Ministros procuram embaixador da China para consertar mais um erro de Jair Bolsonaro

Bolsonaro cria embaraços internacionais e coloca o país em risco

Pedro do Coutto

A GloboNews colocou no ar no jornal das 18 h de sexta-feira, um pequeno vídeo sobre a iniciativa dos ministros Carlos França, Marcelo Queiroga e Paulo Guedes que foram à Embaixada da China em Brasília para um encontro com o embaixador do país para tentar contornar o mal-estar criado na política diplomática, consequência de uma fala do presidente Jair Bolsonaro sobre a vacina fornecida ao Brasil.

Bolsonaro de forma indireta, mas quase direta, ainda insinuou novamente que o coronavírus foi iniciativa da China para expandir a sua presença na economia de diversas nações, entre as quais situa-se o Brasil. Os três ministros assumiram o episódio até então inédito na diplomacia brasileira, ou seja, tentar consertar um erro, mais um da série, cometido pelo presidente da República.

INTERFERÊNCIA – A GloboNews colocou a matéria com destaque e a reportagem acentuou que o embaixador da China aceitou as desculpas e aparentemente o assunto estaria encerrado. Mas o que causa espanto à população brasileira é o fato de um presidente da República necessitar da interferência do chanceler e de mais dois ministros de Estado para remediar e, com isso evitar, qualquer represália no plano econômico e social. Pequim é hoje a capital do país que se tornou o maior parceiro comercial do Brasil.

O comércio entre as duas nações oscila em torno de US$ 100 bilhões por ano, significando 40% das exportações brasileiras. O temor dos integrantes do governo é o de que possam ser suspensas ou reduzidas as exportações de soja, de carne, de minério de ferro e até de petróleo para o país que mais cresceu no último ano. Quando o presidente Bolsonaro fala, o agronegócio fica extremamente preocupado.

CPI DA PANDEMIA – Numa pequena entrevista na entrada do Palácio do Planalto a um grupo de repórteres, o vice-presidente Hamilton Mourão disse que o general Eduardo Pazuello não poderá se furtar a comparecer à Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia, quando deverá responder às perguntas que lhe forem feitas pelos senadores. Afinal de contas, ele foi ministro da Saúde e a sua nomeação foi considerada de risco pelo próprio governo em face de ser ele um general da ativa.

Pazuello, acrescentou Hamilton Mourão, não deverá comparecer fardado, pois o cargo que desempenhou é de natureza civil. Portanto, tem que comparecer com trajes civis. Nesse ponto, Mourão fixa uma posição absoluta igual a do general Paulo Sérgio Nogueira, atual comandante do Exército escolhido pelo ministro da Defesa Braga Netto.

A situação de Eduardo Pazuello está confusa, como assinalam as reportagens de Jussara Soares, no O Globo de sábado, e de Felipe Frazão e Rafael Moraes Moura, no Estado de São Paulo. Jussara Soares revela que Pazuello decidiu recusar o cargo que o presidente Jair Bolsonaro lhe ofereceu na Secretaria Geral da Presidência da República.

AGU – O Planalto havia escalado a Advocacia Geral da União para orientar o depoimento e o desempenho do ex-ministro da Saúde na CPI. Mas Pazuello resolveu recusar a nomeação, o que faz com que retorne para sua função militar, não aceitando integralmente que a sua defesa seja feita pela AGU.

Este fato é impactante , até porque Pazuello já contratou o advogado criminalista Zoser Hardman para assessorá-lo e defendê-lo se for o caso no inquérito constituído no Senado Federal.  Ao rejeitar o cargo, Pazuello demonstra tacitamente que se afastou ou está se afastando do presidente Jair Bolsonaro. Com isso, cresce a importância do seu depoimento marcado para o dia 19. Ele não poderá recuar, pois o  seu comparecimento determinado pela CPI está também na vontade do presidente da República.

AMAZÔNIA – Reportagem de André Borges, Estado de São Paulo, com dados do próprio Ibama, revela que o desmatamento da Amazônia bateu um novo recorde no mês de abril deste ano , crescendo 42% em relação ao mês de abril de 2020.

Chega-se à conclusão, como resultado de todas as setas críticas convergindo contra Salles, que o ainda ministro do Meio Ambiente está reunindo prejuízos de alto porte para o Brasil. A presença de Ricardo Salles no ministério está criando graves problemas para o esforço internacional contra o desmatamento da Amazônia e também as queimadas no Pantanal do Mato Grosso do Sul.

VICE PARA 2022 – O Globo, matéria de Paulo Cappelli, edição de ontem, diz que Jair Bolsonaro, Lula da Silva, Ciro Gomes e João Dória, os dois primeiros candidatos reais, estariam à procura de um candidato a vice para companheiro de chapa.

