Assessor especial do Planalto ataca Supremo e diz que vai “para guerra “com Bolsonaro’

Max Guilherme Machado Moura, assessor especial do presidente Jair Bolsonaro, ataca STF e diz que vai "para guerra" - Reprodução

O assessor Max e o presidente parecem não ter medo do ridículo

Deu no Correio Braziliense
Agência Estado

Em publicação no Instagram, Max Guilherme Machado Moura, assessor especial do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) atacou os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando que “onze homens vestido sic de preto” teriam “estrangulado” a Constituição Federal.

Acrescentou que a Suprema Corte teria deferido “duros golpes” contra a Carta Magna, pela qual declarou luto, e disse que irá “para guerra com Bolsonaro”

OBITUÁRIO CONSTITUCIONAL – “Morre aos 33 anos de forma trágica a Constituição da República Federativa do Brasil. Nascida no dia 5 de outubro de 1988, tentou de todas as formas imprimir a democracia no Brasil, mas o seu guardião, o STF, deu duros golpes em sua cabeça, degolando todas as suas leis e decaptando (sic) todas as suas tentativas de manter o País vivo. Foi estrangulado de forma covarde por onze homens vestido sic de preto. #VouPraGuerraComBolsonaro”, diz a imagem publicada pelo assessor.

Max, que é ex-oficial do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro, é próximo do presidente Jair Bolsonaro. Em suas redes sociais, o assessor costuma fazer transmissões ao vivo junto com o chefe do governo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Como diz nosso amigo Merval Pereira, o presidente está no limite e pode explodir a qualquer momento. E seus assessores, infelizmente, acompanham o desequilíbrio emocional de Bolsonaro. Deviam aumentar a dose de tranquilizantes. (C.N.)

Pressão pró-Amazônia aumenta no exterior e já mobiliza até o Parlamento Europeu

Se a grilagem dos terras for combatida, o desmatamento vai acabar

Ana Carolina Amaral
Folha

Cresce uma frente forte de oposição contra o chamado “PL da grilagem”, projeto de lei que facilita a regularização fundiária de terras ocupadas no Brasil, incluindo áreas de florestas que foram ilegalmente desmatadas na região amazônica.​

A pressão contra o PLS 510/2021 começou com ambientalistas e ganhou a adesão de empresários brasileiros. Nesta semana, grandes redes varejistas da Europa também se pronunciaram contra o projeto, ameaçando, em carta a parlamentares do Brasil, boicotar produtos brasileiros caso ele seja aprovado. Agora, essa pressão chegou ao Parlamento Europeu e coloca em risco o acordo do bloco com o Mercosul.

CAUSA DO DESMATAMENTO – A grilagem de terras é um dos principais motores do desmatamento na Amazônia, já que a derrubada das árvores é usada por invasores para demarcar a posse do terreno. Como essa ocupação geralmente é consolidada através da criação de gado, a imagem do agronegócio brasileira fica implicada em possíveis elos com a grilagem e o desmatamento.

A expansão do desmatamento no Brasil durante o governo Jair Bolsonaro (sem partido) tornou o país alvo de pressão na esfera internacional para a adoção de medidas mais rígidas de fiscalização e combate ao problema, em um cenário de crescente preocupação com o meio ambiente liderada pelo novo presidente americano, Joe Biden.

Diante da reação negativa, o projeto, que seria votado no Senado no último dia 28, foi retirado de pauta pelo presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

NOVAS GRILAGENS – Os pontos de maior preocupação de ambientalistas sobre o texto são a mudança do marco temporal das ocupações passíveis de regularização e a possibilidade de regulamentação sem vistoria.

“Essa lógica de constante flexibilização do marco temporal e do tamanho dos imóveis a serem titulados acaba por legitimar práticas de grilagem e estimular novas ocupações ilegais, aumentando a pressão sobre as florestas públicas”, afirmou em nota a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, que reúne 280 entidades ambientalistas e do agronegócio.​

Fontes ouvidas pela reportagem entre o empresariado brasileiro afirmam que essas terras devem ser regularizadas, mas temem que isso seja feito durante o governo Bolsonaro, dado o risco de que a gestão aproveite a iniciativa para “passar a boiada”.

UM SINAL EVIDENTE – “Se o projeto de lei for aprovado, enviará um sinal à União Europeia de que o Brasil não está comprometido com o combate verdadeiro e efetivo do desmatamento, e isso tornaria impossível para o Parlamento Europeu ratificar o acordo com o Mercosul”, disse à Folha a eurodeputada Anna Cavazzini, vice-presidente da delegação para relações com o Brasil e membra do partido Verde alemão.

Para os europeus, o projeto aumenta um alerta que já existia. “Nós já temos várias preocupações sobre os impactos que o acordo comercial poderia ter para o desmatamento, e a aprovação dessa nova legislação exacerba ainda mais nossa preocupação”, afirmou.

O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul está parado no Parlamento Europeu por conta da preocupação de que os incentivos comerciais sem condicionantes ambientais possam acelerar a conversão da floresta amazônica em terras que visem à produção e exportação de commodities.

MEDIDA RESTRITIVA – A Comissão Europeia também prepara uma medida para evitar importações associadas a desmatamento e deve apresentar em junho uma proposta legislativa para obrigar empresas importadoras e operadores financeiros a se responsabilizar pelas conexões das suas cadeias com o desmatamento nos países exportadores.

No Reino Unido também tramita uma legislação semelhante para obrigar as importadoras do país a se responsabilizar pelo rastreamento das cadeias e garantia de origens desvinculadas de desmatamento.

Os três maiores bancos privados brasileiros – Santander, Bradesco e Itaú – também estudam maneiras de atuar com o crédito na Amazônia sem se vincular à grilagem e ao desmatamento.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Essa pressão internacional vai aumentar cada vez mais. O Brasil só tem uma saída – preservar a Amazônia e lucrar muito com ela, através da exploração de suas riquezas em sistema inteligente e sustentado, transformando também a região no maior polo turístico mundial, beneficiado pelo clima de calor o ano inteiro.
(C.N.)

Prefeitura de Uberlândia avisa que pedido de senador na CPI não é cabível nem possível

Senador Ciro Nogueira diz julgar importante investigar também Estados e municípios Foto: MARCOS OLIVEIRA/AGÊNCIA SENADO

Só falta Ciro Nogueira querer saber a cor da cueca do prefeito…

Filipe Vidon
O Globo

A prefeitura de Uberlândia, Minas Gerais, enviou um ofício nesta quarta-feira ao presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), questionando a extensão de um dos requerimentos feitos pelo senador governista Ciro Nogueira (PP-PI). Segundo a prefeitura, o parlamentar solicitou informações que extrapolam o escopo de atuação do colegiado que está investigando a condução da pandemia de coronavírus.

Em um primeiro requerimento, Ciro Nogueira solicitou que estados e municípios de até 200 mil habitantes enviassem notas de empenho, notas ficais, ordens bancárias, processos administrativos e outros relativos a verbas recebidas do governo para o combate à Covid-19. Mas dois dias depois, o senador fez um novo pedido para a comissão em que solicita dados indiscriminados sobre todos os gastos direcionados para a Saúde em 2020 e 2021 nesses locais.

PEDIDO AMPLO DEMAIS – “Em aditamento ao requerimento nº 139/2021, que sejam incluídas cópias de todos os empenhos/contratos das ações orçamentárias da Saúde, liquidação da despesa/nota fiscal e ordem bancária, detalhando a fonte de recursos e data/hora da fonte/Sistema de Execução Orçamentária, Financeira, Contábil e Patrimonial (…) Incluir, ainda, o demonstrativo de todas as doações nacionais e internacionais recebidas para o enfrentamento da pandemia. Cabe ressaltar que deverão constar as fontes financeiras dos respectivos estados e municípios, demonstrando por meio de conciliação bancária dos repasses financeiros constitucionais para saúde, bem como as respectivas Células Orçamentárias”, diz o requerimento.

Além de exigir um prazo maior que os cinco dias úteis estabelecidos para a entrega de todos os documentos, a Prefeitura de Uberlândia afirma que o pedido do senador extrapola “muito” as atribuições da CPI. E afirma que, se o pedido for aceito, a entrega de todos os documentos no tempo determinado é “humanamente impossível”.

