Censura do bem, censura do mal e o agravamento da crise socioeconômica em Cuba

En este estado el régimen cubano libera al periodista Roberto de Jesús  Quiñones - YouTube

Jesus Quiñones, antes e depois de passar um ano na prisão

Percival Puggina

 Não sei se você sabe, mas a única censura imperdoável é a que possa ser atribuída à direita, ainda que seja difícil, na atualidade brasileira, encontrar fatos que corroborem acusações sopradas aos ventos. A causa não importa, o que importa é o efeito. O secretário da Cultura, Mario Frias, está sendo levado à fogueira por pretender que as entidades públicas que operam abaixo dele no organograma do setor lhe submetam previamente suas publicações. Mas não. Estes só querem o nosso dinheiro para fazerem o que bem entendam.

 Ontem aplaudi o amigo e brilhante jornalista Alexandre Garcia quando este mencionou uma censura muito mais eficiente e odiosa, referindo-se àquela que fecha as portas para quem deixa transparecer posição “de direita”, ou, caso mais grave, aparece em fotografia com o presidente da República.

“ZONA ARTÍSTICA” – Neste caso, é a própria “zona artística” a que se refere Fernanda Montenegro que promove a censura dos colegas desalinhados com o esquerdismo hegemônico. A longa e dinâmica trajetória do Alexandre o autoriza a mencionar a censura na imprensa, também ela no circuito das redações, cuidando de apartar os dissidentes do pensamento dominante. E poderíamos ir para o ambiente acadêmico, na área de Ciências Humanas, onde vigem, com rigor de tribunais de exceção, os mecanismos de tranca e ferrolho contra a infiltração de qualquer divergência.

Estas censuras, cotidianas, disseminadas em ambientes públicos e privados, têm existência tão real que negá-las é confirmá-las, pois a recusa a uma evidência é já censura imposta ao fato. No entanto, essa censura é praticada por militantes convictos de promoverem uma censura do bem, beatificada pela santidade da causa. Foi por ela e para ela que aparelharam tudo.

EXEMPLO DE CUBA – Exatamente por isso, tem mais. Nos últimos dias foi desencadeada em Cuba uma onda repressiva de intensidade incomum até para Ilha. Preparava-se a divulgação da “Revolución de los Girassoles” com uma passeata ocorrida dia 08/09, pedindo – ora vejam só! – liberdade de opinião e expressão, a extinção da ditadura e, subsidiariamente, a liberação dos mantimentos coletados nos EUA por cubanos lá residentes. Enviados para entrega a entidades religiosas fazerem a distribuição, empacaram na aduana de Mariel porque o governo quer controlar sua distribuição através do aparelho estatal.

Cuba passa fome. A covid-19 derrubou o turismo e afundou o PIB, por isso, a ajuda humanitária, por isso o silêncio sobre ela e sobre o que está acontecendo lá com número crescente de prisões.

JESUS LIBERTADO – No sentido oposto, foi libertado, na última sexta-feira, o dissidente Roberto de Jesús Quiñones depois de cumprir um ano inteiro como preso de consciência. Vi a foto dele em Cubanet. Pele sobre ossos, parecia egresso de um campo de concentração nazista. Um ano preso por divergência e a censura do bem age como se Cuba não existisse para que os fatos de lá não precisem ser revelados.

À saída da prisão, Roberto de Jesús foi saudado por um amigo que lhe disse: “Bem-vindo à prisão exterior”. Também isso não repercute, porque aqui, como lá, há livros que não se leem, verdades que não se dizem, fatos que se manietam em versões.

10 thoughts on “Censura do bem, censura do mal e o agravamento da crise socioeconômica em Cuba

  1. Ora, ora, o articulista justificando o que acontece aqui com o que acontece em Cuba. Certamente Cuba é uma ditadura que oprime as liberdades. Também possui um regime econômico que não deu certo (em contrapartida, tal regime conseguiu resultados muito bons em saúde e educação para todos).

    Certamente há uma contradição, quando se critica Cuba por sua ditadura e aqui a mesma é desejada.

    Ditaduras nunca são boas. Elas calam os críticos, muitas vezes, de maneira violenta.

  2. O autor peca e sofisma ao querer comparar o Brasil com Cuba.

    Não existe paralelo possível de comparação entre as duas nações.

    O autor precisa melhorar sua pontaria.

    Cuba deve ser comparada com o Haiti e a Somália entre outras nações de iguais possibilidades.

    O Brasil?
    Ora…. O Brasil precisa e deve ser comparado com nações como: China, Russia, India e USA.

    Nada resolve ser malicioso e destilar ódio.

  3. O que metia nojo a quem possui uma prenoção da história latino-americana, era quando o fanfarrão Fidel Castro abria o seu goelão, para destilar bravatas. Em contrapartida, foi obrigado a conviver com a base militar norte-americana de Guantanamo, incrustada no território cubano. Se nunca houve um ataque massivo ao país de Fidel, isso se deve ao acordo celebrado durante a Crise dos Mísseis, com o aval da extinta URSS. Mas dali, os estadunidenses ficam tramando e hostilizando a Ilha. Como por exemplo: o treinamento dos invasores dos Baia dos Porcos, em 1961, para os cubanos: La Batalla de Girón.

  4. O pior que tem gente, me desculpe, que ainda perde tempo lendo textos desse sujeito.

    Eu passo batido e não leio nem a primeira linha.

    Vergonha alheia.

  5. Percival pode errar, como todos erramos, mas é homem reto e precisa ser respeitado.
    Tudo pode ser comparado desde que guarde verdades em suas colocações.
    Em um país que Luiz Inácio, fhc, Collor, dilma, e agora, Bolsonaro assumiram o comando, tudo pode acontecer porque os males que esses proxenetas fizeram, e fazem ao Brasil, deixam-nos totalmente desnorteados.
    Comparar esquerda ladra com direita corrupta, é o mesmo que comparar esses últimos presidentes, ou seja não tem comparação, são todos muito ruins.
    Viva o Clube de Regatas Vasco da Gama.

  6. É uma atitude válida de propaganda política, satanizar um extremo para, subliminarmente, valorizar o outro. Cada um term o direito de vender seu peixe, mas convém cheirar antes.

  7. Percival Puggina é uma reserva moral dentro do jornalismo brasileiro. Seu trabalho é um alívio em meio aos conteúdos hipócritas publicados tanto aqui, quando em redes sociais. Quando digita “Cuba passa fome. A covid-19 derrubou o turismo e afundou o PIB, por isso, a ajuda humanitária, por isso o silêncio sobre ela e sobre o que está acontecendo lá com número crescente de prisões”, se revela todo seu caráter humanitário e decente, sempre preocupado com os destinos daquele país. Qualquer dúvida, visite Cuba, converse com os cubanos e veja a situação dramática de vida. Conversem com a comunidade LGBT, tão aclamado por aqui. Veja que não conseguem fazer uma passeata pelos direitos de minorias, que ande pelo menos 400 metros. Em tempo: não faça como Lula, condenado, criminoso, que esteve visitando a ilha, mas passou longe da pobreza, do sofrimento dos cubanos, fumando charuto e bebendo seus destilados preferidos.

  8. Em tempo:
    “O Engodo Cubano.”
    “A “perda” de Cuba em 1959 foi simplesmente tão estratégica quanto a “perda” do Irã, em 1979. Uma grande e próspera ilha situada a apenas 150 km da costa dos EUA foi tomada por um bando de mercenários armados apenas por fuzis, enquanto o poder das Forças Armadas dos EUA foi impotente para intervir. Chega a ser inacreditável.

    Falando sobre o Comunismo em 1956, J. Edgar Hoover, diretor do FBI por várias décadas, disse: “Todavia, o indivíduo está incapacitado para aceitar o fato que uma conspiração tão monstruosa exista. A mente do cidadão americano não consegue reconhecer a malignidade que foi inserida em nosso meio. Ela rejeita até mesmo a suposição que criaturas humanas possam defender uma filosofia que preconiza a destruição final de tudo aquilo que é bom e decente.”

    Hoover sabia que o Comunismo tinha infiltrado profundamente as mais confiáveis instituições nos EUA e que estava no processo de destrui-las a partir de dentro. O controle de Cuba fazia parte do plano, entregando um ativo estratégico imensamente importante para os comunistas, mas o povo americano não via dessa forma, como Hoover observou, nem acreditava que uma “conspiração tão monstruosa” pudesse existir.

    O incidente da Baia dos Porcos, em 1961, foi uma tentativa fajuta de recuperar a ilha de Cuba e convencer o público que o governo estava genuinamente decidido a recuperá-la. A crise dos mísseis cubanos, 18 meses mais tarde, foi mais uma tapeação para atemorizar os cidadãos das principais cidades que eles deveriam atender às reinvindicações de Cuba em troca de uma coexistência pacífica.”

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