Juiz Moro afirma que investigar vazamentos seria como “caçar fantasmas”

Moro deu entrevista à BBC Brasil em Harvard

Deu em O Globo

O juiz Sérgio Moro afirmou ser contrário à investigação de vazamentos à imprensa de trechos de delações premiadas sigilosas. Em entrevista à BBC Brasil, em Harvard, o magistrado explicou que a apuração dos casos fica comprometida por garantias constitucionais como direito ao sigilo da fonte e à liberdade de imprensa. “A partir do momento em que se compartilha a informação com outras pessoas, sempre vai surgindo a possibilidade de um vazamento ilegal. Pontualmente, realmente ocorreram vazamentos e muitas vezes se tenta investigar isso, mas é quase como se fosse uma caça a fantasmas, porque normalmente o modo de se investigar isso de maneira eficaz seria, por exemplo, quebrando sigilos do jornalista que publicou a informação. E isso nós não faríamos, porque seria contrário à proteção de fontes, à liberdade de imprensa. E eu não estou reclamando destas proteções jurídicas, acho importante” — disse o juiz.

CASO DO BLOGUEIRO – No mês passado, Moro determinou a condução coercitiva do blogueiro Eduardo Guimarães que antecipou no Blog Cidadania a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O blogueiro teve o sigilo de sua fonte quebrado após seu material de trabalho, como computador e celulares, ser apreendido.

Após ser criticado por jornalistas e entidades, como a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Repórteres sem Fronteiras, o juiz voltou atrás e determinou o sigilo do material apreendido onde continha o nome de quem passou a informação sobre Lula ao blogueiro.

CRÍTICAS IMPROCEDENTES – À BBC Brasil, o magistrado também argumentou que em alguns casos são feitas críticas improcedentes aos vazamentos da Lava-Jato, já que a Justiça Federal costuma divulgar documentos em seu site, à medida que os processos se tornem públicos.

“Às vezes, tem-se de fazer uma ressalva, há uma crítica a supostos vazamentos na Lava-Jato que não são propriamente vazamentos. Nossa legislação exige que estes processos sejam conduzidos em público, que os julgamentos sejam públicos, e isso significa também que as provas acabam se tornando públicas em um momento no processo. Então, muitas vezes, o que as pessoas falam que é vazamento na verdade não é” — disse.

FOTO COM AÉCIO – Questionado sobre qualquer conflito ético nas fotos em que aparece sorrindo ao lado do senador Aécio Neves (PSDB), que, segundo a revista ‘Veja’, teria recebido repasses da Odebrecht, o juiz foi diplomático.

“Olha, não tenho nenhum processo do senador na minha responsabilidade, porque ele tem foro privilegiado e não foi tratado sobre assuntos relativos ao processo” — disse o juiz. “O que é relevante é se há comportamento criminoso ou não, e não a questão da opinião pública dessa pessoa. Agora, o juiz tem uma vida que também é fora do gabinete e às vezes existem essas situações de serem tiradas fotos. Neste evento, muitas pessoas pedem fotos e muitas vezes a gente fica até constrangido de não tirar foto. Era um evento público, foi tirada a foto, e o que há é uma exploração política do episódio”.

No final, Moro ainda negou ter qualquer tipo pretensão política: “A resposta é não, não tenho nenhuma pretensão de ir para uma carreira politica. Meu trabalho é como magistrado, simples assim”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Na vida, tudo é questão de tempo. Logo chegará o dia em que as pessoas vão implorar a Sérgio Moro que aceite governar este país. E ele não terá como recusar, porque é a maior missão de sua vida. E o Brasil espera que cada um cumpra seu dever, como dizia o Almirante Francisco Barroso. (C.N.)

 

15 thoughts on “Juiz Moro afirma que investigar vazamentos seria como “caçar fantasmas”

  1. 1) Tenho minhas dúvidas CN

    2) O juiz Moro já sinalizou morar nos EUA e lecionar por lá.

    3) Governar o Brasil é um pepino… que poucos se aventuram…

    4) Como escrevia o grande jornalista Hélio Fernandes: Moro presidente du-vi-de-o-dó !

  2. Já aconteceu o mesmo “oba oba” com o Ministro Joaquim Barbosa! E o mundo já deu tantas voltas que a opinião pública mudou em relação ao ex-ministro do STF; Não esqueçam que “o santo é de barro”

  3. Dizem que na vida tudo é passageiro, menos motorista e cobrador.
    Tem quem ache que ator de novela, quando é engajado político, vira intelectual e qualquer tipo de celebridade possa ser uma sumidade em área diferente da sua atuação.
    Assim achar que um cidadão vocacionado para atuar no judiciário possa ser tornar um bom administrador público, é uma aposta arriscada.
    É muito difícil a um juiz atuar em área política, onde as ações são sempre negociadas e levam em conta diversos fatores.
    No judiciário é diferente, o juiz leva em conta apenas suas convicções e ordem sua é para ser cumprida, sem discussão.
    Como os militares, os juízes pelo desempenho da função perdem o jogo de cintura, característico do político e costumam reagir com impaciência as opiniões contrárias.
    Presidente ou governador não pode mandar prender quem não cumpre ordem sua, o juiz pode, dai o conflito entre uma função e outra.
    Dificilmente encontramos algum político oriundo da magistratura, são de difícil adaptação pelas circunstâncias das funções.
    Desejo que o Juiz Sergio Moro continue fazendo o que faz e cada vez melhor.

  4. Desejar que um juiz com fortes traços de ególatra assuma a presidência e lidere uma nação complexa como o Brasil é apostar na aventura.

  5. Vocês jornalistas babões do Sérgio Moro, sabem
    muito bem que ele é contra investigações sobre
    vazamentos seletivos, por que ele é um dos vazadores. No episódio da conversa gravada entre Lula e Dilma, foi ele próprio que vazou à Globo, que é quem governa este país.
    Deixem de ser puxa sacos de juiz e sejam jornalistas.

  6. Depois de Joaquim Barbosa (Hoje um nome maldito na TI), Carmen Lúcia (muito boa para frases de efeito, mas uma nulidade como presidente do STF), agora Super Moro para presidente da república….kkkkkkkkkk

    Triste povo que tem uma necessidade quase infantil de literalmente fabricar heróis……

  7. Por ora, o país necessita de um Político com P maiúsculo, revolucionário, com R maiúsculo, munido de Projeto Novo e Alternativo de Política e de Nação, que resolva o Brasil para os próximos 100 anos. E Moro, à evidência, não é o Cara da ora, o ungido por Deus para fazer o que tem que ser feito. Todavia, mais adiante, feita a Revolução Redentora, que sabe, Moro tb terá uma chance, até porque, como é sabido ” o futuro a Deus pertence “.

  8. Em relação aos vazamentos, sempre me ocorre que segredo é para quatro paredes…

    Quanto ao Moro, político, não levo fé… que continue abraçado com sua vocação de magistrado.

    Quanto a alguém para governar o Brasil, precisamos, sim, urgentemente, de um estadista.

    Dureza será encontrar um…

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