ESTRATÉGIA DO PLANALTO – Antes mesmo de a CPI ser instalada, a principal estratégia da base governista era expandir o escopo de atuação da proposta enviada pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que mira apenas a União.

Após debates e consultas ao regimento interno do Senado, ao oficializar a abertura da comissão, o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), decidiu apensar a proposta de Eduardo Girão (Podemos-CE), que também contempla estados e municípios.

Apesar disso, Pacheco permitiu a apuração sobre recursos federais repassados relacionados à pandemia, mas excluiu matérias de competência constitucional dos estados e do Distrito Federal.

MAIS PEDIDOS AINDA – Além das informações sobre as verbas recebidas por estados e municípios, Ciro Nogueira já apresentou um pedido para que as diretorias da Polícia Civil nos estados e a Polícia Federal enviem cópia integral de todos os inquéritos que tratam de recursos federais enviados para o combate à pandemia.

Ele também solicitou que os tribunais de contas estaduais, os tribunais de contas municipais e o TCU enviem cópia integral de todos os processos de investigações sobre recursos federais com o mesmo destino.

Em minoria na composição do colegiado, as tentativas de tirar o foco da União vêm sendo mal sucedidas. Em duas semanas de funcionamento, a CPI está seguindo a trajetória desejada pela oposição e está mapeando as ações do Ministério e do presidente na condução da crise sanitária.

Ministros se reúnem com embaixador da China para amenizar acusações feitas por Bolsonaro

Marcelo Queiroga (Saúde) em visita ao centro de distribuição de vacinas do Ministério da Saúde, em Guarulhos - BRUNO ROCHA/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO

Queiroga e o chanceler Carlos Franca se desculpam hoje com o embaixador

Julia Lindner e André de Souza
O Globo

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e o chanceler Carlos França vão se reunir nesta sexta-feira com o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming. De acordo com Queiroga, o intuito é “ampliar as relações” entre os países “independente de quaisquer fatos”. O encontro ocorre dois dias após o presidente Jair Bolsonaro insinuar que os chineses podem ter criado o novo coronavírus em laboratório como parte de uma “guerra química”.

— Vamos continuar trabalhando para manter as boas relações que o Brasil tem com a China, no que tange a questão da saúde eu e o ministro Carlos França estamos trabalhando juntos. Amanhã nós temos uma audiência agendada com o embaixador chinês. E estou muitas esperanças que consigamos ampliar essas relações com a China independente de quaisquer fatos — disse Marcelo Queiroga durante depoimento à CPI da Covid.

RELAÇÕES ABALADAS – Queiroga falou sobre o encontro ao ser indagado pelo senador Humberto Costa (PT-CE) se a fala de Bolsonaro contra a China ajuda ou atrapalha o esforço que tem sido feito pelo Ministério da Saúde para a aquisição de vacinas e insumos.

— Eu imagino que ajudou muito a fala do presidente e o senhor vai chegar amanhã na Embaixada da China e vai ser recebido de braços abertos — ironizou Humberto Costa, após a resposta.

De fato, as declarações de Bolsonaro sobre a China repercutiram negativamente na CPI. Logo no início da sessão, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) apresentou requerimento para que o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, seja ouvido no colegiado para explicar se há, de fato, indícios de uma guerra química como apontado por Bolsonaro.

QUEIROGA IMPRENSADO – Tasso perguntou a Queiroga se ele tinha conhecimento de alguma informação que aponte a origem do coronavírus como uma guerra química proveniente da China. “Eu desconheço esses aspectos. O que posso dizer em relação à China é que nossa relação com o embaixador da China é a melhor possível” — disse Queiroga.

O senador cearense insistiu se Queiroga sabia se, nas instituições mundiais de credibilidade, há algum indício de que isso seja produto de alguma guerra química. “Desconheço indícios de guerra química” — respondeu o ministro.

Queiroga chegou a dizer que Bolsonaro não mencionou a China. Jereissati rebateu, argumentando que, mesmo sem mencionar o nome do país, as declarações do presidente apontavam, sim, para a China.

Importadores europeus ameaçam boicotar commodities do Brasil caso grilagens sejam legalizadas 

Charge do Genildo (genildo.com)

Rosana Hessel
Correio Braziliense

A possibilidade de o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), colocar na pauta o projeto de lei da grilagem, o PL 2633/2020, provocou reações internacionais. Grandes fabricantes de alimentos e redes varejistas da Europa, como Tesco, Sainsbury e Marks & Spencer, ameaçaram boicotar as commodities agrícolas brasileiras se houver avanços nessa proposta ou na que tramita no Senado.

Em carta aberta divulgada, nesta quarta-feira (05/05), 37 entidades europeias alertaram os parlamentares brasileiros que, no caso da aprovação dos projetos de lei que prejudicam as proteções hoje existentes para a Amazônia, “devem reconsiderar o apoio e o uso de commodities agrícolas brasileiras em toda a cadeia de suprimentos”.

AMEAÇAS AINDA MAIORES – De acordo com a carta, os dois projetos de lei trazem ameaças “potencialmente ainda maiores para a Amazônia do que antes” e apontaram contradição no discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Cúpula do Clima.  “

Essas medidas são contrárias à narrativa e retórica que vimos internacionalmente, do Brasil, recentemente, em 22 de abril de 2021, na cúpula com o presidente dos EUA, Joe Biden”, acrescentou o documento.

O presidente da Câmara, Arthur Lira,

 pretende submeter a proposta de inclusão do PL 2644/202 na pauta da Casa à aprovação do colégio de líderes.  A reunião, normalmente, ocorre às quintas-feiras, e, portanto, ainda não há nada definido sobre o assunto, porque a sugestão precisará partir de alguma liderança para ser incluída na pauta.

O SEGUNDO PROJETO -No Senado, há um projeto semelhante, o PL 510/2021, que também trata da regularização fundiária em áreas da União localizadas na Amazônia Legal e que foram invadidas por grileiros. 

A matéria foi retirada da pauta do último dia 28, mas continua recebendo emendas de parlamentares.

Na terça-feira, mais de 60 bispos da Amazônia enviaram uma carta ao presidente do Senado, Ricardo Pacheco, alertando sobre os impactos da do PL 510/2021 na Amazônia, afirmando que “não há urgência ou lacuna legal que justifique o retorno de um PL sobre tema tão complexo”.

NÃO É SURPRESA – Para o Greenpeace Brasil, esse movimento dos varejistas europeus contra a regularização da ocupação ilegal de terras na Amazônia Legal pelo Congresso não é surpresa. “Vemos, com indignação, mais uma vez a política antiambiental do governo brasileiro ameaçando a economia do país”, informou a entidade, em nota enviada ao Blog.

“Em um momento em que o Brasil precisa de comida e vacina para sua população, deputados e senadores ruralistas, com apoio e incentivo do Planalto, tentam, a todo custo, aprovar medidas que irão causar mais desmatamento e violência no campo, como PLs que legalizaram a grilagem e fragilizam o licenciamento ambiental”, destacou o documento.

Na avaliação da ONG, é vital que as empresas que operam no país também tomem ações concretas para reverter esta situação e atuem para acabar com o desmatamento agora, e não em 2030.

BOLSONARO INSISTE – O presidente Bolsonaro tem defendido a regularização fundiária e a legalização da produção de commodities em terras indígenas, em um claro movimento para atender às pressões da bancada ruralista. Ele, inclusive, tratou desse assunto na live da última quinta-feira, quando levou o presidente do Instituto Nacional do Índio (Funai), Marcelo Xavier da Silva, e aproveitou para criticar os europeus.

O especialista em relações internacionais e CEO da BMJ Consultores Associados, Wagner Parente, destacou que a aprovação do PL da grilagem só contribuirá para piorar a imagem do Brasil lá fora, uma vez que há um movimento de vários parlamentares europeus condenando as ações de Bolsonaro no combate à pandemia de forma mais contundente do que os parlamentares brasileiros que conduzem a CPI da Pandemia.

