Mercado de trabalho, depois de março e abril, é um enigma em maio

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Charge do Jean Galvão (Arquivo Google)

Pedro do Coutto 

Enquanto no mês de abril houve praticamente 60 mil admissões, no mês de março houve 63,6 mil demissões, um contraste que os resultados de maio deverão definir ou se o ritmo de contratações vai prosseguir, ou se a tendência a demitir vai continuar se impondo no país. Reportagem de Geralda Doca, O Globo de quarta-feira, focaliza o assunto e acentua que no mês em curso o Rio de Janeiro está sendo o estado de maior número de perda de emprego.

O governo Michel Temer está comemorando os resultados de abril, mas esquecendo que na comparação com março não houve avanço algum. Pelo contrário, registrou-se um retrocesso, como os números do IBGE estão atestando.

DEMISSÕES INCENTIVADAS – O Globo de quarta-feira publica também uma matéria assinada por Martha Beck, a qual assinala metas anunciadas pelo governo de reduzir o quadro de funcionários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, através de um programa de demissões incentivadas. Tal programa inclui também a Eletrobrás devendo abranger 10 mil servidores da empresa em todo o país.

É curioso – vale frisar – o contrate entre o programa de recuperação do mercado de trabalho e o projeto de incentivar demissões. Afinal de contas, o governo de um lado comemora o reaproveitamento de vagas e de outro anuncia o esforço para incentivar demissões.

Se é positivo para a economia o aumento dos postos de trabalho, por que motivo o empenho para que demissões se realizem nos quadros das empresas estatais?

NÚMERO DE VAGAS – O problema do mercado de trabalho, inclusive não se restringe ao número de vagas perdidas ou preenchidas. É necessário levar em conta a questão salarial. Isso porque, num momento de retração de admissões, constitui fenômeno natural a queda dos padrões salariais, pelo simples fato de a demanda estar por larga margem superando a oferta. Esse dilema faz com que possa se supor um aumento no número de empregados com a manutenção de massa salarial mais baixa. Mas esta é uma outra questão.

Entretanto, reportagem assinada por Maeli Prado, Folha de São Paulo também de ontem, sustenta a tese de que não houve recuperação de vagas de mão de obra no mês de abril, uma vez que pesquisa do IBGE, ao contrário do levantamento divulgado pelo Ministério do Trabalho aponta para um resultado não positivo em abril, pois teria ocorrido uma estabilidade, praticamente um empate entre admissões e demissões.

14 MILHÕES – Maeli Prado acentua que a pesquisa do IBGE é mais abrangente do que a pesquisa do Ministério do Trabalho, o que faz com que permaneça em 14 milhões o número de brasileiros e brasileiras desempregados.

Como a mão de obra ativa situa-se em 104 milhões de pessoas, a existência de 14 milhões de desempregados representa o índice de praticamente 14%. Muito alto, uma vez que a taxa tolerada de desocupação é de 5%. Assim, o desemprego continua muito distante de ser reduzido no plano concreto.

O governo Michel Temer não teria razões para comemorar, pois não só de marketing vive a economia. De qualquer forma, digo eu, o mês de maio, conhecido por ser o mês das flores, pode se transformar tanto num mês de esperança quanto num período de decepção. Em junho saberemos o que aconteceu nas quatro semanas em relação as quais os rumos sociais vão ser definidos. Ou para melhora, ou para nova afirmação do desemprego.

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