Pouco uso de palavrões demonstra que Bolsonaro sabia que Kajuru divulgaria a conversa

Jorge Kajuru divulgou conversa com o presidente Jair Bolsonaro - Alberto Maia/Divulgação

O próprio Kajuru disse que Bolsonaro sabia da gravação

Mônica Bergamo

A suspeita de que Jair Bolsonaro sabia que o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) divulgaria conversa que teve com ele no sábado (10) foi reforçada no STF (Supremo Tribunal Federal) depois que se constatou que, em 6 minutos e 20 segundos de um bate-papo supostamente reservado, o presidente da República não falou palavrões.

Os primeiros trechos da conversa foram divulgados no domingo (11). Só um dia depois Kajuru revelou a integridade do diálogo. E então Bolsonaro apareceu chamando o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) de “bosta”.

GRAVAÇÃO DIVULGADA – Um palavrão apenas, no entanto, foi considerado insuficiente para afastar as suspeitas de que o presidente se controlou porque sabia que a conversa poderia vir a público.

Bolsonaro é conhecido por usar com naturalidade palavras de baixo calão. No jantar com empresários em São Paulo, na semana passada, ele disparou várias delas e chegou a chamar o governador de São Paulo, João Doria, de “vagabundo, caralho”.

Na reunião ministerial que foi divulgada no ano passado por ordem do STF depois da demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça, Bolsonaro repetiu 43 palavrões e xingamentos, como “putaria”, “estrume”, “filho da puta” e “vai pra puta que o pariu, porra”.

FIO CONDUTOR – O convencimento geral entre magistrados e políticos, portanto, segue sendo o de que a conversa foi vazada como forma de estruturar a narrativa bolsonarista de que o presidente é vítima de perseguição e de que o universo político joga com duas medidas: uma para emparedá-lo e outra para poupar governadores, prefeitos e ministros do STF. ​

A informação de que o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) vai acionar o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar contra o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) depois que ele divulgou conversa que teve com Jair Bolsonaro também foi vista como um jogo de cena da família do presidente da República: o órgão do parlamento não funciona há quase dois anos.

A última reunião dos 15 senadores que o integram foi no dia 25 de setembro de 2019, quando o colegiado foi instalado —e nunca mais se reuniu.

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NOTA DA REDAÇAO DO BLOGO próprio Kajuru disse que Bolsonaro aproveitou a gravação para mandar recados. É o chamado Segredo de Polichinelo, que todo mundo sabe. (C.N.)

12 thoughts on “Pouco uso de palavrões demonstra que Bolsonaro sabia que Kajuru divulgaria a conversa

  1. Os muito hipócritas fizeram de conta de que a conversa entre o mito e o senador era coisa séria. Para os hipócritas tudo o que poder ser aproveitado contra o mito vale, mas desta vez ele realmente usou e abusou do único neurônio que tem, deu uma verdadeira cama de gato em todo mundo. Os “onze sinistros” se ofenderam, os progressistas todos também se ofenderam e, até o próprio “grampeado” teve a ousadia de dizer que se ofendeu. Este é o Brasil que temos, uma terra governada só por canalhas. Até quando vamos ter que suportar tamanho suplício?

      • Bob Marley usava as suas letras musicais, para denunciar miséria e injustiças sociais. Andava como um mendigo e fumava ganja. Postumamente, herdeiros e penetras iniciaram a guerra por uma fatia do seu patrimônio multimilionário.
        Nós, seres humanos, neste planeta babilônico, hein?

  2. Somente otários acreditam que essas duas farinhas do mesmo saco, não combinaram esse “vazamento”. Se o objetivo de Bolsonaro era impactar as pessoas citadas no colóquio: como é que ele não ia forjar um “vazamento diarreico”?

  3. As pessoas se enganam com essa onda de denuncismo que toma conta do país. Para um observador desatento pode parecer que vivemos um momento de moralismo, quando os criminosos são apontados e as vítimas protegidas. Não há um dia na grande mídia que não se fale contra o preconceito, a intolerância, a violência e a necessidade de reconhecimento da igualdade de todos. Para um neófito, que ainda não entendeu o que é o mundo moderno, soa como se vivêssemos em uma sociedade tomada de pessoas preocupadas com o bem estar do próximo.
    No entanto, basta uma observação um pouquinho mais cuidadosa para perceber que aqueles que tomam a frente das acusações são os mesmos que, antes disso, estimulam os atos que denunciam. Fomentam a imoralidade e o sexo livre, depois dizem que há uma cultura do estupro ou da exploração sexual. Conclamam as mulheres a fazerem o que bem entendem com seus corpos e abrirem mão de qualquer pudor, depois dizem que elas são tratadas como objeto. Promovem a relação entre gerações, inclusive em programas para adolescentes, e depois denunciam a pedofilia. Estimulam os negros a se orgulharem da raça e fazerem provocações baseadas nisso depois apontam o preconceito racial. Dizem que as mulheres devem se bastarem a si próprias e não devem respeitar homem algum, depois denunciam a violência doméstica. Falam que os padrões sexuais e o recato devem ser esquecidos e apontam aqueles que refletem isso na linguagem como quem está praticando assédio. A esquerda explora tudo isso e muito mais.
    Apenas alguém muito desatento não vê que a tática dos movimentos coletivistas é idêntica à do diabo, que estimula o pecado para depois acusar o pecador.
    O que eles (esquerdistas) querem, na verdade, não é a paz, a segurança, muito menos a moralidade ou a estabilidade social. Seu único objetivo é criar um clima de guerra e de animosidade entre os grupos. Isso porque, como bons marxistas que são, o que eles querem é o caos, para do caos extrair a hegemonia que tanto perseguem. O Presidente Bolsonaro não tem paz um dia sequer.
    Quem dá ouvidos à provocação dessa histeria coletiva e a essa onda de denuncismo está, sem saber, colaborando, não para solucionar os problemas tratados, mas para fortalecer os velhos tiranos que se apresentam em novas roupagens.

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