Pesquisa confirma que Bolsonaro provoca um ”otimismo irreal” em relação à covid

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Pereira
Estadão

Pessoas tendem a superestimar as chances de experimentar resultados favoráveis ou subestimar as chances de obter resultados desfavoráveis. Esse comportamento é conhecido como viés de otimismo e se manifesta em diversos contextos.

Por exemplo, indivíduos tendem a subestimar o risco de ganhar peso e contrair doenças cardíacas; mesmo quando fumantes, avaliam como baixo o risco de contrair câncer de pulmão; dirigem de forma arriscada quando consideram que são baixas as chances de se envolverem em acidentes.

FAZ BEM À SAÚDE – O comportamento otimista sobre eventos futuros pode até gerar mais felicidade. Estudos apontam que otimismo estimula o sistema imunológico, diminui o risco de sofrer um AVC, propicia mais sucesso no trabalho, gera pessoas mais saudáveis etc.

Mas o excesso de otimismo pode ser problemático, pois tende a induzir a comportamentos imprudentes e impedir a adoção de medidas de autoproteção.

Por outro lado, comportamentos de autoproteção podem afetar a própria percepção de risco. Por exemplo, ciclistas que fazem uso habitual de capacete tendem a dirigir suas bicicletas de uma forma mais aventureira.

USO DE MÁSCARAS – Será que, no caso da pandemia da covid, medidas de autoproteção, como o uso de máscaras, estimulariam um otimismo irreal e, por consequência, um comportamento mais arriscado?

Para responder a essa pergunta, eu e meus coautores da FGV EBAPE (Yan Vieites, Guilherme Ramos, Eduardo Andrade e Amanda Medeiros) pesquisamos, a partir de dois surveys experimentais com o apoio do Estadão, se o uso de máscara durante a pandemia da covid poderia aumentar a propensão das pessoas a se sentirem mais seguras de não contrair a doença e/ou de desenvolvê-la na sua forma mais branda, e, com isso, se expor a mais riscos.

Pessoas que usam máscara mais frequentemente exibiram viés de otimismo, na medida em que percebem como menor o risco de serem infectadas (suscetibilidade) em relação a outras pessoas da mesma idade, gênero e vizinhança.

SEM OTIMISMO IRREAL – No entanto, o uso de máscara não influenciou de forma sistemática o otimismo irreal quanto ao risco de desenvolver a doença de forma mais grave (severidade).

A pesquisa, que deu lastro a artigo que acaba de ser aceito para publicação no Journal of Experimental Psychology: Applied, e que contou com a participação de 4.054 respondentes entre os dias 25/05 e 01/06 de 2020, também investigou se a ideologia política (esquerda, centro e direita) e a aprovação/reprovação do governo Bolsonaro exacerbariam o viés de otimismo diante do uso de máscara.

INFLUÊNCIA POLÍTICA – Os entrevistados que aprovam a performance do presidente Bolsonaro na pandemia apresentaram uma percepção comparativa de risco mais baixa, tanto para a suscetibilidade de contrair a covid e, especialmente, para a severidade da doença.

Ou seja, os eleitores que aprovam a performance do presidente são mais irrealisticamente otimistas do que os que o reprovam. Quanto maior a aprovação de Bolsonaro, maior a probabilidade de acreditarem que não serão infectados e, se contaminados, experimentariam resultados menos gravosos da covid.

Essa percepção enviesada dos eleitores que aprovam Bolsonaro parece ser consistente com a interpretação do próprio presidente sobre riscos e gravidade da pandemia.

APOIADORES POLÍTICOS – Bolsonaro minimizou a doença desqualificando-a como uma “gripezinha”. Negligenciou a compra de vacinas e fez defesa ostensiva de uso de medicamentos sem comprovação científica para o tratamento precoce, estimulando aglomerações, se opondo ao distanciamento social e não fazendo uso de máscara.

Em suma, conexões de eleitores conservadores com seu líder desconectado da realidade aguçam o otimismo irreal em relação à covid. 