“As críticas são generalizadas e não são de apenas um único país. O desgaste da imagem já existe na área ambiental e na condução da pandemia, e esses PLs contribuem ainda mais para que o acordo entre Mercosul e União Europeia continue trancado na gaveta”, alertou Parente, lembrando que o projeto da grilagem não é apenas de Bolsonaro, mas da bancada ruralista, “que não tem apenas apoiadores do presidente”.  “Nesse caso, o ônus da imagem não é apenas do governo”, afirmou.

Após desgastes, PSD permanece no Centrão, mas já se afasta de Jair Bolsonaro, de olho em 2022

Ex-ministro Gilberto Kassab, presidente do PSD Foto: Ruy Baron / Agência O Globo

Indiciado por corrupção, Kassab negocia o PSD sem constrangimento

Augusto Fernandes e Israel Medeiros
Correio Braziliense
  

A aliança formada pelo presidente Jair Bolsonaro com partidos do Centrão ao longo de 2020 vem se desgastando nos últimos meses, e o PSD, um dos partidos que prometeu sustentação política ao mandatário no Congresso, já traça uma estratégia para descolar a sua imagem do governo federal — algo que já pode ser percebido na CPI da Covid por conta das atuações do presidente da comissão parlamentar de inquérito, Omar Aziz (AM), e do senador Otto Alencar (BA), de clara oposição ao Palácio do Planalto.

O objetivo da legenda é de, nas eleições do ano que vem, se apresentar aos eleitores brasileiros como uma terceira opção ao Palácio do Planalto.

BOLSONARO EM BAIXA – Políticos filiados à sigla reprovam a forma como Bolsonaro tem conduzido a pandemia da covid-19 e avaliam que, para o bem do partido, o PSD não pode ser levado junto. Não à toa, parlamentares da legenda acreditam que, hoje, a agremiação tem menos chances de construir uma relação com presidente do que há um ano, quando Bolsonaro iniciou a aproximação com o Centrão.

O primeiro passo em busca da “independência” dado pelo partido foi a filiação do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, à legenda, na última terça-feira. Presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab foi o responsável por negociar a saída do prefeito do DEM.

Com um nome de peso à frente de uma das cidades mais importantes do país, ele acredita ser possível ganhar força para alavancar uma candidatura de centro na corrida presidencial e bater de frente com Bolsonaro.

RODRIGO MAIA – O presidente do PSD ainda negocia a filiação do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), ex-presidente da Câmara. Com a chegada dele à legenda, Kassab aposta em um fortalecimento da oposição a Bolsonaro no berço eleitoral do presidente, o que certamente teria impacto na eleição presidencial.

Nessa articulação para minar a popularidade de Bolsonaro no Rio, o pessedista cogita até uma aliança com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A manobra do PSD de se afastar de Bolsonaro tornou-se ostensiva na CPI da Covid, com os senadores Omar Aziz e Otto Alencar. Na sessão de ontem, que interrogou o ex-ministro da Saúde Nelson Teich, o presidente da comissão fez duros ataques à utilização da cloroquina no tratamento a pacientes infectados pelo novo coronavírus — mesmo sem comprovação científica, o remédio é defendido por Bolsonaro e vem sendo defendido pelos senadores governistas na CPI.

AZIZ NA CPI – Referindo-se a um episódio acontecido em Manaus, em abril, quando a técnica em radiologia Jucicleia de Souza Lima, de 33 anos e com covid-19, submeteu-se a um tratamento clandestino de aspiração de hidroxicloroquina prescrito pela médica ginecologista e obstetra Michelle Chechter, no Instituto da Mulher e Maternidade Dona Lindu, Aziz questionou Teich se o episódio seria um crime. O ex-ministro tergiversou dizendo apenas que era algo errado, o que irritou o senador — que o acusou de se esquivar de responder às perguntas da CPI convictamente.

Quase no fim da sessão, Aziz se desentendeu com o senador Eduardo Girão (Podemos-CE), que o acusou a CPI de blindar governadores e prefeitos e apenas buscar provas contra Bolsonaro. O presidente da CPI o interrompeu. “Vossa Excelência, de manhã, veio aqui prescrever remédio, como se fosse médico. E agora o senhor volta aqui só para ofender a gente? Como o senhor estava prescrevendo cloroquina aqui, rapaz?”, criticou.

VACINA ANTIRRÁBICA – O senador Otto Alencar, que é médico, também não fez por menos ao criticar o colega Luís Carlos Heinze (Progressistas-RS), agrônomo e que também defendeu tenazmente a cloroquina:

“Da maneira que vossa excelência falou, com tanta raiva de quem se coloca contra aqueles que prescrevem de forma incorreta e não são médicos, nesse laboratório de utilização para bovinos uma vacina antirrábica não ficava inadequada para vossa excelência”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG Indiciado por corrupção, lavagem de dinheiro e outras cositas más, Kassab conseguiu criar um partido e se tornar verdadeiramente dono dele. Assim, negocia o partido por 30 dinheiros, a quem pagar mais. E ninguém diz nada, é o novo normal.  (C.N.) 

Bolsonaro reclama que CPI ‘bateu’ em Queiroga e ameaça usar máquina para investigar Renan Filho

Bolsonaro usa o Renan governador para “pressionar” o Renan relator

Lauriberto Pompeu
Estadão

O presidente Jair Bolsonaro criticou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid pelo tratamento dado ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. “A CPI hoje bateu muito no Queiroga. Cloroquina, cloroquina, cloroquina, o tempo todo cloroquina. ‘Ai, o presidente falou’. Eu fui tratado com cloroquina e ponto final”, disse o presidente, durante a live semanal que ele faz nas redes sociais.

Sem apresentar provas nem citar nomes, Bolsonaro afirmou que senadores usam a substância para tratar a covid. “Falei com vários senadores, vou chutar aqui que no mínimo dez senadores usaram isso”.

MINISTRO SE RETRAIU – Marcelo Queiroga não quis se manifestar nesta quinta-feira em depoimento prestado à CPI da Covid sobre sua opinião a respeito da utilização da cloroquina no tratamento de pacientes com covid-19. A medida é uma das bandeiras defendidas pelo presidente Jair Bolsonaro, mesmo sem que haja eficácia comprovada do medicamento.

O chefe do Poder Executivo também ameaçou usar a máquina do governo federal para investigar o governador de Alagoas, Renan Filho (MDB). Ele é filho do senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid, que tem adotado uma postura combativa contra Bolsonaro. Com um tom agressivo, Bolsonaro reclamou do senador alagoano.

“Um lá, olha só, eu queria estar na CPI, eu vou, eu queria estar na CPI. ‘Atenção aí ministro, qual dessas frases mais matou gente no Brasil? Frase do presidente Bolsonaro’. E botou várias frases lá. Sabe qual seria minha resposta? Prezado senador, excelentíssimo senador, frase não mata ninguém, o que mata é desvio de recurso público que seu Estado desviou. Vamos investigar seu filho que a gente resolve esse problema”, declarou o presidente.

CRÍTICOS SÃO CANALHAS – Na visão de Bolsonaro, quem critica a cloroquina deve ser considerado um “canalha”. Bolsonaro fez críticas ao ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que saiu do governo justamente por discordar da coordenação de Bolsonaro na pandemia.

“O Mandetta, aquele cara que condena a cloroquina, e fala o que para você? ‘Fica em casa, quando estiver sentindo falta de ar, você vai para o hospital’. Para fazer o quê? Tomar o quê? Se não tem remédio com comprovação científica? Vai ser intubado. Esse é o protocolo do Mandetta. Canalha é aquele que critica a cloroquina, ivermectina e não apresenta alternativa. Isso é um canalha, é um     canalha. Não posso falar outra coisa de quem age dessa maneira”, disse.

VOTO IMPRESSO – O chefe do Executivo voltou a criticar a urna eletrônica e defender o voto com um comprovante impresso, medida já considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “Se não tiver voto impresso, é sinal que não vai ter eleição, acho que o recado está dado”, afirmou.

Bolsonaro fez críticas ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luis Roberto Barroso, que tem se posicionado contra a medida.