A meu ver, Ciro Gomes, alvejado por Lula, não tem condições de disputar com qualquer possibilidade de vitória. O governador João Doria, conforme ele próprio já deixou claro, sentindo-se sem espaço entre Lula e Bolsonaro, provavelmente tentará a reeleição para o governo de São Paulo. Poderá até formar ao lado de Lula, uma vez que não existe hipótese dele se alinhar com Bolsonaro, pois já foi excluído por este de forma absoluta. Além do mais, a João Doria não interessa a Vice -Presidência da República.

A interpretação que merece ser colocada é a de que Jair Bolsonaro não está nada satisfeito com a presença de Hamilton Mourão no Planalto. O general vem em diversas ocasiões criticando ministros do governo. Foi o caso de Ernesto Araújo, e agora o episódio  com Eduardo Pazuello. A meu ver, nitidamente, Hamilton Mourão representa e lidera uma corrente militar totalmente adversa ao pensamento de Bolsonaro que ao invés de orientar, desorienta a Administração e, com isso, desorienta o próprio país.

REVISTA ÉPOCA –  Na edição de sexta-feira, O Globo em reportagem que ocupou página inteira, anunciou que a revista Época, da família Roberto Marinho, vai deixar de circular a partir de 29 de maio. Afirma o texto que o crescimento da edição online do jornal vem absorvendo e reduzindo, em consequência, a venda da revista nas bancas, cujo conteúdo será editado online e, semanalmente, publicado na tradicional edição impressa de O Globo.

Esse fato, a meu ver, acentua estar em curso uma reforma em todo o sistema Globo a partir deste ano e que já envolve uma parceria da Som Livre com uma empresa de grande porte americana, a parceria da TV Globo e da GloboNews com o Google, e agora a retirada de circulação da revista Época.

A qualidade da TV Globo é bastante elevada, da mesma forma que os leitores do jornal e os que acessam as edições online, as quais permitem atualização dos fatos quase em tempo real. Entretanto, assinalo que para informações tópicas e que ocupam pouco espaço, as edições online servem para percepção urgente do que acontece na economia, na política, na administração e na área policial, como foi o caso  do desfecho de sangue no Jacarezinho.

ANÁLISES PROFUNDAS – Entretanto, para análises mais profundas dos fatos, é preciso ler-se as edições impressas porque é impossível que uma edição online possa transcrever, por exemplo, uma reportagem de página inteira como essa do O Globo sobre a saída da revista Época das bancas de jornal.

Uma coisa é a notícia tópica e curta, outra é o desdobramento lógico dos assuntos, cada vez mais detalhada de acordo com a importância do episódio acontecido ou do lançamento de algum programa de impacto na opinião pública.

Dentro de alguns dias, voltarei ao assunto. Ele é fascinante e dá margem para que se analise o processo de formação de opinião de forma clara, transparente e objetiva. Até hoje, nenhum meio de comunicação que tenha surgido conseguiu abalar aquele ao qual imediatamente sucedeu. Está aí o exemplo da televisão e do rádio, o do cinema e os jornais, a internet e as edições de papel através das quais assim caminha a humanidade, como o título do filme de George Stevens.

11 thoughts on “Ministros procuram embaixador da China para consertar mais um erro de Jair Bolsonaro

  1. Bolsonaro segue o mesmo ziguezague de cachaceiro: hoje ele enche a cara, bebe fiado, ofende pessoas que nem as conhece….. O dia seguinte é para curar a ressaca, tomando chá de boldo e casca de laranja. A partir do terceiro dia é para o pinguço se esconder de quem comprou fiado e daqueles que ele ofendeu.
    Mas nem só de esquivas vivem os imprudentes; num dado momento os caminhos se cruzam e, inevitavelmente, ele vai ter de acertar as contas.

  2. Bom dia Pedro do Couto.
    Seus artigos são verdadeiros tratados. Me sinto na sala de aula com o professor ensinando a pensar e escrever. Você é simplesmente fantástico.

    Mas, vamos aos comentários, que é isso que te anima e o induz a escrever muito mais.

    O presidente externa esse pensamento preconceituoso contra a China, não é de hoje. Seus filhos, Paulo Guedes, Ernesto Araújo, o ex chanceler, também pensam igual. Esquecem, que economicamente o Brasil não está bem pior, porque a China compra quase toda a produção de comoditties do agronegócio. Nossa sorte, é que os chineses são pragmáticos e geopoliticamenre não interessa romper com o Brasil nesse momento de conflito com Joe Biden. Mas, a frente, quando as potências militares se acertarem, a China vai comprar os produtos agrícolas americanos. E nós? Vamos vender para quem? Se a Europa está fechando as portas para esse governo, principalmente, a França que foi atacada por Bolsonaro e ainda ofenderam a esposa do presidente Macron. Paulo Guedes reverberando o ataque do presidente, ainda disse que a primeira dama francesa era feia mesmo, como se esse homem curvado e extressado fosse um exemplo de beleza.

