A presença de Leminski, um poeta imortal, que hoje inspira os grafiteiros

Imagem relacionadaPaulo Peres
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O crítico literário, tradutor, professor, escritor e poeta paranaense Paulo Leminski Filho (1944-1989), que se foi tão cedo, deixou uma presença altamente positiva na cultura brasileira, que será imortal. Quase 30 anos depois da morte dele, no seu amado Paraná, encontra-se Leminski nas ruas do Rio de Janeiro e de muitas outras cidades, com seus versos inspirando artistas do grafite. 
ADEUS
Paulo Leminski

Adeus, coisas que nunca tive,
dívidas externas, vaidades terrenas,
lupas de detetive, adeus.
Adeus, plenitudes inesperadas,
sustos, ímpetos e espetáculos, adeus.
Adeus, que lá se vão meus ais.
Um dia, quem sabe, sejam seus,
como um dia foram dos meus pais.
Adeus, mamãe, adeus, papai, adeus,
adeus, meus filhos, quem sabe um dia
todos os filhos serão meus.
Adeus, mundo cruel, fábula de papel,
sopro de vento, torre de babel,
adeus, coisas ao léu, adeus.

2 thoughts on “A presença de Leminski, um poeta imortal, que hoje inspira os grafiteiros

  1. Paulo Leminski viveu uma vida curta 1944-1989, e viveu intensamente a poesia que estava dentro dele.
    Adeus – uma poesia de saudade. Saudade
    do que não viveu.

    Deixou dois epitáfios. Aqui vai o primeiro:
    .
    lápide 1
    epitáfio para o corpo

    Aqui jaz um grande poeta.
    Nada deixou escrito.
    Este silêncio, acredito,
    são suas obras completas.
    Paulo Leminski

  2. lápide 2
    epitáfio para a alma

    aqui jaz um artista
    mestre em desastres
    viver
    com a intensidade da arte
    levou-o ao infarte
    deus tenha pena
    dos seus disfarces
    Paulo Leminski

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