“Olha, eu acho que ele é o dono do mundo, da verdade absoluta. Só pode ser. Não pode ser contestado. Estou preocupado. Se Jesus Cristo baixar na Terra, será (office) boy do ministro Roberto Barroso”, falou. “Se o Parlamento brasileiro por maioria qualificada de 3/5 aprovar e promulgar vai ter voto impresso em 22 e ponto final. Vou nem falar mais nada. Vai ter voto impresso”.

Deputado envia a Alexandre de Moraes lista de sites com fake news sobre a pandemia

Na lista do deputado Fausto Pinato há também atos antidemocráticos

Deu no Correio Braziliense
Agência Estado

Depois de garantir mais 90 dias de sobrevida ao inquérito das fake news, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal federal (STF), recebeu uma lista de sites que estariam divulgando notícias falsas sobre a Corte e sobre a pandemia do coronavírus. O documento foi encaminhado pelo deputado federal Fausto Pinato (PP-SP).

O Estadão teve acesso e há na lista portais investigados no inquérito dos atos antidemocráticos, que também é conduzido por Moraes e apura a organização, divulgação e financiamento de manifestações contra a democracia.

OFENSAS PLANEJADAS – “Diversos sites, de maneira organizada e aparentemente planejada, tem se articulado para atingir a honra e a dignidade deste Supremo Tribunal Federal e de seus Ministros, atingindo assim o equilíbrio entre os poderes e a democracia”, diz um trecho da comunicação, assinada pelo advogado Sidney Duran Gonçalez, que participou de uma reunião por teleconferência com o ministro da semana passada.

“Também faz-se nítido que estes sites possuem um claro perfil negacionista em relação à ciência, divulgando massivamente informações inverídicas quanto ao combate a pandemia”, acrescenta o documento.

O blog apurou que Moraes encaminhou a petição para manifestação da Procuradoria Geral da República.

DISPARO EM MASSA – Em outra frente, o ministro pediu que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Tribunal de Contas da União (TCU) façam levantamentos para verificar se candidatos, partidos políticos ou órgãos públicos pagaram empresas investigadas sob suspeita de oferecerem serviços de disparo em massa de mensagens, com conteúdos falsos. Parte das informações, solicitadas na semana passada, já foi enviada pelo TSE.

Moraes também pediu ao tribunal eleitoral o compartilhamento das informações reunidas em processos que buscam a cassação da chapa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Isso porque há uma suspeita de que o modo de funcionamento dos disparos seja semelhante ao usado nos ataques dirigidos contra os ministros do STF nas redes sociais – objeto do inquérito das fake news. No mesmo despacho, determinou ainda que a Polícia Federal colha os depoimentos de sócios, ex-sócios e ex-funcionários das empresas investigadas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O problema é que as investigações se arrastam, depois os processos andam devagar, quase parando, e a prescrição dos crimes se torna praticamente certa. Gasta-se uma fortuna em recursos públicos para investigar e processar, mas o resultado chega a ser decepcionante. (C.N.)  

Questionado sobre a declaração de Bolsonaro, governo da China condena ‘politização do vírus’

durante entrevista coletiva em Pequim em dezembro

O porta-voz chinês, Wang Wenbin, não cita o nome de Bolsonaro

Bruno Benevides
Folha

Um dia após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltar a atacar a China ao sugerir que a Covid-19 faz parte de uma estratégia de guerra biológica do país asiático, Pequim afirmou nesta quinta (6) que se opõe “a qualquer tentativa de politizar e estigmatizar o vírus”.

A declaração foi dada pelo porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, Wang Wenbin, em resposta a uma pergunta de um repórter da agência de notícias francesa AFP exatamente sobre a fala do presidente brasileiro.

INIMIGO COMUM –  “O vírus é o inimigo comum da humanidade. A tarefa mais urgente agora é que todos os países deem as mãos em uma cooperação contra a pandemia e lutem por uma vitória rápida e completa sobre a epidemia”, respondeu ele durante sua entrevista coletiva semanal em Pequim.

Na quarta (5), Bolsonaro insinuou que Pequim teria se beneficiado economicamente da pandemia e afirmou que a Covid pode ter sido criada em laboratório — ecoando uma tese que não encontra respaldo em investigação da OMS (Organização Mundial da Saúde) sobre as possíveis origens do vírus.

“É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em laboratório ou por algum ser humano [que] ingeriu um animal inadequado. Mas está aí. Os militares sabem que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra?”, disse o presidente em evento no Palácio do Planalto, em Brasília. “Qual o país que mais cresceu seu PIB? Não vou dizer para vocês.”

TESE IMPROVÁVEL – Ben Embarek, que lidera uma equipe de investigação da OMS (Organização Mundial da Saúde) sobre as origens do coronavírus, já afirmou que a hipótese de que o vírus “vazou” de um laboratório é “extremamente improvável”. A versão também é refutada por autoridades chinesas.

Acredita-se, na verdade, que o coronavírus tenha sido transmitido diretamente de um animal silvestre para um humano ou que o patógeno tenha circulado primeiro entre uma espécie intermediária antes de infectar uma pessoa.

Mais tarde na própria quarta, Bolsonaro disse que não havia citado os chineses nas declarações no Palácio do Planalto. “Eu não falei a palavra China no meu discurso. Sei o que é guerra bacteriológica, guerra química, guerra nuclear porque tenho formação. Só falei isso, mais nada”, disse ele no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio.

CULPA DA IMPRENSA – O presidente, contudo, cobrou os jornalistas pela publicação de outras informações sobre as origens do patógeno. “Mas vocês da imprensa não falam onde nasceu o vírus. Falem. Ou estão temendo alguma coisa?”.

Ainda que a China tenha anunciado em janeiro crescimento de 2,3% no PIB em 2020, sendo um dos poucos países do mundo a registrar expansão da economia em meio à pandemia, o avanço foi o mais fraco para o país asiático em mais de 40 anos.​​

Bolsonaro não é a única autoridade do governo brasileiro a sugerir que o vírus foi criado artificialmente pelos chineses. Na semana passada, o ministro Paulo Guedes (Economia) afirmou numa reunião que “o chinês inventou o vírus”. Posteriormente, ele pediu desculpas. No cenário global, esse discurso também foi amplamente utilizado pelo ex-presidente americano Donald Trump.

Bolsonaro está no limite e realmente pode tentar se socorrer com as Forças Armadas

Bolsonaro sanciona lei que aumenta em 5% limite de crédito consignado

Jair Bolsonaro continua dizendo que fala “em nome” das Forças Armadas

Merval Pereira
O Globo

Por mais que o Exército faça para se distanciar de Bolsonaro, o presidente faz questão de incluí-lo em suas ameaças, voltando a confrontos institucionais que já o colocaram em desacordo anteriormente com o ex-ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva e o ex-comandante do Exército e general Edson Pujol.

Voltou a chamar de “meu Exército” os militares que, segundo ele, podem sair às ruas para proteger o direito de ir e vir em caso de lockdown. E nenhum juiz ousará contestar essa decisão, garantiu em sua retórica abusiva.

EXPLICAÇÃO CLARA – A convocação do ex-ministro da Saúde e general Eduardo Pazuello pela CPI quase se transformou em princípio de crise, não fosse a iniciativa do senador Omar Aziz, presidente da CPI, de ligar ao novo comandante do Exército, general Paulo Sérgio, para esclarecer que Pazuello era convocado na qualidade de ministro civil, e não de general da ativa.

O novo comandante era chefe do Departamento do Pessoal do Exército, encarregado da logística de combate à Covid-19 dentro da corporação, e agiu de acordo com as orientações médicas. Por isso, Pujol certa vez deu o cotovelo para Bolsonaro, que lhe estendia a mão e ficou irritado.

O próprio general Paulo Sérgio deu entrevista em que se rejubilava pelo fato de a pandemia, no Exército, estar sendo muito menos letal entre os seus do que na média brasileira, justamente por seguirem orientações científicas. A entrevista, que também provocou a ira de Bolsonaro, não impediu que a antiguidade se impusesse na escolha do novo comandante do Exército e mostra bem a diferença de visão entre os dois.

BOLSONARO ACUADO – O presidente está claramente a perigo, se sentindo acuado pelos relatos que estão surgindo na CPI da Covid. Mais uma vez está escalando a retórica que domina, a da ameaça e do extremismo, para tentar criar uma situação crítica que obrigue as Forças Armadas a se posicionar.