    O vice Hamilton Mourão está no corner do Planalto. Jogado para o escanteio, sabe que num hipotético segundo governo, não estará na vice presidência. Bolsonaro procura novo parceiro, que possa agregar em votos. É cedo para essas tratativas. Mourão, o General, não aceita cangalha e tem suas opiniões e as expressa. Isso irrita o presidente, que não pode demiti- lo. O vice disse que concorrerá a Senador. Como segue a hierarquia militar, já avisou que não concorrerá a presidência contra Bolsonaro. Ele é aquela pedra no sapato presidencial, que teima em ficar lá lembrando da sua existência, até com os pés descalços.

    A situação do ex- ministro da Saúde, general Pazuelo está dificílima, devido aos seus erros no combate a Pandemia. Tanto, que ele contratou um advogado criminalista, porque não confia nos advogados da AGU, que irão defender mais o presidente do que o general. A inteligência militar avisou a ele do perigo, penso eu, se não estou enganado. Os ministros não têm autonomia para decidir, em qualquer área, inclusive na Saúde. O depoimento do ex- Ministro Nelson Teich comprova o fato. Ele declarou, que pediu para sair por causa da insistência na Cloroquina e no tratamento precoce. O problema do militar nas funções civis, se insere na obediência ao superior. Um manda e o outro obedece. Na área civil, o auxiliar e demitido, na área militar vai preso.

    Em relação as revistas semanais impressas e o fim da Revista Época é um exemplo, a Internet possibilita a leitura “on line”, o novo normal. Como são notícias requentadas da semana, o leitor não quer perder tempo. Por isso, os jornais impressos, ainda se mantém nas bancas, mas, vem caindo as vendas também, apesar dos preços congelados. Se subir mais um pouco, vai encalhar. Veja e Isto É irão pelo mesmo destino da Época. Não se sustenta nenhum semanário prejuízos mensais, a não ser, que um mecenas, aceite bancar tudo, mas, até quando?

    Me dirigi recentemente, a banca de jornal do Condomínio Alfa Barra 1 para comprar o jornal O Globo. A vendedora me disse, que no Condomínio todos liam o jornal pela Internet. O jornal voltava no dia seguinte sem nenhuma comprador. Não pedia mais. Sai de lá triste, com a força da Internet.

    Os voos da Ponte Aérea Rio& São Paulo estão com seus dias contados. As empresas descobriram as Plataformas Virtuais, com custo quase Zero. Então, as reuniões de negócios estão sendo muito mais eficientes, inclusive com a presença dos donos das empresas. Os hotéis já sentem também no baque. Todos terão que se reinventar.
    Não está fácil para ninguém.

  3. Até parece que os ministros “vão consertar” qualquer erro ou ação de Bolsonaro. Eles não tem competência pra isso. Manchete ridícula.

      • Marcos. Os ministros são do presidente. É ele que define as políticas. Há uma confusão do papel institucional do presidente, nas políticas de Estado e de Governo. Um é permanente e o outro transitório.
        Existe um despreparo gigantesco sobre o papel que desempenham.
        Por isso, tenho entendido hoje, que o Parlamentarismo é a melhor forma de governo para o Brasil. O presidencialismo concentra muito poder anima única pessoa.
        Se o povo escolhe errado, advém no desastre anunciado. Lembram de Jânio?

    • Data Vênia. Quando o presidente está no limite do stress, quando nada está saindo como ele deseja, ele discursa em público, o que costuma falar em privado, com seus principais auxiliares. Aí, então, no dia seguinte pede aos ministros para mitigar os danos advindos. Lógico, que vão a mando dele. Se fizerem qualquer gesto sem aprovação do presidente, levam esporro, passam por fritura até serem demitidos ou convidados a se retirarem e tem os de têmpera ética, que pedem demissão antes, como Moro e Teich.
      Pura análise, sem paixão, sem lado e politização. Olhando os fatos e o passado, que balisam o futuro.

  4. Esse governo, não gosta da China. São americanofilos de carteirinha. Entretanto, são obrigados a engolir o gigante asiático, que compra quase toda a produção agrícola. Se eles pararem de comprar, quebra a agricultura nacional, porque não temos estrutura de armazenamento e grãos. Falta Silos, e o escoamento é precário. Quem sairia ganhando? Os americanos, nosso principal concorrente.
    Falta profissionalismo aos atuais governantes, enquanto sobra bravatas e amadorismo. Em linguagem futebolística, diria que são peladeiros de várzea.

    • Não estou entendendo o silêncio sepulcral do senador Romário, cria do Jacarezinho, em relação ao morticinio, a execução ali praticada.. Se faz de morto. Se não serve para defender a sua comunidade, junto da Vila da Penha, então, por que pediu votos,?
      Cada vez firmo a convicção, de que a carreira legislativa, serve apenas para obter segurança financeira e alavancamento dos negócios.

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