As mães da periferia são um exemplo de vitória contra todas as adversidades

Os sem-bolsa

Sem qualquer apoio do governo, esta família segue em frente

Eurípedes Alcântara
O Globo

Essas mães me comovem. Elas estão todos os dias nos jornais lamentando a perda de joias que lapidaram com extremo esforço em meio a tantos perigos. Mães não se corrompem. Mães da periferia não entendem correlações.

Tudo na vida delas tem causa e efeito. As políticas públicas seriam bem mais eficientes se atendessem prioritariamente ao apelo das mães.

ESQUECEM AS HEROÍNAS – Não escrevo isso para mostrar que tenho coração. Escrevo porque, em meio a tanto diversionismo de demandas dos mandarins por férias de 60 dias, salários acima do que manda a lei e mobilizações por causas extremadas sobre gêneros e cores de pele ou ondulações de cabelos, esquecem-se as verdadeiras heroínas da batalha do bem contra o mal.

A luta delas é pela sobrevivência. É guerra pra valer. Comida no prato. Dinheiro contado para as viagens diárias de ida e volta da casa para o trabalho nos trens e ônibus lotados, incubadoras do vírus mortal da Covid-19.

Deveria haver um ministério em Brasília dedicado apenas às mães pobres das periferias. Não um ministério a mais, mas um que substitua qualquer desses criados só para dar a políticos empregos e oportunidades não republicanas.

LUTA PELOS FILHOS – Não sou candidato a nada, e nem é Dia das Mães, mas o carrossel de imagens delas chorando seus filhos nos jornais e nos programas de notícias das televisões deflagrou a necessidade de falar por elas.

A luta materna para salvar filhotes dos descaminhos da vida criminosa precisa ser conhecida, apoiada e defendida por governos, igrejas ou ONGs. É uma causa que talvez não dê tanta projeção, mas são elas que estão na trincheira onde a luta entre a barbárie e a civilização é travada, todos os dias antes de o sol nascer, entre o parco café da manhã e as despedidas — muitas para sempre.

Essas mães são a evidência mais concreta da complexidade de quebrar padrões.

INDAGA KAHNEMAN – O prêmio Nobel Daniel Kahneman perguntou numa live se as pessoas fazem escolhas erradas, por isso são pobres, ou se são pobres, por isso fazem escolhas erradas. Ele respondeu que a pobreza realimenta o ciclo de escolhas erradas — e que nem sempre são escolhas.

Pessoas da base da pirâmide vivem em lugares mais perigosos não por escolha, mas por não poder pagar um aluguel em bairros seguros.

Sentem muito mais fortemente o peso dos impostos regressivos, como a inflação de alimentos e do transporte, pois esses dois itens do orçamento familiar consomem quase toda a renda.

PESO MUITO MAIOR – Segundo pesquisa do ano passado feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), esse peso é dez vezes maior que aquele que recai sobre o orçamento das classes mais altas.

As mães da periferia são também testemunhas de uma perplexidade: se é impossível alcançar a igualdade de desempenho entre os próprios filhos e filhas, pessoas nascidas dos mesmos pais e criadas sob o mesmo teto, quão realista é esperar alcançá-la em divisões sociais mais amplas e profundas?

 

7 thoughts on “As mães da periferia são um exemplo de vitória contra todas as adversidades

  1. Aqui, na ponta da corda, daquela que sempre quebra do lado mais fraco: de quem vive sob fogos multivetoriais, as polícias são as suas piores inimigas. Numa abordagem de tamanho alcance, ignorar essas filiais da Gestapo, apenas duas razões explicam:
    1- Corvardia, para não sofrer represália;
    2- Ou alguém está soltando nota paga, para sacralizar uma força que se demoniza a cada chacina impune!

    • Bela matéria sobre as mães da periferia.
      Se os homens públicos, a maioria sem cacoete para política tivessem o mínimo de sensibilidade em saber que são filhos de alguma mãe, não estariam fazendo da vida pública um instrumento de enricar.
      Essa é a principal causa da miséria brasileira pois temos milhares de luizes inacios que acham que são políticos mas mas não passam de psicopatas arrogantes e ávidos por poder e dinheiro.
      Haja vista as rachadinhas eo onze caminhões levados cheios de pertences do Planalto.
      Todavia, enquanto tiver gente para votar em bandidos, a coisa só pode piorar.

  2. Paulo Freire e a ruína da educação

    Tenho mencionado repetidas vezes em artigos, vídeos e palestras que, enquanto conservadores e liberais estão sempre dispersos e atomizados nacional e internacionalmente, os marxistas, comunistas, fabianos et alii, formam e dispõem de uma quase secular rede de mútuo socorro em suas múltiplas organizações. O efeito disso se faz sentir ante qualquer necessidade em vários níveis da comunicação, da política dos povos e da política internacional, da cultura e das igrejas. Paulo Freire foi mercadoria bem iluminada nas vitrinas desses poderosos organismos.

    Sua fama foi erguida sobre dois fundamentos: o livro “A pedagogia do oprimido” (1968) e a anterior experiência de Angicos (pequeno município potiguar), onde, com grande repercussão internacional, alfabetizou 300 pessoas em 40 horas (1963).

    Hoje, essa orientação pedagógica cobra das novas gerações um preço descomunal. Muitos carregam o ônus da ignorância preservada, do talento contido na fonte e da futura mediocridade.
    Os números brasileiros do Pisa, entre 80 países, colocam-nos em lugares que variam entre 58º e 74º. Dois terços sabem menos do que o básico em matemática.

    Nenhum desenvolvimento social sustentável pode advir da degradação qualitativa de nossos recursos humanos. Somente o esforço conjunto de alunos, pais e bons mestres ainda remanescentes permite, a alguns, escapar das malhas da mediocridade. Eo resultado da “educação politizadora” se representa perfeitamente nos políticos que temos.

    Percival Puggina

  3. Percival Puggina

    Bolsonaro em Davos
    26 janeiro 2019 – 11h15

    Os setores que nos criticam têm, na verdade, muito o que aprender conosco. Queremos governar pelo exemplo e que o mundo restabeleça a confiança que sempre teve em nós.”(Presidente Bolsonaro, em Davos)

    O Brasil inteiro sabe que Jair Bolsonaro é um homem simples, embora sua formação possa ser até mesmo considerada sofisticada em comparação com a de Lula, por exemplo. A diferença entre ambos é a honestidade. Enquanto Bolsonaro não finge ser o que não é, Lula tem um caráter poliédrico, com uma face para cada circunstância. É capaz de ir a Davos e prometer que vai acabar com a fome no Brasil e no mundo, jurar que extinguiu a miséria e descrever o paraíso nacional enquanto o tiroteio corre solto nas cidades do país. A diferença entre Bolsonaro e Dilma é que enquanto esta pensa que sabe muito, mas pensa pouco e errado, ele tem consciência do que não sabe e, por isso, se cerca de pessoas que sabem muito.

    Foram essas virtudes, que se erguem acima do saber humano, que colocaram o novo presidente em sintonia com a maior parte do eleitorado brasileiro. Foram elas, também, que o fizeram compor o governo menos político-partidário da nossa democracia.

    A prudência é uma característica das almas simples. Foram essas virtudes que o levaram a exaltar em seu discurso a companhia dos ministros Paulo Guedes, Sérgio Moro e Ernesto Araújo.

    Em seu discurso, Bolsonaro foi polido e afirmativo. Deu as grandes diretrizes do que fará, falou das reformas, expôs seus valores, afirmou que o Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente no mundo. E faz isso malgrado a carência de recursos e à custa de uma menor produção de riqueza (quem mais assume tais sacrifícios?). Enfatizou a gigantesca obra educacional exigida pela realidade brasileira, assaltada pelos encolhedores de cabeças. Falou em Deus e em família. E quem não gostou vá assistir à Globo.

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