Aproveitando um discurso em cerimônia do Palácio do Planalto sobre a tecnologia 5G — que nada tem com o tema que abordou —, Bolsonaro deu um jeito de voltar a criticar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de garantir a autonomia de governadores e prefeitos na definição de medidas restritivas durante a pandemia, que ele considera uma “excrescência”, por ter dado “competências esdrúxulas” a eles.

O ex-ministro Pazuello se preparava justamente para atacar o Supremo em seu depoimento na CPI, que acabou adiado por incapacidade do convocado de postar-se minimamente bem diante de seus arguidores.

ATO EXTREMO – Bolsonaro é capaz de fazer um ato extremo, como ameaçou, com o objetivo de criar uma situação-limite e confrontar instituições como o STF para testar sua força popular. As manifestações do fim de semana a seu favor, em várias capitais, devem tê-lo convencido de que ainda é capaz de acionar multidões para reforçá-lo no poder.

Trata-se de movimento perigoso porque, estando acuado, é capaz de transpor a linha da legalidade.

Pode ser só uma bazófia, mas pode perfeitamente se transformar em realidade diante dos fatos, que estão sempre contra ele nos últimos tempos. Com essas bravatas, é possível acelerar um processo de impeachment, que está latente na CPI.

PRESIDENTE DESEQUILIBRADO -Está protegido pela pandemia, que impede as pessoas de ir à rua. Mas, nesse ritmo, provoca ações de seus seguidores e dos contrários. E, se isso acontecer, as instituições terão que funcionar, inclusive o Exército, que terá de dizer se está do lado da democracia ou de um presidente claramente desequilibrado, que tenta fazer tudo para criar um ambiente político que facilite o autoritarismo.

A sorte é que, aparentemente, ele é minoria. A questão é saber se irá até o final, se testará nas ruas sua força. O mais grave, diante da falta de vacinas e do tamanho da tragédia que vivemos, é voltar a pensar alto besteiras como uma guerra biológica da China, que teria “inventado” o vírus da Covid-19 para poder crescer economicamente e superar seus competidores ocidentais.

São os ecos ainda da visão conspiratória do ex-ministro Ernesto Araújo, que ficou no inconsciente dos remanescentes do governo e levaram o ministro Paulo Guedes a repetir a besteira numa reunião que era transmitida ao vivo.

Depoimentos revelam existência de ‘gabinete das sombras’ na Saúde, diz o relator Renan

À mesa, relator da CPI da Covid-19, senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Renan Calheiros já começou a delinear os rumos de seu relatório

Valdo Cruz
G1 Política

O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), avalia que os primeiros depoimentos colhidos pela Comissão mostram “a existência de um gabinete das sombras, um ministério paralelo da saúde, um poder paraestatal” que não só aconselhava o presidente da República como definia medidas no enfrentamento do coronavírus numa linha contrária à de seus ministros da Saúde.

Os primeiros depoimentos prestados na Comissão foram dos ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, seguidos pelo atual ministro Marcelo Queiroga.

CONCORRÊNCIA INTERNA – Mandetta disse que sofria a concorrência, dentro do governo, de assessores, filhos do presidente e médicos que chegaram a propor um decreto para incluir na bula da cloroquina o tratamento para Covid-19.

“Estes primeiros depoimentos deixam clara a existência de um ministério paralelo da saúde, um poder paraestatal, um gabinete das sombras, desconhecido, que não apenas aconselha, assessora, mas produz documentos, como a tentativa de burla na bula da cloroquina”, afirmou o relator da CPI da Covid.

Renan Calheiros destacou que esse “gabinete das sombras” tomou decisões sem o conhecimento dos dois ex-ministros da Saúde, como a determinação para o laboratório do Exército produzir mais cloroquina.

PRODUÇÃO DE CLOROQUINA –  “Nenhum dos dois ministros tomou conhecimento do aumento da produção de cloroquina, isso foi ao arrepio do Ministério da Saúde”, afirmou Renan Calheiros.

Segundo o relator, Mandetta e Teich foram ignorados nas orientações de desaconselhar o uso da cloroquina e de recomendar o isolamento social e o uso de máscaras.

Quanto a Queiroga, quando assumiu o Ministério a pressão para uso de cloroquina já estava amortecida devido às conclusões dos principais cientistas do mundo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
A CPI vai pegar fogo, mesmo, quando houver o depoimento do general logístico Eduardo Pazuello. O presidente Bolsonaro sonha em blindá-lo, mas não tem coragem de nomeá-lo para algum Ministério com foro privilegiado. (C.N.)

Bolsonaro manda Pacheco cancelar encontro com Lula e o presidente do Senado obedece

Contrariado, Pacheco teve de cancelar a reunião com Lula no Senado

Bruno Góes
O Globo

Após a bancada do PT costurar uma reunião do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), o encontro que estava marcado para esta quinta-feira foi cancelado.  Segundo assessoria de Lula e senadores petistas, houve uma incompatibilidade de agenda.

O ex-presidente então procurar se encontrar com embaixadores e o ex-presidente José Sarney. Já a assessoria de Pacheco afirma que o encontro estava apenas “pré-marcado”, sem o martelo batido.

ENCONTRO INSTITUCIONAL – O presidente do Senado, no entanto, chegou a mandar um recado a Jair Bolsonaro sobre a conversa.  Segundo informou nesta quinta-feira a colunista do GLOBO Bela Megale, auxiliares de primeira ordem do presidente da República relataram que Pacheco deixou claro que a agenda seria “institucional” e que receberia o petista como “chefe de um poder”.

Ao GLOBO, o senador Rogério Carvalho (PT-SE), um dos que tentaram viabilizar o encontro, afirmou que a reunião pode ocorrer em outra oportunidade.

— O presidente Lula tinha hoje reunião com várias embaixadas, o Rodrigo Pacheco se disponibilizou a recebê-lo, mas não vai conseguir porque não houve compatibilidade agenda. Então, vai ficar para uma outra oportunidade. Nem eu consegui falar com o ex-presidente – disse o senador.

AMEAÇA DE BOLSONARO – Ainda segundo a colunista Bela Megale, Bolsonaro disse a interlocutores que Pacheco iria “se prejudicar” se realizasse a reunião com Lula. Petistas afirmam que, na conversa, Lula pretende defender a retomada do auxílio emergencial de R$ 600 durante a pandemia e entregar a Pacheco uma proposta sobre o tema, para que o Congresso lidere a ideia.

Ao GLOBO, a assessoria de Lula afirmou que “o ex-presidente já tinha compromissos marcados para a tarde toda com embaixadores estrangeiros e não tinha como desmarcar”.

AGENDA NA CAPITAL – Lula está em Brasília desde segunda-feira, hospedado em um hotel, onde tem recebido políticos e autoridades. O objetivo do ex-presidente é costurar acordos para a eleição de 2022. O petista já conversou, por exemplo, sobre a eleição do Rio de Janeiro.

Manteve reuniões com Marcelo Freixo (PSOL-RJ), Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Alessandro Molon (PSB-RJ), em momentos distintos. A ideia do ex-presidente é derrotar o bolsonarismo em seu seu reduto eleitoral, em uma frente encabeçada por Freixo ao governo do estado. Ainda, há, no entanto, obstáculos políticos e nós a desatar.

Lula também recebeu o presidente do PSD, Gilberto Kassab, e os senadores Otto Alencar (PSD-BA) e Jader Barbalho (MDB-PA). A expectativa é que Lula retorne a São Paulo na sexta-feira.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Lula está zanzando mais do que mosca em padaria. Quer marcar presença na política e faz de tudo para ser notado e ganhar espaço na mídia. (C.N.)  

Quando o caldeirão da política esquenta, os robôs da internet ficam mesmo enlouquecidos

7 Vantagens da Automação de Processos Através de Robôs – RPA. – Rumo Soluções

Charge do Adão (Arquivo Google)

Carlos Newton

Embora a eleição somente ocorra em outubro de 2022, o país já vive o clima da acirrada disputa que ocorrerá. Com o funcionamento da CPI da Covid, que vai fazer um estrago grande na imagem do presidente Jair Bolsonaro, e com a volta de Lula da Silva à política, a coisa começa a pegar fogo.

