Quando tudo está perdido, surge um caminho, diz o cantor Zé Geraldo

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Zé Geraldo, um dos maiores compositores mineiros

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor mineiro José Geraldo Juste, explica na letra de “Galho Seco” que nunca tudo está perdido diante dos obstáculos com que nos defrontamos.  A música foi gravada por Zé Geraldo no LP Ninho de Sonhos, em 1991, pela Eldorado.
 
GALHO SECO 
ZÉ GERALDO

Quando um homem chega numa encruzilhada,
Quando a gente chega numa encruzilhada
Olha prum lado é nada
Olha pro outro é nada também
Aí o céu escurece, o céu desaba
Tudo se acaba.
Quando tudo tá perdido na vida
Só quando tudo tá perdido na vida
É que a gente descobre que na vida
Nunca tudo tá perdido, meu irmão.
Eu andava acabrunhado e só
Perdido e sem lugar
Feito um galho seco
Arrastado pelo temporal
Pensei até
Em enrolar minha bandeira
E dar no pé
Eu pensei até em jogar fora a minha história
Os documentos e aquela fé


Fazia tempo que o sol não derramava
Luz na minha vidraça
Depois que tudo passa
O vento leva as nuvens negras
Noutra direção
Também pudera uma hora
Era o fogo que rasgava o chão
Outra hora era a água que
Descia e afogava toda plantação

Ainda bem que me restou o seu sorriso
Que me alumia a alma que me acalma
Quando é preciso
E como eu preciso.

4 thoughts on “Quando tudo está perdido, surge um caminho, diz o cantor Zé Geraldo

  1. Não há traço mais evidente e comum, nos seres humanos, como o pessimismo; trata-se um fenômeno intrinsecamente vinculado a nossa condição de mortais. Se, algum dia, alguém conseguir transpor a barreira da imortalidade, talvez um hálito de otimismo, por menor que seja, venha pruduzir um lampejo, nessa treva mórbida.
    Alguém se encontra em uma situação embaraçosa, tão impotentes quanto ele, os “amigos” se unem para alavancarem a autoconfiança do caído. Mas, lá no fundo mais profundo, o “ajudado” tem uma lista de pessoas arruinadas, que também receberam vibrações positivas de grupos solidários, porém, ainda assim, sucumbiram! E aí, de que valeu a intervenção de tanta gente bem intencionada? Diante de uma certeza insofismável e deletéria, é quase impossível enganar a si mesmo.
    Essa virada, da qual trata a música, é mais recorrente, quando o “problema” vem de fundo fictício ou psicossomático: por algum motivo alheio a sua vontade, a cachola do sujeito “entra em parafuso”, então ele passa a enxergar chifre em cabeça de cavalo. Por exemplo: o camarada viciado em jogo do bicho: em tudo ele vislumbra imagem dos 25 animais figurados na roda. A esse tipo de ilusão dá-se o nome de pareidolia ou apofenia: as nuvens são um painel pitoresco e preferido desses prognosticadores.
    No terreiro da fazenda, o peru promove o show: sugere pra si um inimigo imaginário, infla a penungem para aumentar o volume e parecer mais ameaçador, começa a soltar torpedos, sempre girando em círculo. Se aparecer o capataz e partir pra cima do pavo, o picadeiro se desfaz: a ave se acomoda em seu cantinho, como se nada tivesse acontecido: foi tudo uma cortina de fumaça dispersada pelo vento!

  2. Um singelo tributo a Juvenal Galeno

    Ao longo da História , o fértil solo alencarino sempre germinou frutos valorosos , a exemplo de Juvenal Galeno da Costa e Silva .Nascido em 27 de setembro de 1836, em Fortaleza, estado do Ceará , primo legítimo do jurista Clóvis Beviláqua , do historiador maranguapense Capistrano de Abreu e do poeta soteropolitano Rodolfo Teófilo ,Juvenal Galeno foi um respeitado escritor , considerado o fundador do primeiro jornal cearense puramente literário , intitulado “Sempre Viva “, , destinado ao sexo feminino , como também fundador do primeiro jornal estudantil cearense , denominado “Mocidade Cearense”, direcionado à comunidade discente.Apesar da efêmera , os periódicos sinalizaram a vocação precoce daquele jovem ao universo da cultura e da literatura.

    Após ser enviado ao Estado do Rio de Janeiro pelo seu genitor a fim de adquirir maiores conhecimentos técnicos acerca do plano do café ,ofício agrícola desenvolvido pela família com expressiva relevância na economia regional ,Juvenal Galeno fez amizade com personalidades do romantismo pátrio , como Machado de Assis ,Saldanha Marinho ,Joaquim Manuel de Macêdo e Quintino Bocaiúva .Inspirado pelo clima fluminense , então Capital do Império , foi rapidamente seduzido pelas letras ,começando a escrever para o jornais impressos da época .Após seu retorno à cidade natal em 1856 , Juvenal Galeno trouxe na bagagem dois exemplares da obra “Prelúdios Poéticos”, cuidadosamente encadernado , reunindo suas publicações ,tendo oferecido o meticuloso trabalho aos pais José Antonio da Costa e Silva e Maria do Carmo Teófilo e Silva ,prósperos agricultores cafeeiros na região de Pacatuba ,Estado do Ceará .

    O livro é apontado pelos especialistas como a primeira obra literária cearense publicada ,marcando o início do romantismo no cenário estadual .Fazem parte de sua volumosa biografia :”A Machadada ;Poemas Fantásticos “(1860),A Parangaba:”Lenda Americana “(1861),Lendas e Canções Populares “(1865)(1871),Cenas Populares”,”Canções da Escola “Quem com Ferro Ferre ,com Ferro Será Ferido”(1861),”Cenas Populares”(1865),”Lira Cearenses””(1872 e “Folhetins de Silvanus”(1891).Mesmo após seu falecimento em 7 de março de 1931, por ocasião dos festejos cinquentenário da fundação da Casa de Juvenal Galeno, espaço destinado à reunião de intelectuais e à propagação da literatura alencarina , nos moldes dos salões franceses , foram editados posteriormente :”Cantigas Populares “(1969)e “Medicina Caseira”(1969).A devoção incondicional às letras fez de Juvenal Galeno um dos mais importantes literatos cearenses , digno de louvores.

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