Maioria dos países tem um grande partido à esquerda e um à direita, mas o Brasil é peculiar

Charge mostra Tancredo Neves e Ulysses Guimarães no céu,. Tancredo diz: "a democracia está ameaçada, Ulysses!", Ulysses por sua vez responde: "Será que a nossa luta foi em vão, Tancredo?"

Charge do Sid (Arquivo Google)

João Gabriel de Lima
Estadão

Partidos políticos não surgem do nada. Na Europa, as principais siglas se formaram a partir de núcleos já estabelecidos na sociedade civil. Os grandes partidos de centro-esquerda – como o trabalhista inglês, o social-democrata alemão e o socialista francês – vieram de sindicatos. Os da centro-direita nasceram de associações religiosas ou assistenciais. Alguns deles compartilham o nome “democrata cristão”.

Conservadores e liberais de um lado, social-democratas e socialistas do outro. Os quatro campos defendem valores legítimos, criando o debate que alimenta as democracias. A maior parte dos países tem um “partidão” à esquerda e outro à direita.

CONTRA OS EXTREMISTAS – Tais siglas majoritárias protegem contra os extremistas – os quais, nos tempos da Guerra Fria, costumavam vir das esquerdas, e hoje se concentram à direita.

O Brasil é um caso peculiar, retratado no excelente livro “Partisans, anti-partisans and non-partisans”, dos cientistas políticos Cesar Zucco e David Samuels. O trabalho, um dos mais citados em conferências e artigos sobre o Brasil, mostra que nossa democracia não desenvolveu uma identidade partidária forte à direita. Os autores demonstram que a disputa no Brasil é entre petismo e antipetismo. Cada uma dessas forças mobiliza entre 20% e 30% do eleitorado.

Segundo Cesar Zucco, a direita brasileira não se define por uma adesão, mas por uma rejeição. É uma direita sem partido.

POLARIZAÇÃO – Durante a vigência da polarização entre PT e PSDB, os tucanos estiveram perto de se tornar os “democratas cristãos” nacionais. Faltou o enraizamento nas associações civis (o PT, como um partido europeu, viera dos sindicatos). Além disso, o PSDB era uma sigla com origens na esquerda cultural – Chico Buarque compôs os primeiros jingles de campanha de Fernando Henrique. Por fim, escândalos de corrupção afastaram parte do eleitorado dos tucanos.

As direitas se dividiram. “Cesar Maia achava que havia espaço para um partido liberal no Brasil, e seu filho Rodrigo tentou consolidar a tarefa”, diz Zucco. Esbarrou, no entanto, no fisiologismo atávico do DEM. O Novo tenta ser o PSOL das direitas, mas não consegue decidir se é situação ou oposição em relação ao atual governo. O presidente Jair Bolsonaro, em quem a maior parte dos eleitores à direita votou em 2018, acaba sendo o maior fator de divisão em seu próprio campo político.

LIBERAIS ARREPENDIDOS – Os liberais sabiam desde a campanha que Bolsonaro não era um deles – o que é reafirmado a cada troca intempestiva no comando de estatais, ou a cada soluço autocrático. Muitos se arrependeram do voto e até fazem campanha pelo impeachment.

Os verdadeiros conservadores, que defendem a moderação política e o respeito às instituições, incomodam-se com o conflito permanente que o presidente mantém com o Legislativo e o Judiciário – e também com o hábito de criar crises do nada, como acaba de ocorrer na troca de comando nas Forças Armadas.

ESTABILIDADE – Para Zucco, partidos com peso e convicções claras dão estabilidade ao processo político. Uma sigla com história e um nome a zelar não se sente à vontade para tentar aventuras. Ao contrário dos caudilhos de ocasião, que são sempre imprevisíveis.

A direita brasileira precisa de um partido para chamar de seu. Caso contrário, como torcedor de time que caiu de divisão, ficará condenada a secar o adversário. Ou, pior, tentada a votar no primeiro que aparecer – para se arrepender depois.

