Não é fácil incriminar empreiteiros, mas a hora é essa

http://cicerocattani.com.br/wp-content/uploads/2014/10/empreiteiras.jpgDavid Friedlander
Folha

A Operação Lava Jato revirou nos últimos meses o mundo subterrâneo dos grandes contratos da Petrobras. Encontrou um festival de propinas, verbas ilegais de campanha e políticos desonestos.

Para fazer o serviço completo, no entanto, não basta pegar os políticos corruptos. O que nunca acontece, e a Lava Jato tem a chance inédita de fazer agora, é punir também os corruptores.

O propinoduto da Petrobras, segundo a investigação, foi financiado por empreiteiras que ganharam contratos bilionários da estatal. E enquadrar um empreiteiro, até mesmo investigá-lo, não é fácil.

Esses empresários formam uma espécie de governo paralelo, que não é eleito, não tem mandato, mas tem poder. Formaram uma sólida comunhão com o setor público, que nem sempre leva em conta os interesses da população.

Na Petrobras, um dos produtos dessa relação foi a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Anunciada com orçamento de US$ 2,5 bilhões, a obra vai custar US$ 20 bilhões.

Um dado notável é que boa parte das empresas envolvidas na Lava Jato já tenha sido investigada antes, sem nenhuma consequência.

PC FARIAS

Nas CPIs de PC Farias e dos anões do Orçamento, nos anos 1990, um presidente caiu, deputados foram cassados, mas as empreiteiras escaparam. Na Operação Castelo de Areia, de 2009, seus advogados foram bem sucedidos e suspenderam a investigação na Justiça.

Desta vez há uma diferença importante –a chamada delação premiada. Em troca de punições menos severas, um ex-diretor da Petrobras, um doleiro e dois executivos da empresa Toyo Setal começaram a contar o que sabem aos investigadores.

Isso pode mudar tudo. As empresas com culpa no cartório não estavam preparadas para lidar com delatores que conhecem no detalhe os métodos do grupo. Na teoria, a colaboração tende a proporcionar provas mais robustas do que nas vezes anteriores.

DELAÇÃO PREMIADA

Temendo que a casa possa cair, neste momento algumas empreiteiras avaliam com advogados a conveniência de se entregar. Alegariam que foram extorquidos pelos diretores da Petrobras.

Em conversas reservadas, executivos dessas empresas agora dizem que já estavam indignados com a proporção que a bandalheira tomou. Pode ser. Mas parece evidente que eles participaram do esquema e lucraram com o superfaturamento das obras na estatal.

Punir o grupo seria um passo essencial para romper o conluio venenoso entre empreiteiras e setor público, que persiste há décadas. E, sem isso, não há como avançar a sério na direção dos bons costumes na política.

One thought on “Não é fácil incriminar empreiteiros, mas a hora é essa

  1. Parece que o ódio ao Lula tem origem no aprendizado que ele teve com a ditadura. A elite brasileira não aceita o Lula ter sido tão bom aluno. Lula para governar usou dos mesmos artifícios usados pelos golpistas. Só que os golpistas foram unânimes. políticos adesistas, empreiteiras, elite e classe média servida de peixadas adoraram, apoiaram o golpe e nem ligavam para os métodos que os golpistas corruptos usavam para governar o país, eles ganhavam com a ditadura. O Lula fez a parte dele : Com a maioria dos políticos e com as empreiteiras Lula se deu bem, mas a elite e parte da classe média o odeia.
    Reeleição e urna eletrônica também não foram invenção do Lula. A mim como brasileiro só me resta torcer pelo Lula porque com ele pelo menos o povo vai bem e com aquela gente egoísta, o povo ia mal. O Brasil, para avançar democraticamente e politicamente, poderia fazer uma reforma política para acabar com os métodos ultrapassados e corruptos usados por todos que governaram o país. Até o imperador usava expedientes similares para agradar seus apoiadores.

    Copiei e colei parte da matéria elaborada por Adriano Belisário.

    Segue parte da matéria:

    O estreitamento de laços entre a Odebrecht e a Petrobras deve muito a um Emílio, mas não aquele da família Odebrecht. Embora tenha realizado a primeira obra para a Petrobras – um oleoduto na Bahia – no mesmo ano em que a empresa nasceu, em 1953, – o que define como início de “uma importante parceria que perdura até hoje“ em seu site, a empresa não era mais que uma empreiteira regional de pequeno porte até o início da ditadura militar. A partir de então as coisas mudaram – e rápido, em especial após o governo de Emílio Médici (1969-1974).

    Para o historiador Bernardo Galheiro, sua chegada ao poder (1969-1974) estava ligada a uma conciliação entre os interesses de empresários paulistas e baianos. “Na época, a Odebrecht era ligada com outros setores da burguesia baiana, como o grupo Rocha Miranda, família Calmon de Sá e a família Mariani. No governo Médici, eles passaram a dividir o assento do aparato estatal com a burguesia de São Paulo. No de Geisel, assumem o comando”, diz.

    “Quando Geisel assume a presidência da Petrobras, ainda no Governo Médici, ele passa a contratar sistematicamente a Odebrecht; quando assume a presidência do país [1974-1979], a empresa dá um salto”, confirma Pedro Campos, que pesquisou a ascensão das empreiteiras no regime militar. Os números do período não deixam dúvida: em 1971, a empresa era a 19ª maior construtora do país; dois anos depois alcançava o terceiro lugar.

    Não por acaso, o primeiro projeto da Odebrecht fora do Nordeste ocorre naquele período, a construção da sede da Petrobras no Rio. Um marco não apenas da expansão da empresa, mas da aproximação que seria decisiva para a futura diversificação de seus negócios. Durante a década de 1970, a Odebrecht assumiu obras importantes, como o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o campus da Universidade da Guanabara (atual UERJ) e a Usina Nuclear de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

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