Cabral teria de trabalhar mais de mil anos para devolver os recursos que desviou

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Charge do Mariano (Charge Online)

Natália Lambert
Correio Braziliense

Se o escândalo do mensalão já tinha mostrado à sociedade a falta de respeito de alguns agentes públicos com o dinheiro do povo, trocando votos no parlamento por uma mesada de milhares de reais, o esquema de desvio de recursos da Petrobras, conhecido como petrolão, choca especialmente pelas cifras. Empresários e políticos trataram milhões como se fossem trocados. Em pouco mais de três anos de Operação Lava-Jato, estima-se que os desvios superam os R$ 35 bilhões, dos quais, mais de R$ 8 bilhões já foram recuperados por meio de acordos com delatores e empresas.

As quantias são tão altas que, em certos casos, como o envolvimento do ex-governador Sérgio Cabral, os políticos teriam de trabalhar um milênio para alcançar os valores recebidos ilegalmente.

PALOCCI É EXEMPLO – Disposto a fechar acordo de delação premiada, o ex-ministro dos governos petistas Antonio Palocci (PT-SP) — considerado um dos principais homens do PT no esquema por delatores da Odebrecht — é um que precisaria somar muitos anos de labuta para alcançar o montante de propina. O petista, inspiração da planilha “Programa Especial Italiano” na empreiteira, segundo delatores, é réu em dois processos e suspeito de ter recebido R$ 128 milhões ilegais — parte seria destinada à legenda. Como ministro, Palocci precisaria trabalhar 318 anos para ter a oportunidade de acumular tanto dinheiro.

Preso em Curitiba desde setembro do ano passado, Palocci trocou de advogado na última sexta-feira para fechar um acordo de delação premiada. A expectativa sobre o que ele tem a dizer é grande.

O fato de o relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, ter enviado a análise do pedido de habeas corpus do petista para o plenário — com tendência a mantê-lo preso — e a divulgação das colaborações do casal de marqueteiros Mônica Moura e João Santana deixaram o político mais disposto para delatar os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. “Acredito que posso dar um caminho, talvez, que vá lhe dar mais um ano de trabalho, mas é um trabalho que faz bem ao Brasil”, chegou a dizer Palocci ao juiz Sérgio Moro, em depoimento, em 20 de abril.

CABRAL RECORDISTA – O caso mais impressionante de desvios de recursos públicos é o do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB), preso desde novembro de 2016, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste do Rio. O peemedebista é acusado de comandar um esquema de propinas que arrecadou mais de R$ 500 milhões no Brasil e movimentou mais de US$ 100 milhões no exterior.

Ele é réu em quatro ações penais e responde a outros processos por lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas. Só nas delações de executivos da Odebrecht, Cabral é acusado de ter recebido R$ 58 milhões.

No exterior, ele teria depositado mais US$ 80 milhões (R$ 250 milhões na cotação atual). Para alcançar honestamente os R$ 308 milhões recebidos, o ex-governador teria de exercer a função por 1.083 anos.

MUITO DINHEIRO – “São cifras inimagináveis”, afirma o procurador da República Sérgio Pinel, integrante da força-tarefa da Operação Lava-Jato no Rio de Janeiro. Na opinião do procurador, a sociedade é vítima de um gigante esquema criminoso.

“No caso do Rio, a prática da organização criminosa era cobrar propina de 5% de grande parte das construtoras em qualquer obra. É uma dimensão surpreendente ver que a organização, liderada pelo ex-governador, tinha os braços estendidos em diversas áreas do estado. São centenas ou milhares de crimes cometidos”, comenta.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGAs leis brasileiras precisam ser adaptadas a esse fenômeno criminal da corrupção, que mais parece uma epidemia. Não se pode punir da mesma forma  um ladrão de galinhas e um ladrão de casaca, como diria Hitchcock. Cabral, por exemplo, merece ficar na cadeia até os fins de seus dias, e sem dormir no ar condicionado da biblioteca da prisão, como está acontecendo hoje, por generosidade de seu cúmplice Luiz Fernando Pezão, que também conhecido pela alcunha de “Mão Grande”. Mas a fila anda e logo Pezão estará fazendo companhia a seu chefe. (C.N.)

One thought on “Cabral teria de trabalhar mais de mil anos para devolver os recursos que desviou

  1. Um povo que alimenta o tráfico de drogas com o consumo até exagerado. Que vota por várias vezes no mãozão, ou seja no Cabral, que elege o seu candidato o pezão, pode reclamar da situação que se encontra o seu estado?
    Tudo o que acontece no Rio de Janeiro é culpa exclusiva da sua população. Quando o próprio povo trabalha contra os seus interesses, resultados são os que estamos vendo.
    Ai vem a comparação com o ovo e galinha, quem nasceu primeiro? No Rio é mais o menos a mesma coisa, quem é culpado, o governo que não educa o povo, ou são os eleitores que escolhem mal? A verdade é que a coisa degringolou de vez.
    O governo federal por sua vez também da a sua contribuição para manter a bagunça. Vai dar ajuda financeira sem intervir diretamente numa administração completamente comprometida e ineficaz. Vai empurrar com a barriga a situação.
    Agora manda para o Rio a tal Força Nacional, que é um verdadeiro cobertor curto, se cobre a cabeça, descobre os pés. Esta força é formada por PMs de outros estados que ficam com deficiência de policiamento.
    O que é que um policial do Amazonas vai fazer numa favela carioca? Sem que nunca tenha visto uma “comunidade” ao vivo? Não tem jeito.
    Esta tudo errado, só não sei se algum dia, alguém vai ter alguma ideia que possa melhorar
    o caos que vivemos.

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