Frederico Wassef é íntimo do clã Bolsonaro e foi advogado do miliciano Adriano Nóbrega

Bolsonarista raiz assume a defesa de Flávio no caso Queiroz

Frederico Wassef já esteve 13 vezes com Bolsonaro em Brasília

Catia Seabra
Folha

Ele fala com o presidente da República, Jair Bolsonaro, até na madrugada de um domingo; frequenta o Palácio da Alvorada nos fins de semana; e costuma receber, em sua casa, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) para conversas que invadem as noites em Brasília.

Apelidado de “Anjo” pela família do presidente, o criminalista Frederick Wassef tem pelo menos nove procurações para advogar em nome do clã Bolsonaro. São três de Bolsonaro, três de Flávio e outras três assinadas pelo vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

INDICOU WAJNGARTEN – Sua relação com os Bolsonaro extrapola, porém, o campo jurídico. Amigo do presidente há seis anos, Wassef deixa marca de sua influência até na estrutura do governo, já que foi ele quem apresentou o secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Fábio Wajngarten, ao então deputado Jair Bolsonaro.

Wassef orgulha-se de ter sido, em sua versão, o primeiro a incentivar a candidatura de Bolsonaro à Presidência. O criminalista, que tomou a iniciativa de se aproximar de Bolsonaro em 2014, declara amor ao presidente —segundo ele, um homem puro, até ingênuo.

Internado para o tratamento de um câncer, o advogado assistiu a um vídeo de Bolsonaro em favor do controle da natalidade e decidiu telefonar para o gabinete do deputado. À secretária insistiu para que fosse atendido. Os dois marcaram um encontro que aconteceria meses depois.

AMIGOS PRÓXIMOS – Defensor de porte de armas e admirador do modo de vida norte-americano, Wassef —à época casado com a empresária Cristina Boner— passou a conviver socialmente com o casal Bolsonaro, estreitando laços. De uma das empresas de Boner, Bolsonaro comprou uma Land Rover Freelander por declarados R$ 50 mil, conforme revelado pela revista Veja.

O advogado é, por exemplo, apontado como o responsável pela opção de Bolsonaro pelo Hospital Albert Eistein quando o então candidato foi esfaqueado em atividade de campanha em Juiz de Fora (MG), rejeitando oferta para que fosse transferido para o Hospital Sírio-Libanês.

Foi ele também quem ditou a estratégia jurídica de Flávio, vencendo uma queda de braço com o então presidente do PSL e também advogado Gustavo Bebianno, morto em março de 2020.

DEDICAÇÃO INFLAMADA – De temperamento forte e dedicação inflamada ao presidente e seu filho, Wassef já deixou mensagem dura repreendendo a iniciativa de uma advogada de Flávio e chegou a cercar na rua um renomado colunista.

Recentemente, ficou contrariado ao saber que Flávio jantara com um outro advogado, de quem teria ouvido sugestões para nova abordagem jurídica. Na defesa de Flávio, optou pelo enfrentamento ao sistema fluminense, acusando o Ministério Público de perseguição.

Sob sua orientação, Flávio não prestou depoimentos, apostando no sucesso da defesa em Brasília. Wassef faz críticas ácidas à política no Rio, que é domicílio eleitoral do presidente.

PORTA-VOZ DO PRESIDENTE – Mesmo com essa personalidade marcante, Wassef é frequentemente escalado como porta-voz do presidente. Por exemplo, para contestar ataques do ex-ministro Sergio Moro. Foi assim no dia 27 de outubro, um domingo, quando a Folha revelou o áudio em que Fabrício Queiroz afirmava que o Ministério Público teria um “cometa para enterrar na gente”.

A pedido do presidente, que estava nos Emirados Árabes, Wassef deixou sua casa no interior paulista e foi de carro (uma Cherokee recém-saída da concessionária) até São Paulo para dar uma entrevista ao Fantástico, da TV Globo.

Naquela noite, repetiu não existir qualquer contato entre Flávio e Queiroz. “Meu cliente não fala com Fabrício Queiroz há mais de um ano. Nenhuma forma. Nem indireta, nem direta, nem por interposta pessoa. Eles não têm qualquer contato e comunicação entre si”, frisou.

APELIDADO DE “ANJO” – Encerrada a missão, Wassef telefonou para Bolsonaro. Já era segunda-feira em Abu Dhabi. Essa fervorosa devoção rendeu a Wassef o apelido de anjo, justamente o nome da operação que culminou na prisão de Queiroz.

Abordado por jornalistas no aeroporto em Brasília nesta quinta-feira (18), Wassef não quis dar entrevista, disse que falaria depois e que estava atrasado para embarcar para o Rio. Wassef não usava máscara facial, de uso obrigatório no Distrito Federal para o combate ao coronavírus.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Além de ser o principal advogado de Bolsonaro e dos filhos, Wassef defendia também criminosos ligados à família, como o sargento Fabricio Queiroz e o miliciano Adriano Nóbrega, recentemente morto na Bahia, num claro episódio de queima de arquivo. (C.N.)

14 thoughts on “Frederico Wassef é íntimo do clã Bolsonaro e foi advogado do miliciano Adriano Nóbrega

  1. Desde o início da lava jato as investigações mostram que há sempre um “ADEVOGADO” envolvido nos delitos. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk é pra rir ou pra chorar????

  2. Porque a OAB nada comenta sobre Serviços Advocatícios incluírem Hospedagem e Refugio de cliente procurado pela justiça.

    Pode isso Arnaldo?

  3. Artigo versão fofoquinha da foice, “esteve 13 vezes com Bolsonaro em Brasília”, patético.Conheço muitos que são piores que Jacques Verges…

  4. O atual advogado de Queiroz, é q era advogado do Adriano! Queiroz q se cuide. Este novo advogado, além de não dar cobertura, entrega o esconderijo p a polícia!!! Assim terminou o “arquivo” Adriano.

    • Exato!
      Lá tudo é com rigor.

      Até a mentira contada por Acusado sob juramento é crime de perjúrio.

      Então se um Advogado mente, induz ou instrui um cliente a mentir, é crime. Ele pode inclusive responder por associação com o criminoso.

      Mas aqui em terra tupiniquim não… tanto o cliente pode mentir (não há crime de perjúrio, até existe doutrina que diz ser a mentira um direito) como o Advogado também mente.

      Aliás, faz muito pior. Usa a mentira não só negando uma situação que recaia sobre si, como inventa situação desfavorável, por exemplo, à sua vítima.

      Coisas do tipo, num crime de estupro ou abuso, dizer que a vítima se insinuava… sem sequer provar. Sem recear sequer um processo por injúria porque estava no direito de defesa num processo e não poderia ser alegado pela vítima ofensa a honra.

      E as nossas leis e tribunais permitem essa aberração.

  5. Wassef como Advogado não assinava as petições, de modo a não ser notado.
    Ocorre que com as aparições frequentes, chegou uma hora que não houve mais como negar.
    É por que água assim?
    Tendo ele escondido alguém que vinha sendo investigado em seu próprio imóvel em Atibaia, inscrito como escritório de Advocacia sem o ser de fato, ficou claro. Não é um Advogado que atue com ética.

  6. UM ESCRITORIO DE ADVOCACIA A 90 KM DA CAPITAL E OS POLICIAIS NA CAMPANA NAO OBSERVAVAM MOVIMENTAÇAO NEM DE ADVOGADOS NEM DE CLIENTES.

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