E quando o caldeirão da política esquenta, não há Luciano Huck que aguente, porque os robôs, humanoides, replicantes e androides ficam enlouquecidos e atiram para todos os lados.

ROTINA CIBERNÉTICA – Aqui na Tribuna da Internet, já estamos acostumados. Desde sempre o blog é literalmente ocupado por humanoides que defendem seus ideólogos e transformam esse espaço numa chatice, porque atrapalham as discussões de teses entre os comentaristas. Uma das características dos robôs é dar peruadas em tudo, não respeitam a opinião alheia, a confusão é geral, como dizia Machado de Assis.

Assim, pedimos paciência aos frequentadores desse espaço, porque isso não vai mudar. No momento, o entrechoque é polarizado entre bolsonaristas e petistas, pois os robôs tucanos, pedetistas e de outros partidos ainda não entraram em cena.

A meu ver, um pelo outro, eu não quero troca, como se dizia antigamente. Nenhum dos dois merece ser reconduzido – Lula, por ter comandado o maior esquema de corrupção da História, pela família desvirtuada que criou e pela amante que nomeou para tê-la a seu lado; e Bolsonaro, pelos filhos abomináveis, pelas rachadinhas que enriquecem a família e pelo conjunto da obra.

HÁ MENOS ATAQUES – Devemos reconhecer que atualmente o blog sofre muito menos ataques cibernéticos. São raros. Mas nos anos de chumbo do petismo, a Tribuna era hackeada com impressionante frequência.

Bem, nada disso adianta, porque seguiremos em frente. Mas, a partir de agora, sem a brilhante presença do jornalista Marcelo Copelli, que desde o dia 1º não está atuando na edição do blog, permanecendo apenas como colunista.

Daqui nosso grande abraço e nosso agradecimento ao Copelli. E vida que segue, como diria nosso amigo João Saldanha.

BALANÇO DE ABRIL – Aproveitamos a oportunidade para divulgar o balanço de abril, agradecendo muito aos amigos que têm contribuído para a manutenção desse espaço livre, algo muito raro na internet e na vida.

De início, vamos divulgar os depósitos na conta da Caixa Econômica Federal.

DIA   REGISTRO   OPERAÇÃO     VALOR
19      191240         DP DIN LOT…….100,00

19      191320         DP DIN LOT…….230,00
27      000001         DOC ELET………..35,00

Agora, as contribuições na conta do Itaú/Unibanco.

06      TED 001.5977JOSANPE……..300,06
06      TED 033.1593 DASOU………….60,00
15       DOC 001.4416MARIACRO….250.00
30       TBI 0406.49194-4 …………….100,00

Agradecendo muito aos amigos que participam e contribuem para manter na internet esse espaço livre na internet, vamos em frente, sempre juntos.

Com a crise da CPI, Carlos Bolsonaro reassume comunicação do Planalto e manda o pai radicalizar

O vereador Carlos Bolsonaro em sessão na Câmara do Rio Foto: Agência O Globo

Bolsonaro obedeceu ao filho, radicalizou e disse um monte de bobagens

Jussara Soares e Daniel Gullino
O Globo

Com a pressão da CPI da Covid sobre o Palácio do Planalto, Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) retomou as rédeas da narrativa do presidente Jair Bolsonaro. O vereador passou duas semanas em Brasília, retornando ao Rio na última sexta-feira. No período na capital federal, esteve diversas vezes com o pai no gabinete presidencial e ajudou a rever a estratégia de comunicação do governo, fechando-se ainda mais para a imprensa e com foco nas redes sociais.

Como em outros momentos de crise, Carlos, mais uma vez, aconselhou o presidente a partir para o confronto que agrada à militância ideológica e ajuda a desviar o foco dos problemas do governo.

RADICALIZANDO – O efeito prático da ingerência do filho foi sentido mais claramente no discurso de Bolsonaro ontem no Palácio do Planalto. Interlocutores do presidente viram digitais de Carlos na fala do chefe do Executivo com recados indiretos ao STF e insinuações contra a China, principal parceiro comercial do Brasil.

No mesmo evento, em claro afago à militância digital, prometeu um decreto para regulamentar o marco civil da internet, alegando que ele e muitos que o apoiam “são cerceados”. Bolsonaro prometeu “liberdade e punições” para quem não respeitar as regras.

Em seguida, defendeu seu filho Carlos e assessores presidenciais que são acusados de participar do “gabinete de ódio”. Bolsonaro afirmou que eles são “o gabinete da liberdade, da seriedade” e que são “perseguidos”. Após ser investigado na CPMI das Fake News, o grupo pode ser chamado para falar na CPI da Covid.

“GABINETE DO ÓDIO” – Bolsonaro citou nominalmente Tercio Arnaud Tomaz, assessor especial da Presidência, e “Mateus” — que seria uma referência a José Matheus Sales Gomes, também assessor presidencial. Os dois, junto com Mateus Matos Diniz, que tem um cargo no Ministério das Comunicações, são próximos a Carlos e foram apontados como integrantes do que ficou conhecido como “gabinete do ódio”.

— O meu marqueteiro não ganhou milhões de dólares fora do Brasil. O meu marqueteiro é um simples vereador, Carlos Bolsonaro, lá do Rio de Janeiro. É o Tercio Arnaud, aqui que trabalha comigo, é o Mateus… São pessoas, são perseguidas o tempo todo, como se fosse, tivesse inventado um gabinete do ódio. Não tem do que nos acusar. É o gabinete da liberdade, da seriedade — disse Bolsonaro, durante evento no Palácio do Planalto sobre o 5G.

Segundo um interlocutor próximo da família, embora Carlos nunca tenha se afastado da rotina do governo, é nos momentos de crise que o vereador ganha força no Planalto por validar as convicções do presidente e o reaproximá-lo da militância.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Carlos Bolsonaro é primário em matéria de estratégia. Acha que a solução seria encher as redes sociais de matérias contra os inimigos. Isso não vai funcionar, porque, ao radicalizar, Bolsonaro fala demais e diz um monte de asneiras, conforme aconteceu nesta quarta-feira de “guerra química” contra a China. (C.N.)

Joe Biden quer um Estado mais forte, para demonstrar que a democracia ainda funciona

Biden quer Estado forte para seguir na trilha de Roosevelt

Carlos Alberto Sardenberg
O Globo

‘Precisamos demonstrar que a democracia ainda funciona’ — essa foi a frase mais importante do discurso dos 100 dias de Joe Biden. Parece óbvio que um líder americano diga isso, mas, nos tempos de hoje, a frase ganha diversos sentidos.

Dirigida ao presidente da China, Xi Jinping, significa o seguinte: o sistema americano é superior nos quesitos econômicos e políticos, embora precise de algumas reformas.

MODELO CHINÊS – O chefão chinês sustenta que o modelo deles é mais eficiente no desenvolvimento econômico e na administração de crises. Não apenas porque seus gestores seriam mais competentes, mas porque não precisam se preocupar nem com as urnas livres e votações no Legislativo, nem com eventuais restrições do Judiciário.

Ou seja, a democracia no “modelo chinês”, como chamam a ditadura por lá, funciona melhor que o modelo americano, confuso e lento. Mas e as liberdades?

Ora, tem alguém reclamando? — respondem os chineses. Eles não admitem, mas sabemos que tem — a começar pelos chineses de Hong Kong, que os ingleses entregaram como democracia capitalista liberal, e o governo chinês está transformando numa ditadura com capitalismo controlado pelo Partido Comunista.

NÃO HÁ LIBERDADE – Dentro da China, é difícil saber. Não tem imprensa livre, nem outro partido. E daí? — dizem. O importante é que o país cresce, saiu da pandemia rápida e eficientemente e todo ano tira milhões da pobreza.

Vista assim, a questão proposta por Biden é a seguinte: a democracia e o capitalismo podem funcionar melhor, gerando e distribuindo riqueza num ambiente de liberdades.

Dirão: mas Biden não foi para a esquerda? No critério americano, sim, foi para a esquerda — que está longe de indicar um caminho para o socialismo ou mesmo para um Estado de bem-estar social como o da França.

AÇÃO DO ESTADO – No caso de Biden, significa aumentar a atividade do governo em alguns setores, especialmente infraestrutura e geradores de emprego, e tomar dinheiro dos mais ricos (via impostos) para financiar programas de saúde, renda e educação para as camadas mais pobres.

O recado agora é interno, para todo o público americano, rico ou pobre. Está dizendo o seguinte: não é possível que o país mais rico do mundo abrigue tantas famílias com renda abaixo da média; não é possível que o país mais rico do mundo não consiga oferecer um bom sistema de saúde e de escolas para os mais pobres.

Pesquisas recentes mostram que a classe média concorda com isso. Muitos ricos também. E mais alguns super-ricos, como Bill Gates e Warren Buffet.

IGUAL A ROOSEVELT? – Olhando no longo prazo, Biden está movendo o pêndulo. Roosevelt, seu ídolo, aumentou impostos e acentuou a atuação do Estado, como os trabalhistas faziam na Inglaterra.

Com o tempo, o Estado e os impostos começam a pesar. Vêm então Reagan e Thatcher para dizer que o Estado não é a solução, é o problema.

Caem os impostos, eliminam-se regulações à atividade econômica, incluindo as relações trabalhistas. Os países prosperaram. Aí vem Biden e diz: mas muita gente ficou para trás. O Estado pode resgatá-las, com um governo democrático e mantendo a força geradora do capitalismo.

VISÃO DISTORCIDA – Muita gente já está dizendo por aqui: estão vendo? Isso de ajuste fiscal é bobagem, o Estado tem mesmo é que gastar. A dívida americana, em proporção do PIB, é maior que a nossa. Logo, qual é o problema?

Vários. O governo americano se financia a juro zero. O brasileiro, se quiser colocar título de dez anos, paga 6% reais. A dívida americana é em dólar, moeda aceita no mundo. Os impostos nos EUA são menores que no Brasil e na Europa, havendo espaço para aumentar.

E, finalmente, mais importante: o Estado brasileiro já gasta demais — mais de 40% do PIB — e não se pode dizer que seja um modelo de eficiência. Nosso problema é outro: é que, quando o pêndulo vai para a direita liberal, caímos na dupla Bolsonaro/Guedes. Aí fica difícil.

Para Renan, a ‘interferência’ de Bolsonaro foi o maior destaque no depoimento de Teich

Governo foi contra relatoria de Renan Calheiros

“Ex-ministro deixou claro que não tinha autonomia”, comentou  Renan

Renan Truffi, Vandson Lima e Murillo Camorotto
Valor — Brasília

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, senador Renan Calheiros (MDB-AL), disse hoje que a “falta de autonomia” de Nelson Teich durante seu período à frente do Ministério da Saúde é um dos “pontos relevantes” do depoimento dele à comissão de inquérito. Na avaliação do emedebista, Teich “reconheceu” não ter tido liberdade para trabalhar, prerrogativa indispensável ao cargo.

“[Ele] reconheceu não ter tido autonomia e liderança, indispensáveis ao cargo”, explicou.

INTERFERÊNCIA DE BOLSONARO – Outro tópico que chamou atenção do relator foi a “interferência” do presidente Jair Bolsonaro para que o ministério expandisse o uso da cloroquina.

“A recomendação do uso da cloroquina foi a gota d água para a demissão porque não havia evidência da eficácia. Teich reforçou, que houve interferências do presidente para expandir o uso da cloroquina”, enfatizou.

Outro ponto que pareceu relevante a Calheiros foi a consideração feita por Teich sobre Eduardo Pazuello, seu então secretário-executivo. Isso porque o ex-ministro avaliou que o general não tinha “qualificação” para assumir como ministro, o que acabou acontecendo após sua demissão do cargo. “Na posição de ministro seria mais adequado um conhecimento maior sobre gestão de saúde”, pontuou Renan.

DISTANCIAMENTO E MÁSCARA – Por fim, o relator deu destaque à confissão de que Teich e o presidente da República tinham opiniões distintas sobre o distanciamento social e o uso de máscara. “[Ele] disse que a proposta dele era diferente do presidente quanto ao uso de máscara. Defendeu máscaras e quarentenas.”

Já o presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz (PSD-AM), criticou as respostas de Teich durante depoimento na comissão. Para Aziz, as declarações eram “nada objetivas”. O senador perdeu a paciência quando o ex-ministro se recusou a avaliar a postura de médicos que estão indicando medicamentos sem eficácia científica comprovada para pacientes de covid-19.

“O ex-ministro Teich está levando a comissão com algo nada objetivo. Dizendo que teve intervenção, mas não sabe quem interviu (sic). Então, fica difícil para gente. E ele está sob juramento aqui”, afirmou o presidente da CPI.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É a CPI da Tragédia Anunciada. Tudo que se diz na comissão já é sabido por todos. Não há novidades. Talvez, surjam no depoimento do ilógico general Pazuello. (C.N.)

Auxiliar de Pazuello confirma ordens do então ministro para difundir cloroquina

Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde Foto: Anderson Riedel/PR

Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do trabalho, continua no cargo

Leandro Prazeres  e Paula Ferreira
O Globo

Conhecida como “Capitã Cloroquina”, a secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, confirmou, em depoimento obtido com exclusividade pelo GLOBO, que ela foi a responsável pelo planejamento de uma comitiva de médicos que difundiu o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19 em Manaus dias antes de o sistema de saúde do Amazonas entrar em colapso, em janeiro último. O depoimento foi dado ao Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas.

A promoção de remédios sem eficácia e as ações do Ministério da Saúde antes e durante o colapso em Manaus são alvo das investigações da CPI da Covid no Senado.

AÇÃO POR IMPROBIDADE – Mayra é uma das seis pessoas que respondem a uma ação por improbidade administrativa movida pelo MPF no Amazonas por conta da ação dos governos estadual e federal durante a crise no sistema de saúde do estado.

Além dela, são alvos da ação o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o ex-secretário-executivo da pasta Élcio Franco, entre outros. Já há pelo menos um requerimento pedindo a convocação de Mayra para testemunha na CPI da Covid.

Em depoimento ao Ministério Público Federal, a secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, Maysa Pinheiro, confirmou plano para difundir tratamento precoce em Manaus.

ORDEM DE PAZUELLO – No depoimento aos procuradores da República no Amazonas, Mayra admite que, por delegação de Pazuello, ela foi a responsável por planejar o ciclo de visitas de médicos a unidades básicas de saúde de Manaus nos dias que antecederam o caos no sistema:

— Todas as atividades que foram demandadas inicialmente foram feitas por mim porque foi delegada essa competência pelo ministro da Saúde (Eduardo Pazuello). Nós fizemos uma série de ações que foram planejadas inicialmente por mim. Uma delas foi de levar os médicos voluntários (às unidades de saúde).

Segundo Mayra, a função das visitas era orientar profissionais de saúde sobre as alternativas para o tratamento da Covid-19 na cidade que enfrentava um aumento vertiginoso no número de casos e de mortes causados pela doença.

TRATAMENTO PRECOCE – As visitas a unidades básicas de saúde em Manaus dias antes do colapso do sistema foram alvo de polêmica, sobretudo depois de um ofício assinado por Mayra cobrando os profissionais de saúde de Manaus a aderirem ao chamado “tratamento precoce” contra a Covid-19. O “tour” de médicos percorreu 13 unidades básicas de saúde da capital.

Questionada, Mayra confirmou que o ofício em que cobrava a adesão dos médicos ao tratamento precoce incluía a orientação ao uso de medicamentos como cloroquina, hidroxicloroquina e azitromicina, drogas sem comprovação científica contra a Covid-19.

“Essa questão dos tratamentos e da orientação aos médicos. Aí se insere a cloroquina e a hidroxicloroquina?” — indagou um procurador que conduzia o depoimento.

DECISÃO MINISTERIAL – “O ministério disponibilizou uma orientação para os médicos brasileiros para, que de acordo com a autonomia que foi dada a eles pelo Conselho Federal de Medicina e a sua autonomia de prescrever e a autonomia do paciente de querer, que eles pudessem orientar medicamentos com doses seguras (de remédios) como cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina, que naquela época só tinham comprovação in vitro, e que hoje têm mais de 250 referências — respondeu Mayra Pinheiro.

