Depois de Bolsonaro falar em ‘guerra química’, Itamaraty diz que ‘devemos louvar a China”

Adriana Mendes
O Globo

Com o Brasil ainda dependente da importação de insumos da China para a produção de vacinas contra Covid-19, o Itamaraty buscou minimizar nesta segunda-feira atritos com o país asiático. Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro voltou a causar polêmica com a insinuação de que a pandemia seria parte de uma “guerra química”.

A China é atualmente o maior parceiro comercial do Brasil. Após a declaração de Bolsonaro, o governo chinês reagiu e afirmou se opor à “politização e estigmatização do vírus”.

ESFORÇO DIPLOMÁTICO – Em audiência no Senado sobre os entraves à aquisição de vacinas no país, o diretor de Direitos Humanos e Cidadania do Ministério de Relações Exteriores, João Lucas Quental de Almeida, disse que o Itamaraty“ não tem medido esforços” nas negociações e elogiou os chineses.

“Nós devemos de fato louvar a China (…)  porque a China é um  país que realmente tem mais exportado IFAs (ingredientes farmacêuticos ativos) e vacinas neste momento de pandemia. A China exportou metade de toda a sua produção. Nenhum outro país chega perto a isso, e nós reconhecemos plenamente esse esforço gigantesco da China para ajudar o mundo e o Brasil, particularmente, nesse momento”, destacou.

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, informou que novos lotes de IFA para a vacina produzida pela Fiocruz devem ser enviados ao Brasil na próxima sexta-feira. A quantidade, segundo ele, é suficiente para produção de cerca de 18 milhões de doses da AstraZeneca.

FALTA DE INSUMO – O Instituto Butantan está com a produção da Coronavac suspensa  por falta de insumo. Segundo o secretário, o IFA para o Butantan ainda está pendente de confirmação.

“Há uma expectativa que chegue aqui por volta do Dia 25, mas ainda pendente de confirmação por parte da China”, disse Rodrigo Cruz.

Com os atrasos na importação do IFA produzido por empresas privadas da China, a senadora Kátia Abreu (PP-TO) defendeu negociação para a compra de vacina produzida pela farmacêutica estatal chinesa Sinopharm. Em fevereiro, fontes do governo brasileiro informaram que estavam iniciando conversas com representantes da farmacêutica.

QUEBRA DE PATENTE – O diretor do Itamaraty ressaltou também  a alteração de cenário mundial com a posição favorável dos Estados Unidos com a quebra de patente para produção de vacinas contra o coronavírus. O objetivo é facilitar a ampliação da produção de vacinas pelo mundo.

“O cenário como um todo se alterou e, o Brasil, como todos os outros atores, precisa refletir e eventualmente ajustar a sua posição” – disse Almeida, completando: ”Estamos nos engajando via nossa missão junto à OMC ( Organização Mundial do Comércio), em Genebra, para  tentar negociar com Estados Unidos e outros países um acordo que seja aceito por todos” —  afirmou Almeida.

Na audiência, o embaixador da Rússia no Brasil, Alexey Labetskiy, defendeu a vacina Sputnik V, que teve importação negada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No entanto, ele disse que está “otimista” em uma solução para resolver os entraves para a utilização do imunizante no Brasil.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Com a demissão do ministro Ernesto Araújo, ao que parece o Itamaraty enfim despertou do pesadelo bolsonariano, semeado pelo guru Olavo de Carvalho, que está quieto desde que deram um jeito de resolver sua crise financeira, devido às multas pela sonegação de impostos no EUA. (C.N.)

5 thoughts on “Depois de Bolsonaro falar em ‘guerra química’, Itamaraty diz que ‘devemos louvar a China”

  1. Grande parte desse alarido maledicente contra a China, a que o boquirroto, Bolsonaro, serve de megafone, parte da rotulagem demonizado de um rebanho, do qual o presidente também se diz ovelha

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