Ex-embaixador britânico diz que Assad não é autor dos ataques químicos

Resultado de imagem para peter ford embaixador

Ford diz houve estranha coincidência no ataque

Sérgio Caldieri

Esta é a transcrição de uma entrevista do diplomata britânico Peter Ford, ex-embaixador do Reino Unido na Síria. Ele explica, cm clareza, que o ataque com armas químicas foi uma armação para justifica o ataque dos Estados Unidos. A entrevista, concedida ao canal de SkyNews, está fazendo sucesso na internet. Confira os principais trechos:

Como saber quem desfechou o ataque com armas químicas?
Para começar, é preciso definir a quem [o crime] beneficia. Claramente não beneficia o regime sírio ou os russos, e considero altamente improvável a hipótese de que ou o regime sírio ou os russos estejam por trás disso tudo.

Há muitas possibilidades…
A primeira é que sejam fake news (notícias falsas), imagens, vídeos, informações todas falsas, saídas de fontes da oposição, não de jornalistas independentes nos quais se possa acreditar. Também é possível que as imagens mostrem cenas de um bombardeio que tenha atingido um depósito jihadista de munições químicas. Sabemos de fonte segura que os jihadistas estocavam armas químicas nas escolas em Aleppo-Leste, onde essas munições foram vistas por jornalistas ocidentais. É uma outra possibilidade.

Seja como for, os que acreditam nessas notícias sempre destacam a questão de uma intervenção contra o regime de Assad.
Verdade é que nós nunca aprendemos. As ditas armas químicas do Iraque, você lembra? Matraquearam nossos ouvidos sem descanso (para nos forçar a intervir). Em Aleppo, nos contaram que estaria a ponto de acontecer um holocausto, massacres… Nada disso aconteceu. Jornalistas independentes lá estiveram depois e não encontraram nenhuma prova de massacre algum. O que vimos eram combatentes sendo evacuados em ônibus, em perfeita calma. Em seguida descobrimos que muitas das imagens que circularam no ocidente eram encenações.

Há também quem diga “Ok, agora estamos lá; mas uma intervenção em 2013 teria mudado as coisas”.
Nada há de construtivo em discussões sobre o que teria acontecido se isso, se aquilo… Pessoalmente, entendo que em 2013 foi muito acertado não intervirmos como aliados de jihadistas. Posso estar enganado, mas entendo que a maioria das pessoas, desde que refletissem por um instante, logo se perguntariam, elas mesmas, sobre quem substituiria Assad e seu regime secular, que dá proteção às minorias, aos cristãos, aos direitos das mulheres … Não me parece que os islamistas teriam constituído melhor solução. E isso é ainda mais verdade hoje.

Vale a pena o Ocidente intervir?
Tenha bem em mente o fato de que Idlib, onde tudo isso aconteceu, é um ninho de cobras de jihadistas, dos mais extremistas.  (Os intervencionistas) são (como) cachorros que retornam ao próprio vômito. Já cometeram todos esses erros – o Iraque, a Líbia –, mas não aprendem, querem reproduzir o mesmo cenário agora na Síria. Felizmente, o governo Trump semana passada deu um passo adiante, e isso pode ser significativo; finalmente, semana passada, deu um passo na direção de desautorizar a política de Obama, que consistia exclusivamente de tentar derrubar o governo da Síria. O pessoal de Trump disse que estão mais interessados em erradicar o Daech, que essa é sua prioridade. E é significativo que apenas poucos dias depois dessa manifestação do governo Trump, aconteça esse ataque. Se os jihadistas quisessem dificultar o serviço de Trump, que quer dar racionalidade à política dos EUA, os jihadistas sem dúvida tentariam distribuir informações falsas, como o tal ‘ataque químico’.

7 thoughts on “Ex-embaixador britânico diz que Assad não é autor dos ataques químicos

  1. As pessoas que ainda tem algum senso crítico, nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, são contra esse intervencionismo estúpido que só gera morte e destruição. Mas infelizmente, não estão em posições de poder real, e, nos raros casos em que estão, são hostilizadas pela grande mídia.
    Hoje os corredores do poder e da grande imprensa, nas grandes potências são dominados por gente que, na mais benevolente das hipóteses, não passa de intelectualóides sem um pingo de senso comum e experiência real de vida, que acredita piamente na possibilidade de reconstruir o mundo segundo esquemas ‘perfeitos’ que só existem em suas cabeças (é fato notório que muitos desses assim chamados ‘neoconservadores’ militou em grupos trotskistas em algum momento de suas vidas), e na pior, não mesmo de lacaios da indústria de armamentos e dos serviços secretos, que querem a guerra perpétua para multiplicar seus ganhos e justificar sua contínua auto-expansão.
    Hoje ficou óbvio que Trump não controla sua própria política externa e foi abduzido pelas camarilhas intervencionistas do Departamento de Estado, do Pentágono e dos Deus sabe quantos serviços de informações americanos. O mesmo havia ocorrido com George W. Bush, outro ingênuo e inepto que, ao menos em sua campanha eleitoral, havia declarado não ter interesse em intervenções no exterior.

  2. Eles os EUA pelo país diga-se de passagem querem ser a polícia o juiz e o carrasco do mundo.
    Um monte de gente que não pesquisa ainda acredita.

  3. “Uma reação apropriada”, aprovou inicialmente em uníssono o Congresso americano. Mesmo os oposicionistas democratas se abstiveram basicamente de criticar. Exceto por um tweet do deputado Seth Moulton, dizendo que, ao que tudo indica, Trump teve compaixão suficiente (com as vítimas de Assad) para mandar lançar os mísseis de cruzeiro, mas não para receber como refugiados nos EUA essas vítimas…”

    http://www.dw.com/pt-br/trump-se-lan%C3%A7a-em-terreno-incerto-com-ataque-a-base-s%C3%ADria/a-38360648

Deixe uma resposta para érico pereira da veiga Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *