Lições e conclusões de domingo

Carlos Chagas

Algumas conclusões e outro tanto de lições podem ser tiradas das eleições de domingo. A primeira é de que continua como estava em termos partidários: o PMDB elegeu o maior número de prefeitos em todo o país e o PT conquistou o maior número de votos. Mas os pequenos partidos cresceram. Marcaram ponto siglas que nem imaginávamos existir, ao tempo em que o Psol chega perto do segundo time. Vai começar uma caça aos pequenos, por parte dos grandes, com vistas às eleições gerais de 2014.

O mensalão, se não influiu muito no primeiro turno, vai virar o jogo no segundo. Nenhum dos candidatos contrários ao PT na disputa do dia 28 deixará de referir-se à esperada condenação de José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares, Marcos Valério e companhia. José Serra já anunciou a disposição minutos depois de confirmada sua passagem para o turno decisivo.

A indagação é sobre como os companheiros reagirão. O Lula já deu a tônica, também na noite de domingo: demonstrar que o eleitor desconhece o julgamento mas reagir sempre que atacados, lembrando os malfeitos da tucanada, a começar pelas privatizações dos tempos de Fernando Henrique. Mas dedicar a maior parte da campanha à exaltação dos dez anos de reinado petista e centralizar o debate em propostas de governo. A verdade é que o PT receia as acusações ora em julgamento no Supremo.

Outra preocupação dos candidatos que se enfrentarão no segundo turno refere-se à conquista dos derrotados. O PMDB deu a tônica, com Gabriel Chalita inclinando-se por Fernando Haddad. Quanto aos despojos de Celso Russomano, talvez importem menos, pois o candidato derrotado não influi partidariamente no seu eleitorado. Cada um que escolha seu caminho, realidade que indica mais apoio a José Serra, pois são conservadores, em maioria, os que votaram em Russomano. Queriam uma coisa nova, mas longe da esquerda.

O fracasso das pesquisa em muitas capitais, mais a obstinação dos institutos em parecer que acertaram, levará seus responsáveis a termais cuidado nas previsões sobre o segundo turno. Ficará mais difícil e perigoso manipular números. São Paulo, Manaus, Curitiba e Salvador são exemplo incapazes de ser esquecidos.

Grande interrogação é saber o quanto 2012 influirá em 2014, porque influirá de qualquer maneira. O palco está armado para o confronto entre Dilma Rousseff e Aécio Neves, ainda que pareçam pouco claros alguns elementos da equação. Tudo indica que o PMDB ficará onde está, em dobradinha com o PT e Michel Temer de vice, mas garantir, ninguém garante. O preço deverá aumentar. O Partido Socialista insere-se como fator de dúvida, pois o governador Eduardo Campos poderá ser convidado para vice de Aécio Neves, parecendo difícil que se lance numa aventura pessoal. Por isso está sendo cortejado pelo Lula e por Dilma.

Nota meio hilariante quando começaram os rescaldos dos resultados de domingo foi a entrevista da ministra Marta Suplicy, para quem Haddad só cresceu e conquistou lugar no segundo turno porque ela lançou-se na campanha, depois de feita ministra. Presunção demais faz mal, mas a senadora licenciada deve estar de olho na candidatura ao governo de São Paulo, daqui a dois anos. Junto com Aloísio Mercadante.

Uma conclusão final é de que as primeiras impressões muitas vezes se desfazem rápido. Estariam definitivamente afastados da política os candidatos derrotados? É bom apelar para a memória e a experiência para ver que muitos supostos defuntos ressuscitaram em pouco tempo.

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ARCABUZADOS

A retomada do julgamento do mensalão, hoje, tem roteiro certo e indiscutível: com raras exceções, os réus serão condenados. Caberá a seus advogados tentar evitar as penas de prisão em recinto fechado. São diversas e conflitantes as reações dos mensaleiros. José Dirceu avisa que continuará fazendo política, onde estiver, tentando provar sua inocência. Já José Genoíno exasperou-se, agrediu a imprensa e parece mais inclinado à lamentação do que à resistência. Delúbio Soares sorri e Marcos Valério… Bem, Marcos Valério ameaça…

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