Em outro trecho, Mayra volta a defender o uso de cloroquina e hidroxicloroquina alegando que as duas teriam ficado estigmatizadas por conta da “politização” da doença.

— E aí, como médica, é preciso que a gente tenha um discurso que não seja cansativo mais para população, a gente, numa pandemia, tem que dispor de todo um arsenal para salvar vidas (…) não só mais a cloroquina e a hidroxicloroquina… essas duas ficaram estigmatizadas por conta da politização da pandemia, que é ruim para o debate científico.

DIVERGÊNCIAS REAIS – Em outro trecho, Mayra defendeu a ivermectina, outra droga sem comprovação científica contra a Covid. Ela chega a dizer que, “nos próximos dias”, a Organização Mundial de Saúde (OMS) “liberaria” o uso como antiviral contra a Covid.

Mas em março a OMS emitiu comunicado recomendando que a substância não fosse usada no tratamento da Covid. E em abril, estudo publicado na revista científica “Nature”, apontou que a hidroxicloroquina pode estar associada a um aumento na mortalidade de pacientes com Covid-19.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Comprova-se, portanto, que na pandemia o Ministério da Saúde seguiu a orientação leiga do presidente da República, ao invés de  respeitar os critérios científicos mundiais. Sem dúvida, tudo isso era sabido, a CPI se torna redundante, mas necessária, diante da omissão da Justiça. (C.N.).

Vexame! Câmara estuda volta de doação de empresas para financiar campanha de candidatos

Resultado de imagem para caixa dois charges

Charge do Elvis (Em Tempo)

Rafael Moraes Moura, Daniel Weterman e Camila Turtelli, Estadão

Quase seis anos depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) proibir o financiamento empresarial de campanhas políticas, a Câmara avalia uma forma de tornar viável a destinação de recursos do setor privado para candidatos ou partidos. Uma proposta discutida nos bastidores por deputados prevê que sejam estabelecidos tetos de R$ 500 mil a R$ 1 milhão por empresa, independentemente do porte da companhia.

O valor poderia ser doado para um único candidato ou dividido entre outros concorrentes, de deputado federal a presidente da República. A medida, porém, não é encarada como um substituto do Fundo Eleitoral, que no ano passado foi de R$ 2 bilhões. O modelo do fundo como é hoje, abastecido com dinheiro público, continuaria existindo.

LIRA NA JOGADA – A reforma da lei eleitoral é patrocinada pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), que vai instalar hoje uma comissão especial para mudar as regras do jogo nas disputas de 2022. A deputada Renata Abreu (Podemos-SP) deve ser escolhida como relatora.

Para ter validade, a proposta também precisa passar pelo Senado e ser sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro até outubro, um ano antes da eleição. Bolsonaro é candidato a novo mandato e ainda está à procura de um partido para se filiar.

COLIGAÇÕES E COTA FEMININA – Na lista das modificações sugeridas para a reforma estão a volta das coligações e a reserva obrigatória de cadeiras para mulheres no Legislativo – o porcentual ainda não foi definido. A proposta é vista como a forma mais eficiente de aumentar a participação feminina na política, uma vez que a regra de destinar 30% do Fundo Eleitoral a mulheres tem sido burlada com frequência.

A liberação para os showmícios que, em tempos de pandemia de covid-19, foram adaptados para “lives” com artistas, também está entre as mudanças previstas. A prática de promover candidaturas usando cantores famosos é proibida desde 2006 pela Justiça Eleitoral com o argumento de que abre brecha para o caixa 2 e possibilita o abuso de poder econômico nas campanhas. Dirigentes de partidos também querem alterar normas referentes à propaganda dos candidatos e impor limites para a edição de novas regulamentações pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

FUNDO ELEITORAL – A retomada do financiamento empresarial deverá ser levada para o centro do debate nesse pacote. Até agora, no entanto, não há intenção de reduzir o valor bilionário do Fundo Eleitoral. Levantamentos no Congresso também indicam que a maioria dos deputados e senadores é contra o voto impresso, bandeira do presidente Jair Bolsonaro.

“No atual momento, a decisão de instituir o financiamento eleitoral por empresas, com teto fixo, constitui uma decisão política, que cabe ao Congresso. Embora nem todo modelo de doação por pessoas jurídicas seja a priori inconstitucional, não tenho simpatia pela ideia”, disse ao Estadão o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso. “O processo democrático deve ser um exercício de cidadania, e não de poder econômico. Sou a favor das doações por pessoas físicas, com teto. E sou a favor, também, de incentivos para que as pessoas físicas façam doações”.

SUPREMO PROIBIU – Em setembro de 2015, com o voto de Barroso, o Supremo proibiu a doação de empresas para campanhas eleitorais. A decisão ocorreu após a Operação Lava Jato revelar um esquema bilionário de corrupção que envolvia troca de contratos na administração pública e distribuição de propina. Os valores da corrupção, segundo apontaram as investigações, eram mascarados como doação para candidatos e serviam para que os executivos cobrassem favores dos políticos que ajudavam a eleger.

As regras até então vigentes permitiam às empresas privadas fazer doações a campanhas ou a partidos até o limite de 2% do faturamento bruto do ano anterior à eleição. Os ministros do Supremo concluíram que as regras provocavam desequilíbrio na disputa eleitoral, privilegiando alguns candidatos e abrindo caminho para a influência negativa das empresas.

RELAÇÃO PROMÍSCUA – “Com um teto, as empresas podem influenciar na eleição, o que é legítimo, mas sem gerar uma relação promíscua, como as doações mais expressivas acabam gerando”, afirmou o advogado Luiz Fernando Casagrande Pereira, fundador da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep) e consultor da reforma que está em discussão na Câmara.

“É um tabu. Na época, o Supremo declarou inconstitucional aquele estado de coisas, não necessariamente todo o financiamento. Agora, podemos calibrar sem ofender a Constituição para oxigenar a forma de financiar campanhas no Brasil”.

Na avaliação de Pereira, “há um clima no Congresso” para aprovar as doações limitadas por teto. “Ninguém acha que isso vai distorcer o processo”, argumentou Pereira.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba! Em tradução simultânea, os parlamentares querem legalizar a corrupção. O que antes era Caixa 2, ilegal, passará a ser “doação”. É o fim da picada. (C.N.)

Para conter inflação, Banco Central eleva juros e avisa que vai continuar aumentando

Charge juros

Charge reproduzida do Arquivo Google

Rosana Hessel
Correio Braziliense

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, elevou a taxa básica da economia (Selic) de 2,75% para 3,50% ao ano. A decisão foi unânime. A alta de 0,75 ponto percentual na taxa básica era esperada pelo mercado e dá continuidade ao novo ciclo de alta dos juros básicos iniciado na última reunião do colegiado, em 17 de março.

Pelas projeções do mercado, a Selic deve encerrar 2021 em 5,50% ao ano, conforme dados do boletim Focus, do BC. Há quatro semanas, as previsões estavam em 5%.

Para a próxima reunião, o Comitê informou que “antevê a continuação do processo de normalização parcial do estímulo monetário com outro ajuste da mesma magnitude”.

VIÉS DE ALTA – “O Copom ressalta que essa visão continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação”, informou a nota.

No comunicado, o Comitê reiterou a necessidade de o governo persistir na agenda de reformas e ajustes necessários na economia brasileira. Segundo a nota, isso é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia.

“O Comitê ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia”, acrescentou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO Banco Central faz o que pode, mas a crise é grave e a inflação está correndo solta, especialmente no setor da construção civil. Um vergalhão comprado a R$ 30 há um ano, agora custa mais de R$ 50. Cimento a R$ 25? Só buscando na loja. Motivo: o minério de ferro está em alta no exterior. Mas será que subindo os juros a inflação cai? Aqui no Brasil não há essa prática, pois a inflação só cai nos alimentos, dependendo da safra. Nos manufaturados, quando o preço de venda sobe, não desce mais. (C.N.)