Diretor do filme que viralizou na internet diz como gravou o diálogo de Bolsonaro com Al Gore

O diretor do documentário 'O fórum', Marcus Vetter Foto: Divulgação

O diretor Marcus Vetter usou Bolsonaro como “personagem”

Jan Niklas
O Globo

Quando o diretor alemão Marcus Vetter viu Jair Bolsonaro isolado em meio aos mais importantes líderes internacionais do mundo no Fórum Econômico Mundial de 2019, em Davos, teve a certeza que ele seria um personagem central em seu documentário “O fórum”. Ao saber que a cena em que presidente brasileiro trava um diálogo constrangedor com Al Gore sobre a Amazônia viralizou nos últimos dias no Brasil, Vetter afirmou: “é uma das partes que melhor expressam a ideia do filme de como as elites têm dificuldades de dialogar com esses novos líderes extremistas”.

Para o mesmo documentário, disponível no Brasil em plataformas como YouTube e Google Play, ele já havia mirado as lentes de sua câmera em outros políticos que se dizem antissistema na edição do Fórum de 2018, como o presidente americano Donald Trump ou a primeira-ministra britânica Theresa May. E viu no brasileiro, debutante em Davos no ano seguinte, mais um “símbolo desses nossos tempos de crise da democracia”, como enfatizou diversas vezes em entrevista por telefone ao Globo.

Um trecho do seu filme em que Bolsonaro conversa com Al Gore viralizou no Brasil. O que acha dessa cena e que papel ela tem no documentário?
Bom, em primeiro lugar fico contente que a produção esteja fazendo sucesso no Brasil (risos). Essa é uma cena central para a ideia do filme. Esse é um filme sobre as elites e como homens com Bolsonaro são um sinal dos nossos tempos. As pessoas estão furiosas com essas elites, com o establishment, e por isso votam em políticos como ele, como forma de protesto. E de cara eu vi que Bolsonaro seria uma espécie de guia para essa leitura que propusemos de Davos. Chegamos com a câmera e um captador de som de 3 metros perto dele e perguntamos se poderíamos filmar. Com ajuda de um tradutor, Bolsonaro respondeu: “Claro, sem problemas”. Ele estava isolado. Ninguém queria ficar perto do Bolsonaro.

E o Al Gore?
Assim que ligamos o som e o vídeo apareceu o Al Gore e perguntou sobre uma pessoa que Bolsonaro disse ser seu inimigo (Alfredo Sirkis). Eu não sei se o Al Gore fez aquilo de forma proposital, como uma plataforma pessoal, já que ele viu a camêra e é um conhecido ativista do clima, ou se foi só uma gafe.

Na tela é visível o clima de constrangimento na conversa entre os dois. Como foi ver isso ao vivo?
Bom, essa tensão expressa muitas camadas do que se passou ali em Davos. Em outro momento a Jennifer Morgan, diretora do Greenpeace, grande porta-voz internacional, tenta falar com Bolsonaro. Quando ela se aproxima, ele a ignora e a repele imediatamente. E isso mostra como é difícil a diplomacia com este tipo de pessoa.

7 thoughts on “Diretor do filme que viralizou na internet diz como gravou o diálogo de Bolsonaro com Al Gore

  1. Ele sabe a sua estatura moral e intelectual. Muito pequena, quase que imperceptível.

    E para que possa ser notado pelos seus patrões só mostrando os fundilhos.

    É um adreM<

  2. Engraçado que o Bozo está fazendo tudo aquilo que as bolsonaretes, e o próprio Bozo, acusaram os outros de fazer.

    Aqui no Brasil, direita, liberais, esquerdistas,…
    TODOS tem uma unica função:

    ENTREGAR O BRASIL PARA OS GRINGOS DEVIDO AO COMPLEXO DE VIRA-LATAS DESSA GENTE.

  3. Dois bêbados. Essa é a impressão que tive quando vi Al Gore conversando com Bolsonaro, no Fórum Econômico Mundial. O primeiro toca o nome de Alfredo Sirkis, falecido ex-guerrilheiro e político de esquerda. Resta saber se tocou seu nome por provocação ou pq cria mesmo que Sirkis tivesse alguma relevância na política brasileira. Já Bolsonaro comete gafes típicas daquelas socialites deslumbradas quando estão na Disneylândia. Ele revela vícios típicos de nossas classes médias e altas cheias de sentimentos de inferioridade em relação aos Estados Unidos. Ou melhor, a direita brasileira revela aquele sentimento vira-lata tão denunciado por Nelson Rodrigues, aquele sentido de depreciação ao Brasil, conjugado à ignorância olímpica com relação à história do país. E um servilismo horroroso!

    Bolsonaro deu a resposta de um capacho para um sujeito que, segundo a direita, defende uma agenda globalista. Será mesmo que o ricaço Al Gore está preocupado com a Amazônia? O que ele entende por essa região? Matas, índios e animais silvestres? Contudo, Bolsonaro, como uma meretriz deslumbrada com cliente estrangeiro, diz o que Al Gore gostaria de ouvir, com mais uma provocação: a de que não entendeu a mentalidade de lacaio do presidente. Também pudera, dizer que os Estados Unidos “devem explorar” a Amazônia é algo que assusta até alguém alinhado com uma mentalidade contra o país. Contudo, todo aquele bla, bla, bla, de “nacionalismo”, de “defesa da Amazônia” foi por água abaixo. A diplomacia brasileira passa por uma vergonha bizarra de sujeição completa aos Estados Unidos. Ernesto Araújo, pupilo do guru estelionatário e escroque Olavo de Carvalho, está fazendo um senhor estrago!

    Bolsonaro é uma fraude em todos os sentidos!

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