Força-tarefa acredita que Eike Batista não tem saída e vai pedir delação premiada

Resultado de imagem para eike batista sendo preso

Sem delação, Eike passará muitos anos na cadeia

Renata Agostini
Folha

Preso na penitenciária carioca de Bangu, Eike Batista teve sua libertação negada pelo Supremo e agora terá uma longa lista de explicações a dar aos investigadores caso queira pleitear um acordo de delação premiada. Com o avanço da Lava Jato, uma miríade de depoimentos situaram as empresas do “grupo X” e o próprio empresário na engrenagem de esquemas de corrupção. Delatores e candidatos à colaboração já apontaram o ex-bilionário como partícipe de negociatas envolvendo contratos da Petrobras, financiamentos analisados pela Caixa Econômica Federal e dívidas de campanha do PT.

A defesa de Eike diz que é “prematuro” falar em colaboração, mas interlocutores do empresário dizem que se trata de um caminho analisado. Caso decida segui-lo, há detalhes a serem esclarecidos sobre Sérgio Cabral, cuja relação o levou à prisão.

PROPINA – Eike tornou-se réu na Justiça do Rio por ter pago US$ 16,5 milhões a Cabral, que foi governador do Rio de Janeiro pelo PMDB. A denúncia aceita pelo juiz Marcelo Bretas fala em pagamento de propina, mas os procuradores ainda não sabem explicar o que Eike recebeu em troca.

Até o momento, há suspeitas: licenças, desapropriações e outros atos do governo do Rio para viabilizar a construção dos portos do Açu e de Itaguaí e a concessão do Maracanã, que Eike levou em parceria com a Odebrecht.

Há dúvidas ainda sobre o que Eike lucrava ao prestar favores a figuras importantes dos governos do PT, como o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que serviu às gestões Lula e Dilma Rousseff.

A PEDIDO DE MANTEGA – O próprio Eike procurou a Lava Jato para confirmar a informação de que, respondendo a um pedido de Mantega feito em 2012, pagara US$ 2,35 milhões a João Santana, o marqueteiro que elegera Dilma dois anos antes. A mulher de Santana, Mônica Moura, havia narrado o episódio aos investigadores em sua proposta de delação. Eike, contudo, não disse o que lucrou com o gesto.

O ex-bilionário perseguiu o selo de “empresário do PT” e tornou-se próximo a diversos políticos do partido, como o ex-ministro José Dirceu, até chegar ao próprio Lula.

O empenho do ex-presidente em ajudar Eike a tentar sair da crise que terminou sepultando seu conglomerado é narrado no livro “Tudo ou Nada” (Record, 2014). Nele, a jornalista Malu Gaspar conta como o petista fez lobby para empresas de Eike, como quando se encontrou em 2013 com o então primeiro-ministro russo para dizer do interesse numa parceria entre a OGX e uma estatal de petróleo daquele país.

CONTRATO DE FACHADA – Alguns frutos dessa relação com emissários petistas emergiram mais recentemente como no depoimento de Ivo Dworschak Filho, ex-diretor do estaleiro OSX, à Lava Jato em maio de 2016. O executivo contou que pagamentos foram feitos a Dirceu por meio de contratos de fachada com o consórcio OSX e Mendes Júnior, que detinha contratos com a Petrobras.

Segundo Ivo, Eike não só sabia da propina como o orientou pessoalmente a não interferir no acerto. A empresa de logística LLX também foi beneficiada por um acerto entre Eike e Eduardo Cunha de acordo com o relato de Fábio Cleto, ex-vice da Caixa, cujo acordo de delação já foi homologado.

Diz o delator que Eike pagou propina a ele e ao ex-deputado do PMDB, hoje preso em Curitiba, para atuar na liberação de um empréstimo de um fundo do FGTS. Se estiver disposto a falar às autoridades, não faltará a Eike por onde começar.

DELAÇÃO PREMIADA – O advogado Fernando Martins, que faz a defesa do empresário Eike Batista, afirma que falar de delação premiada é prematuro. Ele nega que Eike Batista, que se tornou réu na Justiça Federal do Rio após ser denunciado sob acusação de corrupção e lavagem de dinheiro, tenha participado de negociações para obter qualquer vantagem. Martins afirma ainda que isso ficará comprovado perante a Justiça.

Segundo o defensor, o grupo EBX era um conglomerado de mais de sete empresas, todas com gestão própria e autonomia na tomada de decisões.

Sendo assim, não seria de conhecimento de Eike Batista, que ocupava a posição de presidente do conselho de administração das companhias, se alguma irregularidade foi cometida.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A força-tarefa da Lava Jato acredita que Eike pedirá delação premiada, porque sua colaboração se encaixa perfeitamente nas regras estabelecidas pelo juiz Moro e poderá elucidar o envolvimento de muitos políticos importantes, inclusive esclarecer até que ponto a então presidente Dilma Rousseff participava do esquema de caixa dois montado pelo PT para reelegê-la.  (C.N.)

5 thoughts on “Força-tarefa acredita que Eike Batista não tem saída e vai pedir delação premiada

  1. delação premiada=alcaguetagem= ca·gue·te> que aqui no nordeste/ce simplificamos para caboeta… (comentários em minúsculas, cfe. solicitação da editoria, lembram? colegas comentaristas/colaboradores).

  2. Mais um para fazer acusações genéricas cheias de “disse me disse” “ouvir dizer” “mandei avisar” pagar uma multa que não pesa no bolso para cumprir em sua humilde residência rindo da cara do povo brasileiro, depois de anos se fartando com a corrupção?

  3. De que adianta delatar, contar tudo,apresentar prova e tudo mais que se possa fazer.
    O X da questão é o julgamento, mesmo sendo em primeira instância, a última fica la no supremo, é ai que porca torce o rabo, qualquer ministro pode conceder Habeas Corpus preventivo,como já tem acontecido e o bandido ficará impune para sempre.
    Acredito tanto na punição deste corruptos, como acredito que o lula seja um inocente e ilibado.
    Tenho a plena certeza que não verei em vida, qualquer deste vagabundos na cadeia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *