barroso, Carmem Lúcia e Rosa Weber votaram contra. Por isso, os demais ministros estão calados e envergonhados com a esposa de Morais e de Dias Toffoli trabalhando para o Banco Master e para a J& F.

      A credibilidade do STF no final do ano despencou a quase zero.

      Mesmo assim, Dias Toffoli ainda crê, que pode suspender a liquidação do Master. O efeito seria pior do que uma bomba atômica.

      Todos temem a delação premiada de Vorcaro, no Judiciário e no Congresso. Senadores e Deputados estão tremendo de medo.

      A credibilidade do Brasil no FMI, por causa de Morais, Toffoli e o ministro do TCU, Jonathan de Jesus, pode prejudicar o grau de investimentos no Brasil. E esse TCU, vale algum tostão furado, a não ser cabide de emprego de parlamentares aposentados?

      O país está atônito com os fatos que vem sendo revelados.

      Chego a sentir pena do ministro Alexandre de Morais. Ele está completamente desconfortável com tudo isso. Quanto a Dias Toffoli, sua frieza é impressionante. Não liga para nada, porque acha que está acima do bem e do mal.

      Hoje é o ministro pule de 10 para enfrentar um processo de impeachment.

      Agora, quem vai empichar deputados e senadores envolvidos com o Banco Master e o corrupto encantador de corruptos, o Vorcaro?

  2. A solução é simples:

    – tirar, ano que vem, o Aparato Petista inútil, incompetente, incapaz de equacionar os problemas estruturais do país, em irreversível decadência moral, civilizacional e temporal ( e seja lá quem será eleito, não há verme pior do que o Lula);

    – desratizar o Estado através de uma nova Consituição. A podridão das instituições estatais chegou a um ponto que, só a mudança dos seus agentes, é insuficiente.

    Ou continuarmos indo pro buraco com este Estado Cleptopatrimonialista

  3. Senhor Delcio Lima , não sei se os juízes eleitorais , passam os candidatos a cargos eletivos numa peneira , visando impedir que criminosos se inscrevam , pois esta na cara que o ” Congresso Nacional Brasileiro ” , foi transformado num verdadeiro covil de bandidos e os congressistas são inimigos do povo e do Brasil , uma vez que os congressistas manipulam as leis do país a seu bel-prazer e conveniência , em detrimento dos interesses do Brasil e seu povo.

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