Empresário “lavou” R$ 2,7 milhões para Cabral no escritório de Adriana

Resultado de imagem para sergio cabral charges

Charge do Léo (Arquivo Google)

Roberta Pennafort
Estadão

Réu por lavagem de dinheiro do esquema de corrupção liderado pelo ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) e delator, o empresário Luiz Alexandre Igayara disse nesta quarta-feira, 10, em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal Criminal do Rio, que “esquentou” a pedido dele cerca de R$ 2,7 milhões.  O dinheiro seria, segundo Cabral lhe explicou então, de sobras de campanha. Boa parte chegou em espécie, e foi lavado por meio de contratos fictícios firmados com o escritório de advocacia da ex-primeira-dama Adriana Ancelmo, ele disse.

“Algumas vezes”, afirmou o empresário, os valores foram transportados pelo colaborador de Cabral Carlos Miranda, “o homem da mala de dinheiro” do esquema; noutras vezes, por carros-fortes da empresa TransExpert, que, segundo as investigações, participavam do sistema de corrupção.

AMIZADE E RESPEITO – As tratativas todas eram feitas com Cabral, afirmou Igayara – que o conheceu em 1994, quando ele era deputado. Os dois firmaram uma relação de “amizade e respeito”, esclareceu o empresário. “Nunca falei desses assuntos (lavagem) com ela (Adriana), em absoluto, era sempre com o governador”.

Igayara disse que o “branqueamento” do dinheiro começou em julho de 2007, sete meses depois de Cabral assumir o governo. “Nós nos encontramos num café, no Palácio (Guanabara), e ele perguntou se eu poderia legalizar uma sobra de campanha de R$ 50 mil.

Ele disse ‘te dou esse recurso e vou fazer uma fatura’. Era o governador que me pedia, uma pessoa que eu admirava e respeitava. Se fosse outra pessoa, eu não faria. A partir do momento em que eu concordei, o Carlos Miranda ia lá levar o dinheiro, nós recolhíamos os impostos e pagávamos.” A primeira empresa favorecida foi a Gralc, de Carlos Miranda.

NO ESCRITÓRIO – Em 2012, vieram pedidos de Cabral para Igayara “esquentar” R$ 639 mil. Mais tarde, em 2014, foram feitos pagamentos que somavam R$ 1,9 milhão. Nas duas ocasiões, a lavagem foi feita via escritório de Adriana Ancelmo, contou o delator. No total, o valor “esquentado” chegaria a algo em torno de R$ 2,7 milhões. Em todas as situações, Cabral alegou serem sobras de campanha. “Eu imaginei que era um dinheiro que ele tinha guardado. Eu não entrei nesse mérito (da origem do dinheiro)”, declarou o empresário.

Igayara teve o acordo de colaboração premiada homologado por Bretas, anunciou, pouco antes do depoimento, o juiz. Após a declaração de Bretas, a defesa de Adriana Ancelmo, que vai prestar depoimento ainda nesta tarde de quarta-feira, protestou e solicitou o adiamento das duas oitivas. O juiz indeferiu o pedido.

ESQUEMA DE CABRAL – Segundo as investigações, Igayara, um dos sócios da Rica Alimentos, participou do sistema engendrado por Cabral em seus dois mandatos (2007-2014) firmando contratos fictícios com o escritório de advocacia da ex-primeira-dama e outras firmas que participavam do esquema.

Por sua vez, Cabral, em 2014, tentou ajudá-lo a negociar a venda da Rica, que estava em dificuldades financeiras, à gigante do ramo alimentício JBS. O ex-governador alegou  interesse do Estado na transação, uma vez que a empresa é do Rio e gerava muitos empregos à população. O negócio não progrediu, uma vez que não houve consenso quanto ao valor da Rica. O delator confirmou o episódio a Bretas.

Em novembro do ano passado, Igayara foi conduzido coercitivamente a depor no âmbito da operação Calicute da Polícia Federal, cujo alvo principal foi Cabral. Ele estaria agora negociando um acordo de delação premiada.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Cabral sonha em fazer delação premiada, mas está difícil, embora ele esteja se oferecendo para entregar importantes magistrados de tribunais do Rio de Janeiro e da capital do país. Vamos aguardar. (C.N)

2 thoughts on “Empresário “lavou” R$ 2,7 milhões para Cabral no escritório de Adriana

  1. Ela é cinica, dissimulada, mentirosa, até onde vai esta senhora com tamanha desonestidade, sai da prisão e continua com suas práticas ilícitas, a justica precisa mostrar que a lei funciona, movimentou 1,2 milhão e diz que o gerente afirmou que este dinheiro estava bloqueado também.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *