A quem interessa que haja conflito em Curitiba?

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Ilustração reproduzida do site Imprensa Viva

Marcus André Melo
Estadão

Interessa ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT maximizar o enfrentamento com o juiz Sérgio Moro. Elevar a visibilidade do conflito permite alcançar dois objetivos. O primeiro deles é reforçar a narrativa do golpe judicial contra a democracia. Com isso, o petista mira em dois públicos. O externo, ao reforçar a tese de que o julgamento do ex-presidente dá continuidade ao golpe do impeachment e ao jacobinismo judicial iniciado no mensalão. É perceptível, no entanto, que as reações favoráveis à narrativa do golpe enfraqueceram-se, se é que já não mudaram radicalmente.

A estratégia também mira no público interno dos “core voters” do PT, ao fornecer uma narrativa de vitimização para mobilizar interesses. O partido, no entanto, está em colapso.

CANDIDATURA – O segundo objetivo de Lula ao partir para o confronto com Moro é aumentar os custos das decisões judiciais ao vendê-las como decisões contra uma candidatura popular em 2018. Nesse ponto, os interesses do ex-presidente como réu e de seu partido convergem.

A Moro interessa manter o conflito sob controle, reduzindo seu escopo. A ciência política nos ensina que os juízes são atores estratégicos: antecipam as reações dos outros atores relevantes no jogo.

Os magistrados distinguem-se uns dos outros por características individuais, mas isso é assunto para a psicanálise. Alguns são boquirrotos e comprometem a credibilidade do Judiciário. Outros têm maior aversão ao risco.

OPINIÃO PÚBLICA – Como o ex-presidente, Moro espera contar com a opinião pública: o juiz aprendeu o papel essencial que ela cumpriu no sucesso da Mani Pulite (Mãos Limpas). Mas Moro também aprendeu quando é necessário reduzir o escopo do conflito, evitando a hiperpolitização. Como ator estratégico reage.

Mancuso, juiz da Mani Pulite, foi alçado a ministro da Justiça (cujo título em italiano, Guardasigilli, deveria servir de inspiração para os magistrados brasileiros). Mas foi o único ministro na história da Itália republicana a sofrer uma moção de censura no Parlamento, pelo qual perdeu o cargo.

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