Bolsonaro diz a pastores que vai indicar André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal

O Presidente Jair Bolsonaro e o novo Ministro da Justiça e Segurança Pública André Mendonça durante sua cerimônia de posse, no Palácio do Planalto.

Mendonça bajula tanto que chega a constranger Bolsonaro

José Carlos Werneck

O presidente Jair Bolsonaro, infelizmente, parece que vai usar um critério heterodoxo para escolher o próximo ministro do Supremo Tribunal Federal: o critério da religiosidade. Foi o que ele afirmou, nesta terça-feira, a líderes evangélicos, ao anunciar que o ministro da Advocacia-Geral da União, André Mendonça, é o favorito para substituir Marco Aurélio Mello, que, em julho próximo, se aposenta cinco dias antes de atingir a idade limite.

O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, que não é exatamente um expert em assuntos jurídicos, está eufórico e disse não ser a primeira vez que Bolsonaro dá robustos sinais de que indicará  André Mendonça para o Supremo. 

DISSE MALAFAIA – “Ele já tinha falado comigo no dia 15 de março, quando estive (no Palácio do Planalto) para propor um jejum e estava com oito líderes. Ontem (segunda-feira), ele confirmou, mais uma vez. Isso já é uma verdade e o André é favoritíssimo. Não tem para ninguém”.

O presidente da República recebeu pastores evangélicos e deputados da bancada em audiências esta semana. Na primeira delas, Mendonça estava presente. Malafaia é um dos representantes religiosos que mais cobram a  indicação de um evangélico para o STF. 

“Por que o presidente vai se queimar? O maior grupo de apoio dele são os evangélicos. Lembre-se: não fomos nós que pedimos isso. Ele fala isso desde a campanha eleitoral”, disse o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

Mendonça pertence a uma igreja nova, sem templo próprio e vista por algumas denominações como “mais progressista”, por divergir do pensamento dominante no meio evangélico, considerado mais conservador.

SEM TEMAS POLÍTICOS – A Igreja Presbiteriana Esperança de Brasília, onde Mendonça  atua como pastor, evita temas políticos. Ele já manifestou reserva a iniciativas de Bolsonaro, como a defesa de armas de fogo, e discute abertamente como “apoiar, capacitar e emancipar as mulheres em espiritualidade, liderança e serviço”.

A exótica promessa  de indicar um ministro “terrivelmente evangélico” para o STF foi feita pela primeira vez,pelo presidente, em julho de 2019, num evento com a bancada  temática no Congresso Nacional, ocasião em que afirmou:. 

“O Estado é laico, mas nós somos cristãos. Ou, para plagiar minha querida Damares (Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos): nós somos terrivelmente cristãos. E esse espírito deve estar presente em todos os Poderes. Por isso, meu compromisso: poderei indicar dois ministros para o Supremo Tribunal Federal; um deles será terrivelmente evangélico”.

NUNES MARQUES – Um ano depois, indicou Kassio Nunes Marques para a primeira vaga aberta no tribunal,em seu mandato, com a aposentadoria do ministro Celso de Mello. Nunes Marques não é evangélico e a escolha provocou muito descontentamento,entre os integrantes deste segmento religioso e muitos aliados do presidente foram às redes sociais para protestar, e isso só foi apaziguado com a promessa de indicar para a segunda vaga um evangélico.

Como se vê, além da pandemia, estamos vivendo momentos extremamente difíceis. Seria cômico, se não fosse trágico, e milhares de vidas não teriam sido perdidas se o presidente não fosse terrivelmente negacionista.

Mas tudo vai passar.

14 thoughts on “Bolsonaro diz a pastores que vai indicar André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal

  1. Eta brasilzinho.
    Lá atrás em 1990, Collor poderia ter indicado para comandar a Economia, o Dr. Roberto de Oliveira Campos; preferiu a Zélia.
    Bolsonaro poderia ter indicado para o Supremo o Sérgio Moro; preferiu o Nunes.
    Tem chance de dar certo??

  2. Só lembrando que desde o papa Paulo VI, os religiosos são proibidos de apoiar candidaturas e tb de se candidatar a qq cargo público.
    Está no Novo Testamento: Daí a Cezar o que é de Cezar e à Deus o que é de Deus.
    É óbvio que o povo é religioso mas isso não deveria ter conexão com a política.
    A única coisa que a religião católica não concorda é com a legalização do aborto. Porém isso não é política e sim uma questão de autorizar a eliminação de naciturnos.

  3. Presidente do PSC, mesmo partido de Bolsonaro à época, o pastor Everaldo comandou a cerimônia de “batismo” de Bolsonaro no Rio Jordão, em Israel, em 2016.

    O Pastor “batizou” o Messias, sem qualquer exagero.

    Em agosto do ano passado (2020) o pastor Everaldo foi preso em operação que também acabou por afastar Wilson Witzel do cargo de governador do Rio de Janeiro…

    Apenas lembranças…

  4. Bom dia ,leitores (as):

    Senhores José Carlos Werneck , cabe aos senadores da república o dever e obrigação de impedir o ” ENDOSSO E APROVAÇÃO ” , de pessoas ” DESQUALIFICADAS , DESONESTAS , E DE MÁ ÍNDOLE ” indicadas pelo Presidente Jair Bolsonaro p/o Supremo Tribunal Federal-STF , já bastam os que lá estão , como ministros/juízes.

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