A relação entre o Amor e a Morte, na poesia de Ariano Suassuna

Resultado de imagem para ariano suassunaPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O dramaturgo, romancista e poeta paraibano Ariano Vilar Suassuna, no poema “Noturno”, questiona-se sobre a ligação que faz entre amor e morte.

NOTURNO
Ariano Suassuna

Tem para mim Chamados de outro mundo
as Noites perigosas e queimadas,
quando a Lua aparece mais vermelha.
São turvos sonhos, Mágoas proibidas,
são Ouropéis antigos e fantasmas
que, nesse Mundo vivo e mais ardente
consumam tudo o que desejo Aqui.

Será que mais Alguém vê e escuta?

Sinto o roçar das asas Amarelas
e escuto essas Canções encantatórias
que tento, em vão, em mim desapossar.

Diluídos na velha Luz da lua,
a Quem dirigem seus terríveis cantos?

Pressinto um murmuroso esvoejar:
passaram-me por cima da cabeça
e, como um Halo escuso, te envolveram.
Eis-te no fogo, como um Fruto ardente,
a ventania me agitando em torno
esse cheiro que sai de teus cabelos.

Que vale a natureza sem teus Olhos,
ó Aquela por quem meu Sangue pulsa?

Da terra sai um cheiro bom de vida
e nossos pés a Ela estão ligados.
Deixa que teu cabelo, solto ao vento,
abrase fundamente as minhas mãos…

Mas não: a luz Escura inda te envolve,
o vento encrespa as Àguas dos dois rios
e continua a ronda, o Som do fogo.

Ó meu amor, por que te ligo à Morte?

6 thoughts on “A relação entre o Amor e a Morte, na poesia de Ariano Suassuna

  1. O homem das aulas espetáculos que arrancava risadas da platéia. Ele era muito espirituoso, engraçado. Dizia ele:
    “eu só escrevia tragédia, era terrível. Sobre sua obra prima: O “Auto da Compadecida” é uma peça cômica, a gente passa o tempo todo rindo, mas morre todo mundo.
    Só quem não morre é Chico. Eu tenho uma simpatia tão grande por Chico, que fiz ele não morrer.”

    Quando chegou em Curitiba para dar uma aula, uma mocinha se aproximou dele no aeroporto e perguntou: – fez boa viagem? Ele respondeu:
    minha filha, você vai me desculpar, mas não existe viagem de avião boa. Eu só conheço dois tipos de viagem de avião, as tediosas e as fatais. É uma coisa tão ruim, que a gente reza pra ser tediosa. (…)

  2. Belissimo poema escolhido por outro poeta Paulo Peres:
    o eu lírico diz que espera uma Mulher de asas e com dentes de cristal que se dá pra entender que ele se refere à Maria onde o levará ao céu onde ficará perto de Deus.
    Para ele a morte é uma consequência da vida, que nós todos vamos experimentar.

    “Sinto o roçar das asas Amarelas
    e escuto essas Canções encantatórias
    que tento, em vão, em mim desapossar.”

  3. O Amor e a Morte – Ariano Suassuna

    Com tema de Augusto dos Anjos

    Sobre essa estrada ilumineira e parda
    dorme o Lajedo ao sol, como uma Cobra.
    Tua nudez na minha se desdobra
    — ó Corça branca, ó ruiva Leoparda.

    O Anjo sopra a corneta e se retarda:
    seu Cinzel corta a pedra e o Porco sobra.
    Ao toque do Divino, o bronze dobra,
    enquanto assolo os peitos da javarda.

    Vê: um dia, a bigorna desses Paços
    cortará, no martelo de seus aços,
    e o sangue, hão de abrasá-lo os inimigos.

    E a Morte, em trajos pretos e amarelos,
    brandirá, contra nós, doidos Cutelos
    e as Asas rubras dos Dragões antigos.

Deixe uma resposta para Silvia Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *