Eleição em Belo Horizonte: candidatos iguais ou diferentes

Carla Kreefft (Jornal O Tempo)

O eleitor de Belo Horizonte que ainda está em dúvida sobre em quem votar, encontra dificuldades para tomar uma decisão. A razão  não é difícil de entender. Repetindo um comentário de eleitor indeciso: “Tudo que Patrus Ananias e Marcio Lacerda falam é muito parecido”.

Mesmo após o início do programa eleitoral na televisão e no rádio, as semelhanças persistem. O marketing político das duas campanhas ainda não deu conta de fazer a diferenciação. É preciso analisar que realçar a diferença pode não ser o objetivo das duas campanhas. Também é preciso considerar que as avaliações dos primeiros programas começam a ser feitos agora, e muita coisa ainda pode mudar até a data da eleição.

Para o candidato à reeleição, o prefeito Marcio Lacerda (PSB), que, embora tenha 66 anos, é um político relativamente novo – enfrentou sua primeira eleição em 2008 -, ter sua identidade política um pouco indefinida e associada a outros líderes não é um mau negócio. Dessa forma, ele fica à vontade para navegar por vários mares, sem correr o risco de sofrer críticas e ser acusado de incoerente. Lacerda, que é filiado ao PSB, pelo menos em tese, não teria dificuldades para explicar um alinhamento político com qualquer dos partidos.

Já para Patrus Ananias, a situação é um pouco diferente. Ele é completamente identificado com o seu partido, o PT, o que acarreta ônus e bônus. Além disso, Patrus também é identificado com as causas sociais, o que, certamente, é um ponto positivo para sua campanha. A identidade já definida do ex- ministro e ex-prefeito petista não o permite viagens por vários mares. Mas, por outro lado, facilita a criação e a fixação de uma marca.

Assim, na teoria, a diferenciação das imagens deveria interessar mais a Patrus Ananias, que está atrás de Lacerda na últimas pesquisas de intenções de voto. Quando usa um discurso muito semelhante ao do petista no que diz respeito às questões sociais, Lacerda passa a dividir com Patrus um marca muito positiva, que talvez seja a principal vantagem do ex-ministro na disputa.

Em outras palavras, a semelhança dos discursos é muito boa para Lacerda e prejudica Patrus. Assim, a eleição na capital mineira carrega um desafio. De um lado, o candidato petista terá que criar um diferencial para não ficar preso ao compartilhamento com o adversário de seu principal mote de campanha. De outro, o candidato socialista terá que demonstrar para os eleitores indecisos que o seu discurso em favor das causas sociais não é apenas falácia para dividir com o rival um bom gancho para a campanha.

O candidato que conseguir desfazer esse imbróglio estará muito mais perto dos eleitores indecisos.

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