Em reunião com empresários, Bolsonaro diz que “não teme” CPI da Covid e critica governadores

No evento, houve cobranças em relação ao tema meio ambiente

Pedro Venceslau
Estadão

Em mais um esforço para se aproximar do setor produtivo, o presidente Jair Bolsonaro convocou dez ministros nesta terça-feira, dia 20, para a sua primeira reunião do ano com empresários do ‘Diálogos pelo Brasil’, grupo criado pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, para mediar a relação do setor com o governo federal.

No último dia 7, Bolsonaro participou de um jantar em São Paulo com cerca de 20 empresários na casa do empresário Washington Cinel, dono da empresa de segurança Gocil. O evento desta terça-feira, 20, foi realizado por videoconferência e contou com a presença de 40 grandes empresários e executivos do País. Entre eles estavam  Abílio Diniz (Península), André Bier Gerdau Johannpeter (Gerdau), André Esteves  (BTG Pactual), Wesley Batista Filho (JBS), Rubens Ometto (Cosan) e Luiz Carlos Trabuco (Bradesco).

CPI DA COVID – Segundo relatos de participantes, em sua fala o presidente fez uma crítica indireta aos governadores ao reclamar do “abre e fecha” do comércio, elogiou o ministro da Economia, Paulo Guedes, e disse que “não teme” a CPI da Covid no Senado. Bolsonaro também exaltou as ações do governo federal contra a pandemia após o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, dizer que cerca de 900 mil kits para intubação de pacientes graves com covid-19 chegarão ainda nesta semana ao País, importados da Espanha.

O ministro da Saúde fez a fala mais longa da reunião. Queiroga  disse aos empresários que prevê “um horizonte melhor” de vacinação entre maio e junho e defendeu que é preciso encontrar uma solução para evitar aglomerações no transporte público – uma prerrogativa dos Estados e municípios. O ministro também pregou o distanciamento social e uso de máscaras, mas afirmou que um novo protocolo para uso de medicamentos do “kit covid” nos hospitais será anunciado em breve. Defendido por Bolsonaro, o tratamento precoce contra a covid não tem base científica.

“DEMANDAS” – Todos os ministros presentes fizeram uma pequena apresentação sobre suas pastas e Skaf foi o único a falar em nome dos empresários. O presidente da Fiesp apresentou uma lista com três “demandas” do setor, combinadas previamente em um grupo de WhatsApp: ampliação e aceleração da vacinação, reforma administrativa e um bom ambiente econômico.

No momento que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, é alvo de notícia-crime do ex-superintendente da Polícia Federal no Amazonas Alexandre Saraiva, pelo suposto a madeireiros investigados pela PF, e na véspera do início da Cúpula do Clima nos EUA, o tema ambiental também foi uma preocupação dos empresários. Skaf pediu uma outra reunião nesta quarta-feira, 21, específica sobre o tema. Além de Salles, a ministra da Agricultura,  Tereza Cristina, e o embaixador Leonardo Athayde, negociador da agenda do clima, vão falar com os empresários.

RECORDES – Tereza Cristina, destacou que o Brasil vem batendo seguidos recordes em suas safras. “Teremos este ano o fechamento da safra com mais de 272 milhões de toneladas. E muito provavelmente o presidente Jair Bolsonaro vai chegar ao seu último ano de mandato bem próximo dos 300 milhões de toneladas”, afirmou a ministra da Agricultura.

O ministro Carlos França disse que está trabalhando pela modernização do Mercosul, ao reforçar a vertente econômica comercial do bloco, com impulso à negociação de acordos comerciais como o da União Europeia e com outros países ao redor do mundo. “Temos atuado no sentido de facilitar a compra de insumos para a vacina e o imunizante pronto, a fim de que possam estar disponíveis para atender a população brasileira o mais rápido possível”, afirmou.

Também participaram do encontro virtual o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, o ministro-chefe da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos e o secretário de Assuntos Estratégicos, almirante Flávio Rocha.

8 thoughts on “Em reunião com empresários, Bolsonaro diz que “não teme” CPI da Covid e critica governadores

  1. Não se deve dar ouvidos a um imbecil. O que está sendo noticiado (oantagonista) é que “Renan Calheiros já tem em mãos um ofício no qual o governo federal orienta a Fiocruz a divulgar e indicar a prescrição de cloroquina ou hidroxicloroquina no tratamento contra a Covid”.
    As cartas estão na mesa, mas é preciso ter muita atenção para quem vai embaralhá-las (shuffle). O Renan é muito hábil no jogo mas costuma trapacear, a julgar pelo seu passado.

  2. ESTUDO DA UNIVERSIDADE DE STANFORD APONTA INEFICÁCIA DO LOCKDOWN:

    https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/eci.13484

    Um estudo produzido por profissionais da Universidade de Stanford, publicado em janeiro de 2021, apontou a ineficácia das intervenções não farmacêuticas (NPIs) – como o lockdown – no combate à pandemia da Covid-19.

    Os autores da pesquisa nomeada como “Avaliação dos efeitos obrigatórios de permanência em casa e fechamento comercial na disseminação do COVID-19” são os médicos e professores da universidade dos Estados Unidos Eran Bendavid, Christopher Oh, Jay Bhattacharya e John P. A. Ioannidis.

    Foram escolhidos para análise 10 países, sendo eles a Inglaterra, França, Alemanha, Irã, Itália, Holanda, Espanha e os Estados Unidos, com intervenções não farmacêuticas mais restritivas (mrNPIs), e a Coréia do Sul e Suécia com intervenções não farmacêuticas menos restritivas (lrNPIs).

    Para o estudo, foram utilizados os dados subnacionais de cada país, obtendo assim informações mais precisas de cada localidade, combinados aos “calendários de políticas” de cada região e aos dados anteriores à adoção de cada medida, resultando assim em 16 comparações entre os países.

    Os resultados negativos demonstram os benefícios das restrições, e os positivos apontam para o malefício delas, resultando no aumento do crescimento diário de casos da Covid-19.

    “Em nenhum dos 8 países e em nenhuma das 16 comparações (contra a Suécia ou a Coreia do Sul) os efeitos dos mrNPIs foram significativamente negativos (benéficos). As estimativas pontuais foram positivas (apontam na direção dos mrNPIs resultando em aumento do crescimento diário de casos)”, afirma um trecho do estudo.

    De acordo com os pesquisadores, a Suécia e a Coréia do Sul foram escolhidas para a análise, pois os países não implementaram a obrigatoriedade do ‘fique em casa’ e nem o fechamento dos comércios, diferente dos outros 8 países alvos das comparações.

    Os Departamentos de Medicina, Epidemiologia e Saúde da População, Ciência de Dados Biomédicos Estatística e os Centros de Política de Saúde e Centro de Atenção Básica e Pesquisa de Resultados e o Meta – Centro de Inovação em Pesquisa em Stanford (METRICS) da Universidade de Stanford participaram da avaliação dos dados.

    Entre os métodos de comparações, os pesquisadores separaram os efeitos de cada medida – intervenções não farmacêuticas mais restritivas (mrNPIs) e intervenções não farmacêuticas menos restritivas (lrNPIs) -, posteriormente somando-as e, ao final, isolando o efeitos das mrNPIs. A análise permitiu assim os resultados sobre a ineficácia do lockdown e outras medidas de isolamento na diminuição dos casos da Covid-19.

    Segundo o documento final, o único país onde as estimativas dos efeitos das restrições mais rígidas foram negativas (reduzindo o número de casos diários da Covid-19), em ambas as comparações, foi o Irã em comparação com a Suécia e Coréia do Sul.

    “No quadro desta análise, não há evidência de que intervenções não farmacêuticas mais restritivas (‘lockdowns’) contribuíram substancialmente para dobrar a curva de novos casos na Inglaterra, França, Alemanha, Irã, Itália, Holanda, Espanha ou Estados Unidos no início de 2020”, afirmam os médicos de Stanford, Eran Bendavid, Christopher Oh, Jay Bhattacharya e John P. A. Ioannidis.

    “Ao comparar a eficácia das intervenções não farmacêuticas (NPIs) nas taxas de crescimento de casos em países que implementaram medidas mais restritivas com aqueles que implementaram medidas menos restritivas, a evidência aponta para longe de indicar que os mrNPIs forneceram benefícios adicionais significativos acima e além dos IrNPIs. Embora diminuições modestas no crescimento diário (abaixo de 30%) não possam ser excluídas em alguns países, a possibilidade de grandes diminuições no crescimento diário devido aos mrNPIs é incompatível com os dados acumulados.”

    Os cientistas ainda afirmaram que as ordens para ficar em casa podem ter facilitado a transmissão do coronavírus, e que os dados analisados apontaram que o efeito do lockdown foi de um aumento na taxa de crescimento das contaminações pelo coronavírus.

    “Os NPIs também podem causar danos, além de quaisquer benefícios questionáveis, e os danos podem ser mais proeminentes para alguns NPIs do que para outros”, disseram os pesquisadores ao citar o fechamento de escolas nos EUA que trarão duras consequências, evidenciando que na Suécia, até a publicação do estudo, as autoridade não haviam tomado esta medida.

    “Não questionamos o papel de todas as intervenções de saúde pública, ou das comunicações coordenadas sobre a epidemia, mas não conseguimos encontrar um benefício adicional de pedidos de estadia em casa e fechamento de negócios.”

    O estudo dos professores renomados da faculdade foi publicado em diversos sites, incluindo o Wiley Online Library e a Elsevier Pure. T,L,

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