“Não sei nem o que é AI-5, nunca nem estudei para descobrir o que é. Isso é passado, acabou”, diz Pazuello

Pazuello disse não ter ficado incomodado com a declaração de Gilmar

Deu na Folha

Ministro interino da Saúde, o general Eduardo Pazuello disse em entrevista à revista Veja que não sabe o que foi o Ato Institucional nº 5 (AI-5), responsável pelo período de maior repressão da ditadura militar. O regime perdurou no país de 1964 a 1985.

“Nasci em 1963, não sei nem o que é AI-5, nunca nem estudei para descobrir o que é. A história que julgue. Isso é passado, acabou”, afirmou ao responder um questionamento sobre ameaça a democracia no país.

“DEMOCRACIA EM PLENITUDE” – Segundo ele, as manifestações de rua realizadas por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro — que incluem bandeiras pela intervenção militar, contra o STF (Supremo Tribunal Federal) e o Congresso— são exemplos de que “a democracia está em sua plenitude”. Na sequência, Pazuello citou o AI-5.

O ato institucional foi decretado em 1968 e vigorou até 1978. A norma deu ao presidente poderes quase ilimitados, como fechar o Congresso Nacional, cassar mandatos, suspender direitos políticos e a garantia de habeas corpus para suspeitos de crimes políticos. Com isso, a violência cresceu e o trabalho de torturadores foi facilitado. Ao todo, foram 434 vítimas, 191 mortos e 210 desaparecidos, segundo a Comissão Nacional da Verdade, e outros 33 desaparecidos que tiveram os corpos localizados após o encerramento dos trabalhos da comissão, em 2014.

DECLARAÇÃO DE GILMAR – Na mesma entrevista, Pazuello disse não ter ficado incomodado com a declaração do ministro do STF Gilmar Mendes de que “o Exército está se associando a um genocídio”, por causa do número crescente de mortos pela pandemia do novo coronavírus no país e militarização do ministério.

“Foi uma conversa muito mal colocada, atravessada, num momento errado e de uma pessoa que não precisava falar isso. Mas eu e o ministro Gilmar já conversamos”, disse. Ele definiu o diálogo com o Mendes como tranquilo e disse que o convidou a visitar o ministério.

RECURSO HUMANO – O general, que está há dois meses à frente da pasta e deve continuar no posto, segundo o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), defendeu a presença dos militares na pasta, dizendo que dos quinze militares da ativa que trouxe para auxiliá-lo, apenas quatro estão em cargos de chefia e o restante é técnico. “Qual é o problema nisso? Militar é um recurso humano formado e pago pelo contribuinte. Esse estigma precisa acabar.”

Ao ser questionado se o presidente era um mau exemplo na pandemia, Pazuello sugeriu olhar a questão por outro ângulo. “Talvez não seja tão negativo ter uma pessoa dizendo que não precisa ter esse temor todo. Dá um pouco de esperança de que a vida pode ser normal”, afirmou. Bolsonaro, que está com Covid-19, está isolado por conta do tratamento.

6 thoughts on ““Não sei nem o que é AI-5, nunca nem estudei para descobrir o que é. Isso é passado, acabou”, diz Pazuello

  1. Sem violencia, toda e qq manifestação é democrática. Eu falei TODAS. Mesmo as mais estapafúrdias. Se a manifestação é anti democrática, ou a favor de QQ outra aberração, elas não terão o apoio da maioria. Lembro que os movimentos republicanos tb iniciaram com uns poucos adeptos. Os católicos no império romano afrontava o poder pontifícia do imperador. E muitos outros movimentos podem ser citados. É claro q a maioria deles NÃO teve respaldo popular e sucumbiram.

  2. Cada vez fica mais claro onde o Bolsonaro queria chegar; mas, sempre ficará os maus exemplos que ele deu. Precisava mais pragmatismo para ser o representante máximo do povo brasileiro.

  3. Os “nojentos” do congresso e do stf nunca serão esquecidos por nós, por mais “confetes e lantejoulas” que a mídia derrame sobre eles.

  4. O General Pazuello, elogiado pela maioria absoluta dos secretários de saúde, inclusive de governos da oposição, faz um trabalho impecável. A Folha, como é do seu feitio, faz oposição “ai que saudade do pt”. A entrevista do futuro ministro é um primor, ele destrói todas as trapaças. De quebra, cutuca o Gilmar Mendes: “… ou vai para Portugal”.

    A Folha é sinônimo da trapaça, melhor ir direto na fonte:
    https://veja.abril.com.br/politica/em-entrevista-pazuello-fala-de-acusacao-de-genocidio-e-rumor-de-demissao/

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