14 thoughts on “Maioria dos países tem um grande partido à esquerda e um à direita, mas o Brasil é peculiar

  1. Jornal francês mostra como os EUA usaram a “lava jato” para seus próprios fins

    O que começou como a “maior operação contra a corrupção do mundo” e degenerou no “maior escândalo judicial do planeta” na verdade não passou de uma estratégia bem-sucedida dos Estados Unidos para minar a autonomia geopolítica brasileira e acabar com a ameaça representada pelo crescimento de empresas que colocariam em risco seus próprios interesses.

    A história foi resgatada em uma reportagem do jornal francês Le Monde deste sábado (10/4), assinada por Nicolas Bourcier e Gaspard Estrada, diretor-executivo do Observatório Político da América Latina e do Caribe (Opalc) da universidade Sciences Po de Paris.

    Tudo começou em 2007, durante o governo de George W. Bush. As autoridades norte-americanas estavam incomodadas pela falta de cooperação dos diplomatas brasileiros com seu programa de combate ao terrorismo. O Itamaraty, na época, não estava disposto a embarcar na histeria dos EUA com o assunto.

    continua…

    https://www.conjur.com.br/2021-abr-10/jornal-frances-mostra-eua-usaram-moro-lava-jato

  2. Quanta diferença!
    Os dois queremdo a mesma coisa e só um, a esquerda” mais acelerada na derrubada das instituições e valores morais e éticos!

  3. “Militontos” da esquerda e da direita elegeram o dia de hoje, 12 de abril de 2021, como data comemorativa à estultície.

    Os comentários dos defensores de Lula e de Bolsonaro, sinceramente, mas é para qualquer cidadão com um mínimo de discernimento ficar decepcionado com as mentiras que publicam!

    Tá, louco, meu!

      • Armando,

        Nesse momento mais está valendo o meu patriotismo que meus sentimentos pelo amado RS!

        Paulistano, goiano, cariosa, paraibano, cearense, baiano, catarinense … pertenço a todos os Estados brasileiros, pois devemos nos unir como nunca, para exigir das autoridades que nos tratem com respeito!

        Abraço.
        Saúde e paz.

  4. Estou por ver ser criado um Partido de Esquerda no país.

    Quanto ao lulopetismo, EXquerda?! EXquerda a destruir os legítimos instrumentos democráticos e populares de luta: associações, sindicatos, movimentos, centrais.

    Obs. Não por outra razão Darcy Ribeiro disse: “O pt é a ‘esquerda’ que a Direita gosta”. Mais à frente Brizola parodiaria Darcy: “O pt é que nem uma galinha que cisca pra esquerda e põe ovos pra Direita”.

    E ainda temos de ler e ouvir cotidianamente discursos eivados de ignorância ou má-fé:

    “Biden é comunista”, “Lulla/FHC são comunistas”, “As redações de jornais estão infestadas de gente de Esquerda”, “O candidato petista é de extrema esquerda”, “Boçalnaro é de extrema direita”…

    O penúltimo sempre foi um TRAIDOR da Esquerda, um bibelô de luxo engordado por Emílio Odebrecht à mando da ditadura milico-servil.

    O último, do ponto de vista estritamente político – nem de Direita é! É só um ladrão mequetrefe, covarde e psicopata que a presidência da república lhe caiu no colo por meio dos votos de ignorantes e de cúmplices.

  5. A pior consequência do Golpe de 64 foi o banimento dos partidos políticos.
    O MDB, como o nome diz nunca chegou a ser um PARTIDO. sempre foi um MOVIMENTO.
    Atualmente o único partido com direito a este nome é o PT. Tem tamanho, tem uma diretriz, tem lideranças nacionais e regionais. As outras dezenas de agremiações partidárias são formações de políticos de ocasião. Isso qdo não são Feudos particulares.

  6. Ronaldo, Ronaldo,

    Se estudasses um pouco a História do Brasil, teus comentários teriam mais credibilidade.

    Independente do seu estágio atual, comandado por um corrupto, nenhum outro partido político chegaria aos pés do ANTIGO PTB!

    O surgimento do Trabalhismo se deu com o advento dessa agremiação em níveis jamais repetidos de filiações no país.
    Não foi por nada que Lula foi “inventado” para ser o adversário de Brizola, e com um nome muito parecido, Trabalhadores.

    Na verdade uma farsa, ilusão para os trabalhadores, pois o partido surgiu no meio metalúrgico paulista de um lado, e intelectuais de esquerda de outro.
    Muito diferente do PTB, depois PDT, que abraçava todas as categorias profissionais, desde as mais simples até as especializadas.

    Outro detalhe:
    Sem a infinita quantidade de sindicatos que foram licenciados na era petista!
    A inscrição era legítima, autêntica, pois havia identidade entre o trabalhador e o partido.
    Havia linhas filosófica, social e política, que deveriam ser seguidas em prol dos que trabalhavam neste país.

    Mais uma questão:
    O PTB possuía líderes absolutos, incontestáveis, sérios, honestos, competentes.
    Quem tu poderias apontar no PT com essas qualidades?
    De Lula, o dono do tal partido, até mesmo seus dirigentes, TODOS meterem a mão prá valer nos cofres públicos.

    Enquanto Brizola foi investigado, analisado, pesquisado, e nada foi encontrado contra a sua conduta ilibada, acho que não preciso citar a quantidade de escândalos onde os petistas estiveram envolvidos, até porque eu precisaria de muitas páginas para mencioná-los!

    Não, Ronaldo, o PT não é um partido político, mas uma quadrilha travestida em partido!

    • Senhor Bendl, sem bajulação.

      Permita-me dizer, que estas suas palavras, são as mesmas que passam pela minha cabeça, mas não tenho capacidade para colocá-las num texto.

      Muito bom dia e saúde..

  7. a diretriz do pt eh aparelhamento para assaltar o estado, nao tem lideranca, apenas idolatria ao lullarapio, nao tem coerencia, varias correntes internas (esquerda socialista, mensagem etc.)sao abafadas pelo campo majoritario jd/lullarapio, pcdb, psol etc sao penduricalhos que lullarapio jamais reconhecera como cabeca de chapa, na ideia do idolo e dos idolatras do lullarapio, nao existe composicao possivel nas esquerdas sem o idolo a frente

  8. A esperança de um partido de direita foi frustrada pelo Novo, um partido que não sabe de que lado ficar. Os liberais não tem espaço na política brasileira, o partido que leva este nome é tudo, menos liberal. A dita “direita brasileira” hoje é composta por aloprados, gente que mistura religião com interesses econômicos, quando não os combina, associando Deus com o deus mercado como se tal casamento funcionasse.

  9. Embora não vá com as “fuças” do jornalista Diogo Mainardi, tenho que concordar com ele, qdo diz.
    ‘No Brasil, não existe direita nem esquerda, o que existe são grupos que se reúnem em um partido, para acharcar o país.

    Mais ou menos isso….

  10. Há uma confusão mundial a respeito do que é direita e esquerda. O autor do texto também confunde os termos.

    Nos dias de hoje essa definição é bastante complexa e confunde as pessoas.
    No Brasil é mais fácil definir a direita e esquerda em termos de costumes. Esquerda muito mais liberal e direita muito mais conservadora.

    É na economia que reina a confusão.
    Muitas pessoas que são de direita nos costumes, mas quando se trata da economia, não são nada liberais. E pior, chamam quem defende direitos sociais de comunistas, mas incoerentemente querem benefícios sociais.

    Outras que são de esquerda nos costumes, na economia são liberais.

    Como querer que os partidos, formados por pessoas que refletem o povo, sejam coerentes?

    Para mim, o excesso, tanto de igualitarismo, quanto de liberdades individuais é ruim. A historia já provou isso.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *