Braga Netto prega união contra iniciativas de desestabilização e pede respeito às urnas

Declaração foi dada durante troca do Comando do Exército

Ricardo Della Coletta
Folha

Com o governo desgastado pelo avanço da pandemia e pressionado pela instalação da CPI da Covid no Senado, o ministro Walter Braga Netto (Defesa) afirmou nesta terça-feira, dia 20, que o Brasil “precisa estar unido contra qualquer iniciativa de desestabilização institucional” e que “é preciso respeitar” o “projeto escolhido pela maioria dos brasileiros” para governar o país.

“O momento requer um maior esforço de união nacional, com foco no combate à pandemia e no apoio à vacinação. Hoje o país precisa estar unido contra qualquer tipo de iniciativa de desestabilização institucional, que altere o equilíbrio entre os poderes e prejudique a prosperidade do Brasil”, declarou.

SOLENIDADE – A fala do ministro ocorreu durante solenidade de transmissão do comando do Exército, em Brasília. O general Edson Pujol passou o posto para o também general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira.

“Enganam-se aqueles que acreditam estarmos sobre um terreno fértil para iniciativas que possam colocar em risco a liberdade conquistada por nossa nação. É preciso respeitar o rito democrático e o projeto escolhido pela maioria dos brasileiros para conduzir os destinos do país. A sociedade, atenta a essas ações, tenha a certeza que suas Forças Armadas estão prontas a servir aos interesses nacionais.”

“Neste período de intensa comoção e incertezas, que colocam à prova a maturidade e a independência das instituições democráticas brasileiras, o Exército, a Marinha e Força Aérea mantêm o foco em suas missões constitucionais, permanecendo sempre atentas à conjuntura nacional”, concluiu o ministro.

CRISE MILITAR – Braga Netto, que chegou ao Ministério da Defesa na esteira da maior crise militar desde a redemocratização, deu as declarações em meio ao forte desgaste político esperado com a instalação da CPI da Covid.A comissão foi criada por decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), e deve ter como relator o senador Renan Calheiros (MDB-AL), considerado um adversário político pelo Palácio do Planalto.

A expectativa é que o início do funcionamento do colegiado provoque forte desgaste para o Planalto. A cúpula da CPI quer, por exemplo, traçar uma linha do tempo e iniciar os trabalhos esquadrinhando as razões que levaram à queda dos ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich.

O objetivo é entender, por exemplo, se houve e como se deu a pressão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para que o governo defendesse, no tratamento contra a Covid-19, o uso da hidroxicloroquina —medicamento sem eficácia comprovada contra a doença.

COMPRA DE VACINAS – Os senadores também querem esmiuçar as tentativas de compra de vacinas pelo Executivo e o que levou o governo a recusar oferta da Pfizer para a compra de imunizantes. A chegada de Braga Netto ao ministério da Defesa e a substituição de Pujol também ocorreram num contexto de crise. No final de março, Bolsonaro decidiu demitir o ex-ministro da Defesa, Fernando Azevedo.

Segundo interlocutores, o agora ex-ministro da Defesa vinha resistindo a pressões de Bolsonaro por um maior apoio das Forças Armadas na defesa de medidas do governo, principalmente na oposição a políticas de distanciamento social adotadas por governadores e prefeitos.

Além disso, Azevedo vinha bloqueando as investidas do presidente pela saída de Pujol do comando do Exército. Como resultado da demissão de Azevedo, Pujol e os então comandantes da Marinha e da Aeronáutica também anunciaram que deixariam seus postos.

13 thoughts on “Braga Netto prega união contra iniciativas de desestabilização e pede respeito às urnas

  1. O projeto escolhido pelo povo nas urnas não é o que foi prometido e não está sendo cumprido. Respeito as urnas sim, mas respeito aos eleitores não?

    • Exactly right – o seu Braga Netto deve compreender esse aspecto: o respeito ao povo. O atual presidente, e digo atual porque ele vai rodar mais cedo ou mais tarde, afrontou a decência ao se portar com descompustura vária vezes, foi relapso nas ações no meio ambiente e irresponsável no combate á covid. Pior que ele só o demo.

  2. O maior respeito as urnas é retirar do comando da nação uma pessoa que se mostrou totalmente despreparada para o cargo e está levando a saúde pública para o abismo.

  3. Um MEDÍOCRE! Menino de recados . Será que também defendeu o “respeito às urnas” no impeachment da dona Dilma? Um boçal!!! Pau mandado de um delinquente. Tudo por um carguinho não é mesmo…

  4. O Braga quer briga! Despeitar as urnas, sim! Mas e os compromissos que o Minto assumiu e não cumpriu, não é um desrespeito com a maioria que o elegeu?
    Tem de jogar na cara de sujeitos assim a VERDADE!
    A oposição e os seguidores fanáticos do Minto – estelionatário eleitoral, não tem moral para tirá-lo. No entanto, milhões que lhe elegeram tem o direito e o dever de cobrá-lo, responsabilizá-lo e pedir sua saída!
    Podem falar assim para idiotas, para a gadolândia, mas para brasileiros de VERDADE não!!!
    Fallavena

  5. O general Braga Netto comprova o que venho escrevendo há tempos na TI:
    Militar quando se mete a político é um desastre. Da mesma forma, quando um político quer ser militar é uma tragédia.

    Colegas, acima, foram pródigos em suas análises a respeito desse discurso do general.
    Ele faz um alerta sobre a manutenção das instituições democráticas – contradição imensa, em se tratando de um general falar em democracia! -, e que as FFAA não irão permitir qualquer desestabilização no País, que seguirá o seu curso sem interferências indesejáveis.

    Como se refere o Editor, tradução simultânea:
    O povo tem mais é que ficar quieto e calar a boca! Manda quem pode, obedece quem precisa.

    Se fomos enganados nas eleições;
    se o candidato depois de eleito não é nem sombra daquilo que prometera;
    se suas promessas não são cumpridas;
    se descobrimos que tem uma cauda imensa de corrupção consigo;
    se não honra a sua palavra;
    se é um traidor de seus aliados;
    se é mal intencionado;
    se é um incompetente;
    se desconhece por completo o setor econômico, a ponto de a inflação retornar com a sua força destruidora de salários populares;
    se maltrata a população;
    se deixa o povo desempregado;
    se aumenta, intencionalmente, o desemprego;
    se permite o aumento da miséria e da pobreza;
    se pouco se importa com a fome ter se alastrado no País;
    se concede à violência agir sem qualquer empecilho;
    se oferece uma educação medíocre às crianças;
    se a saúde pública não atende a população a contento;
    se as instituições são tratadas pelo presidente à base de pontapés;
    se, através da sua política exterior, deixou o Brasil isolado no cenário mundial;
    se o desrespeito e falta de educação, agressão e insultos, caracterizam a conduta presidencial perante o cidadão;
    se guarda a sete chaves as suas despesas com o cartão corporativo;
    se as suas férias custaram milhões de reais ao contribuinte;
    se libera impostos à importação de armas, mas mantém ou aumenta sobre produtos essenciais à população;
    se confronta abertamente a Constituição, que determina o Brasil ser uma Nação laica, porém concede perdão fiscal às igrejas neopentecostais, justamente obrigando que todos os habitantes paguem por esta decisão estapafúrdia e inconstitucional;
    se o descaso pela pandemia desde o seu surgimento, que já vitimou fatalmente 380 mil brasileiros;
    se a compra de vacinas foi negligenciada, ocasionando mais mortes desnecessárias;
    se até oxigênio faltou aos pacientes do Covid, onde muitos morreram dentro de ambulâncias em verdadeira agonia;
    se temos dois eminentes corruptos presidindo o antro de venais, câmara e senado, candidatos do presidente;
    se não temos qualquer possibilidade de recuperação do Brasil, em razão do caos que se encontra …

    SE, tais itens apontados, o general os omitiu, e apenas se dirigiu ao povo avisando que as FFAA estão atentas a quaisquer manobras “antidemocráticas”, porém sem olhar para o presidente a respeito do seu comportamento nocivo e nefasto ao povo e País, Braga Netto abordar a democracia soa muito estranho, além de estar desafinado o seu discurso com a realidade brasileira.
    A menos que a sua democracia seja esta, que mencionei em vários tópicos:
    Cabe a nós somente obedecer e outorgar poderes, então o general foi claro conosco.

    Agora, diante desta situação atual que nos encontramos, Braga Netto querer falar sobre democracia, eu não imaginava o dom humorístico do militar ou, lá pelas tantas, no seu papel de político está demonstrando que também é cínico e hipócrita!

    Aponta o dedo, general, para os que estão ao seu lado e que se dizem leais, porém suas atitudes são absolutamente de traição e deslealdade para com o povo e País, e até para com o senhor, mesmo sendo um General de Exército, e fulgurantes quatro estrelas em cada um de seus ombros.

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