7 thoughts on “Pesquisa confirma que Bolsonaro provoca um ”otimismo irreal” em relação à covid

  1. Cresci, ouvindo os mais velhos ensinando que pessoas muito otimistas são chegadas a tragédias e malogros. Há figuras que, se a gente tentar levar-lhe uma advertência, em vez de elas escutarem, para depois ponderarem não; já vão contra-argumentando com uma anteocupação, na ponta da língua: “Vixe amigo, essas coisas não acontecem comigo, Jesus tá no controle, nem me preocupo, baaaate na madeeeeeira, meu!” O infame é do tipo que, o simples fato de ele ter aderido ao uso de máscara: esse acessório vai agir, pensar por ele, e assumir a responsabilidade por todas as outras medidas sanitárias que ele, o indivíduo, deveria providenciá-las.
    Dizem também, do excessivamente otimista, que ele tende a criar uma realidade antecipada daquilo que planejou, induzindo nele um estado de conformismo ou engessamento de clima de “já ganhou”.
    Na vida, há ciladas tão manjadas quanto o “único” drible do Garrincha, mas que os marcadores se deixavam enganar todas as vezes.
    Por exemplo – aquilo que nos vai ser uma bronca futura, quase sempre, apresenta uma recompensa antecipada – a bebida alcoólica, a princípio tudo é relaxamento, gargalhada, euforia….no dia seguinte!
    Fazer Criança: quem inventou a procriação jogou sujo: se não fosse as delícias do pré (warm up) e do orgasmo, por causa de um deleite efêmero, muitas pessoas não iriam arrumar uma encrenca pra quase a vida inteira, FILHOS.
    Quem se deixa arrastar pelo açular (estalar de dedos) de Bolsonaro, entorpecido pelo fanatismo mórbido, talvez consiga vislumbrar também uma recompensa prévia: não atrair a Covid-19 pelo medo de nosomaníaco ou hipocondríaco. A esse seguimento cego e inconsequente dá-se o nome de Panurgismo.

  2. Pesquisa de encomenda para reforçar a narrativa que a grande imprensa, a prostituta de luxo da bandidocracia, tenta emplacar. O último parágrafo diz tudo sobre a “seriedade” da “pesquisa”.

  3. Che, mas é até um pecado acusar a “grande imprensa” como prostituta de luxo da bandidocracia (sic)!

    Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo, Veja, Isto É … prestam relevantes serviços à nação.
    Informam, orientam, descobrem, publicam os escândalos de autoridades, criticam a omissão e o desrespeito dos governantes para com o povo, decididamente não podem ser assim conceituadas.

    Se é para cobrar condutas ou comportamentos, Bolsonaro não serve como exemplo para ninguém, pelo contrário, o atual presidente tem sido péssimo, incompetente, que despreza o povo, e tem usado o SBT e a Record como seus veículos de comunicação.

    A Record não é necessário comentar quem é o seu dono, um estelionatário espiritual, um explorador da crendice alheia.
    SS vai estar permanentemente, até o resto de sua vida, ao lado do dinheiro, daquela autoridade que lhe permite seguir com a sua TV e seu Baú da Felicidade.

    Enfim, essa é a democracia bolsonarista:
    sem imprensa, sem informação, e jogando o povo inculto e incauto, analfabeto absoluto e funcional, destituído de discernimento e senso crítico contra a mídia, como se ela fosse a causa dos desmandos e descalabros de Bolsonaro!

    Tá feia a coisa, muito feia.

  4. Os lambe-botas do Idiota culpam, copiando o Imbecil americano, a imprensa pelos seus enganos. Pra ser bem claro: o imbecil americano é o Donald e o Idiota é o Coiso Nosso de Cada Dia.

    • Ou seja: Bostanarismo é uma doutrina que, por dupla razão, deve ser estudada pela Escatologia. Porque esta trata, ao mesmo tempo, de Excrementos e dos últimos acontecimentos, bíblicos.

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